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A Tempo e a Desmodo

Sem justiça não há economia

Na abertura do ano judicial, convém relembrar uma coisa: o nosso maior problema económico é a lentidão da justiça.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

1. Volto a repetir a evidência que o Dr. Noronha de Nascimento desconhece: os nossos tribunais não conseguem forçar um caloteiro a pagar as suas dívidas. O nosso atraso económico começa neste barbarismo judicial. Qualquer economia moderna necessita de uma base: um estado de direito rápido e eficaz. Sucede que Portugal não tem esse estado de direito. A economia real portuguesa (i.e., todos os empresários que não têm o número de telemóvel do primeiro-ministro) vive ao nível do pré-direito, do pré-contrato.

2. Na ausência de um estado de direito, os empresários portugueses vivem numa selva sem rei nem roque. Têm medo de investir. Têm medo de aceitar novas encomendas. Isto porque não sabem se "x" e "y" são ou não caloteiros. E é uma pena que este dia-a-dia caótico do pequeno empresário português não tenha visibilidade nas narrativas dos media cá do burgo.