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Expresso

A Tempo e a Desmodo

Cara Triumph, devolva-me as mulheres

15.12.2011 às 8h00

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

Cara Triumph, começo esta missiva por dizer que sou um consumidor ávido dos seus produtos. Não, não tenho fetiches manhosos. Gosto apenas de fazer aquela cena típica: entrar na loja e dizer o seguinte à menina "olhe, procuro algo sexy para a minha mulher, que recomenda?". Ora, sucede que este humilde e pobre cliente está muito desiludido com a sua nova campanha. Já nem dá vontade de entrar nas lojas. As moçoilas que aparecem nos novos cartazes são, com certeza, ótimas moças e ótimas profissionais, mas têm um problema: não são mulheres, são meninas.

V. Exa. já foi servida por uma rainha felliniana (Isabel Figueira). V. Exa. já foi servida pela mui tuga, mui doce e mui roliça Cláudia Vieira. E, agora, um sujeito olha e fica a magicar com os seus botões: "quando é que a Triumph volta a ter mulheres a sério nos cartazes?". Os novos cartazes seriam bons para anunciar a nova temporada de "Ossos", mas não são bons para levar a malta a comprar lingerie. Sim, porque a lingerie serve para cobrir curvas, e não linhas rectas. E  algumas daquelas meninas dos novos cartazes parecem representações dum paralelepípedo, parecem aulas de geometria descritiva. Onde é que estão as curvas? Onde é que está a coxa carnal? Onde é que estão os quadris? Onde está o busto-que-desafia-Newton?

Por favor, cara Triumph, devolva-nos as mulheres. Essa coisa de usar adolescentes-nórdicas-sem-curvas-latinas é muito pão sem sal. Esta infantilização da mulher não tem piada. Esta deserotização da mulher-fêmea não tem graça. Ao contrário do que diz o cânone, a magreza não é bonita e muito menos sexy. E repare que nem sequer estou a pedir modelos XL, como estas. Estou apenas a pedir, sei lá, o regresso da rainha Isabel Figueira.