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Expresso

A Tempo e a Desmodo

Os "mercados" são os "salários"

23.01.2013 às 8h15

Já passaram vários anos desde o início desta crise, mas boa parte das pessoas, no downstairs e no upstairs, ainda não percebeu ou ainda não quis perceber o que se passa. Olhemos, por exemplo, para as dezenas de corporações que trabalham no Estado e para os partidos que legitimam as reivindicações dessas corporações. O que temos ouvido em sistemáticas manifestações? De manhã, as pessoas dizem que não querem cortes nos salários e, à tarde, xingam os mercados e a troika; dizem "cortem na dívida e não nos salários". Problema? Não percebem ou não querem perceber que os salários são a dívida, são os mercados e/ou a troika que permitem o pagamento dos salários. As pessoas falam dos mercados como se estivéssemos a sofrer uma invasão estrangeira, como se nós não tivéssemos pedido aquele dinheiro emprestado. Ou seja, boa parte dos portugueses não sabe ou não quer saber que o dinheiro que cai na sua conta bancária depende dos mercados, do dinheiro que o nosso Estado consegue nos mercados. É assim agora e foi assim no passado pré-crise.

No fundo, voltamos sempre ao mesmo: as pessoas querem uma coisa e o seu contrário. Culpa? Dos políticos de esquerda (escondidos no seu segredo) e de direita (incapazes de um discurso político e pedagógico), dos jornalistas (que não apertam; "ai, sim, não quer os mercados? E como é que se paga o seu salário sem os mercados, posso saber?).