A melhor notícia para Portugal?
31.10.2012 às 8h04
Um país onde toda a gente é proprietária de casa é uma barril de pólvora em câmara lenta. Porque as pessoas não são proprietárias de uma casa, mas de uma hipoteca. Pior ainda: o rastilho do barril pode sair das fronteiras e ficar nas mãos da estranja. É o caso de Portugal. A nossa dívida privada externa é muito superior à tal dívida soberana das troikas, porque o T2 de Odivelas ou Gaia foi comprado com dinheiro importado pelos nossos bancos. Por todos estes motivos, saber que 73,5% dos portugueses são proprietários de casa é uma coisa assustadora, mais assustadora do que a troika. Ao pé deste fantasma, a troika é o Gasparzinho, o outro.
Há dias, descobri uma coisa que alivia um pouco este cenário: segundo a Fitch, 45% dos portugueses já pagaram a casa ao banco (Dinheiro Vivo, 4 de Agosto). No meio destes receios em relação ao futuro, é bom saber que mais de metade dos proprietários já pagou a hipoteca ao banco. Torna o cenário menos dantesco. Mas será mesmo assim? A notícia é boa, sem dúvida, mas o reverso da medalha continua activo: com casa comprada num sítio, os portugueses ficam limitados geograficamente. No tempo da tal mobilidade, das auto-estradas, dos altares a Steve Jobs, os portugueses estão limitados à sua terra na procura de emprego.