Siga-nos

Perfil

Expresso

A Tempo e a Desmodo

Os jogadores do Benfas foram bonzinhos

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

Qual oráculo de Delfos com sandes de courato e mini nas mãos, eu bem que avisei: "o Benfica vai ganhar por 4-1". Sucede que as minhas capacidades adivinhatórias não anteciparam a imensa caridade dos nossos rapazes. Sim, é verdade. Com todo o rigor científico que este tipo de assunto impõe, posso garantir que a rapaziada não me fez a vontade, porque teve um choque frontal com o Espírito Santo. Cardozo, Lima e companhia quiseram ser bonzinhos com o adversário combalido e, pronto, desistiram do assalto final. Podiam ter chegado ao 4-1. Bem vistas as coisas (plantel e direcção do adversário incluídos nas coisas), os jogadores da nação podiam ter chegado ao 5-1 ou 6-1, mas não quiseram. Mas eu perdoo a rapaziada. Fizeram um bom jogo.

Aliás, não percebo a conversa dos cientistas da bola (aqueles que falam de bola como se não tivessem clube; são, portanto, iguais aos comentadores políticos que não têm, como se diz?, convicções políticas). Sim, vários cientistas do esférico garantem que o adversário dominou a primeira parte. Vamos lá ver se nos entendemos: se o adversário dominou a primeira parte, eu sou a brasileira do Pinto da Costa. Aquilo não é dominar. Aquilo é meter o 38 da Carris à frente da baliza. Aquilo não é controlar a partida, é correr que nem desalmados atrás da bola, ou seja, é não saber defender, é cair na ratoeira. Quando diz que o jogo do Benfica cansa os adversários, o JJ não está na bazófia, está na análise.

Visto que correram como maratonistas quenianos na primeira parte, os jogadores do adversário só tinham um destino: estoirar na segunda parte. É que nesta coisa de jogar à bola convém ter a bola, nem que seja por uns minutinhos. Sem a bola nos pés, é difícil durar os 90 minutos. Moral da história? O adversário não levou um cabaz ainda maior, porque Gaitán teve aquela colisão frontal com o Nosso Senhor e acabou por entrar com a caridade na ponta das chuteiras. Nico, menos amor da próxima vez. 

 

Série "O benfiquista terminal":

Benfica, o meu relógio biológico 

FMI no Benfica

Veloso & Grécia

Ser do Benfica é ver D. Sebastião no Emerson

A troika do Cardozo

Os benfiquistas têm a memória curta

O guarda-redes do cinema



Os miúdos do Benfica morrem sempre na praia