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Expresso

A Tempo e a Desmodo

"Avatar" e a pocilga de pipocas

As pessoas querem salvar o mundo, mas não conseguem salvar o metro quadrado onde vêem um filme.

Tecnicamente, "Avatar" é um Roger Rabbit em 3D: temos uma bonecada imensa a interagir com actores de carne e osso. Moralmente, o filme de Cameron é uma fábula ambiental. Aliás, a princesa Na'vi - a melhor personagem do filme - é uma Pocahontas que viu muitas vezes o minuto verde da Quercus. À saída do filme, os comentários não enganavam. É "uma mensagem ambiental", dizia uma senhora já entradota. Mas, curiosamente, os lugares ocupados por esta senhora e por uma horda de crianças tinham pouco de ambiental: pipocas pisadas, os plásticos dos óculos 3D no chão, e o cartão do balde de pipocas parecia que tinha sido mordido e cuspido por uma ninhada daqueles cães espaciais que aparecem no filme.

Aquela senhora, que foi incapaz de manter os lugares limpos, estava a dizer às crianças que o filme era uma mensagem ambiental. Até dá vontade de rir. E esta senhora era apenas o exemplo mais evidente. O cinema inteiro parecia um chiqueiro. As pessoas não respeitam os seus "vizinhos" num simples cinema, mas querem salvar o mundo.