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Expresso

A Tempo e a Desmodo

Os bancos têm a idade mental de uma criança

26.10.2012 às 7h49

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

Já andava desconfiado, e agora tenho a certeza: os bancos têm a idade mental de uma criança de cinco anos, ou melhor, têm o comprimento de onda de uma criança de cinco anos mal-educada. Tal como este tipo de fedelho, os bancos são incapazes de ouvir um não. Nas últimas semanas, os bancos (sim, no plural) têm telefonado cá para casa com ofertas de crédito. Coitados, eles ainda não sabiam que cá em casa fazemos sessões espíritas anti-crédito, que terminam em autos-de-fé que deixam um cheirinho a plástico queimado. Bom, na primeira vez, respondemos com delicadeza, "não, obrigado". Na segunda, a coisa engrossou um pouquinho, pois tivemos de dizer que "nós não compramos nada a crédito, e, já agora, vocês não aprendem?". Do lado de lá, ouviu-se uma espécie de does not compute. É como se não concebessem a existência de uma pessoa que rejeita o crédito. Quando partilhámos a história com amigos, percebemos que o nosso episódio até nem é dos piores. Para despachar este tipo de telefonema, uma amiga costumava dizer que estava desempregada. Na última vez, foi esta a resposta do banco: "por isso mesmo, venha cá".

Esta maneira de pensar dos bancos seria grave mas compreensível em 2000 ou 2005. Em 2012, isto é só idiota e revelador de uma coisa: parte dos bancos ou sectores inteiros dos bancos ainda não perceberam. Eles deviam estar a chatear as pessoas não para oferecer crédito, mas para propor bons juros em contas-poupança. Mas isto sou eu, , que nem sei fazer uma conta de dividir.