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A Tempo e a Desmodo

Pensar o pós-Sócrates

José Sócrates é o mais grave sintoma da doença do regime: a promiscuidade entre o partido do Governo (PS ou PSD) e o mundo dos negócios. Depois de extirparmos o sintoma, temos de cuidar da doença.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. José Sócrates arruinou aquilo que restava da III República. Hoje, vivemos num regime onde a mentira passou a ser a normalidade. José Sócrates vai cair. Amanhã ou para o ano, mas vai cair. Portanto, a tarefa principal começa a ser a refundação de um regime político que está completamente de rastos. O período pós-Sócrates tem de ser o período da refundação, da Regeneração.

II. E a tarefa da refundação deve começar por aqui: temos de acabar com a promiscuidade entre política e negócios. É preciso acabar com as golden share (na PT, na Galp, etc.). É preciso acabar com este capitalismo chico-esperto, que junta o pior do socialismo com o pior do capitalismo chinês. As golden share não protegem os interesses nacionais. Protegem, isso sim, os interesses dos comissários políticos (do PS e do PSD). Depois, temos de privatizar as empresas que ainda estão no Estado. Para terminar, faço uma pergunta: para que servem as tais "empresas municipais"?

III. A questão é muito simples: se queremos diminuir a intensidade da corrupção, então, temos de privatizar essas empresas públicas ou semi-públicas, as esquinas onde os corruptos gostam de cochichar. E, como se vê, estas privatizações não devem obedecer a critérios económicos, mas sim a critérios de ética política: sem estas empresas no rol do Estado, os senhores dos partidos ficam sem os lugares onde é possível meter a política e os negócios na mesma cama.

IV. E há mais para fazer.