"A China está a comprar a Europa", diz estudo
21.09.2011 às 10h58
Estudo alerta que enquanto os países europeus competem uns com os outros para atrair investimentos chineses, reduzem a capacidade de negociar coletivamente o recíproco acesso aos mercados chineses.
A China "está a comprar a Europa", replicando a estratégia seguida em África, alerta um estudo europeu divulgado hoje em Pequim. "Outrora um grande mas distante parceiro comercial, a China também é agora um poderoso ator dentro da própria Europa", afirma o estudo, assinado por três investigadores do European Council on Foreign Relations (ECFR). A Europa não é uma fonte de matérias-primas, mas "possui tecnologias avançadas que interessam à China" e, além disso, "necessita de dinheiro a curto prazo", o que a China parece possuir em grande quantidade. Há cinco anos - salienta o estudo - o investimento chinês na Europa somava 1.300 milhões de dólares (948 milhões de euros): em 2011, aquisições de empresas chinesas em Espanha, Hungria e Noruega excederam, cada uma delas, aquele montante, salienta. Entretanto, um fabricante automóvel chinês, a Gelly, sediado em Hangzhou, leste da China, comprou a Volvo e empresas chinesas de transportes "estão a comprar, alugar ou a gerir portos, aeroportos e bases logísticas através do continente europeu", exemplifica o estudo.
"Europa não deve recorrer ao protecionismo"
Os autores do estudo- François Godement, Jonas Parello-Plesner e Alice Richard - defendem, contudo, que a Europa "não deve recorrer ao protecionismo", mas reclamar "reciprocidade". "A Gelly pode comprar a Volvo, mas a Volvo não poderia comprar a Gelly", observou Jonas Parello-Plesner num encontro com jornalistas e diplomatas na Embaixada da Dinamarca em Pequim, promovido pelo FCCC (Foreign Correspondente Club of China).O estudo alerta que "enquanto competem uns com os outros para atrair investimentos chineses, os países europeus reduzem a capacidade de negociar coletivamente o recíproco acesso aos mercados chineses".