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Cravos, discursos e ausências

Manuel Alegre e Mário Soares não foram. Os cravos dominavam na bancada do Governo. E Paulo de Carvalho cantou "E Depois do Adeus" no Parlamento

-Carlos Zorrinho, à saída do hemiciclo, explicitou o que queria dizer com a ameaça de rutura democrática de que falou na sua intervenção: o PS vota contra os diplomas que vão contra matérias consideradas essenciais, como sejam a escola pública. 

-Ramalho Eanes, na SIC Notícias, desvaloriza as ausências dizendo que "a liberdade também é isso". "Cada um toma as decisões que entende", afirmou.

-A primeira crítica à intervenção de Cavaco Silva veio pela voz de Jerónimo de Sousa. O líder comunista disse que o chefe do Estado "falou do cisco e escondeu o elefante". Referia-se ao facto de Cavaco ter preferido abordar o lado positivo do país em vez de se centrar no que está a correr mal. 

-À saída do hemiciclo de São Bento, Jorge Sampaio disse que "a liberdade permite que cada um tome as suas posições", ao ser questionado sobre o facto do seu antecessor na presidência da República, Mário Soares, não ter estado presente na cerimónia evocativa do 25 de abril na Assembleia da República. 

-Terminados os discursos, Assunção Esteves e Cavaco Silva, seguidos por Passos Coelho, dirigiram-se para as escadarias da Assembleia da República, onde ouviram o Grupo Coral Coop cantar a "Grandola Vila Morena". Zeca Afonso no Parlamento...

-Discurso de Cavaco Silva, com exemplos como a Via Verde ou os telemóveis, para puxar pelo lado positivo do país, gerou fortes burburinhos no hemiciclo. 

-Cavaco Silva diz que a sua intervenção e mensagem se centram na imagem e credibilidade de Portugal no estrangeiro. "Todos os portugueses e não apenas os agentes políticos têm o dever de mostrar ao mundo o valor do seu país."

-Depois de falar Assunção Esteves, a segunda figura da hierarquia nacional e a primeira mulher a ocupar o lugar de presidente da Assembleia da República, é a vez da intervenção mais aguardada da manhã: fala o Presidente da República, Cavaco Silva. Que fala sem um cravo na lapela. 

-Hélder Amaral, deputado do CDS, foi dos mais críticos para com as ausências nesta cerimónia. "O 25 de Abril tem autores mas não tem donos. Permite leituras mas não permite chantagens. Fez-se pela liberdade de todos e não para o pensamento único. Tem memórias mas não deve ter manipulações. Quem dá certificados para cada um de nós estar aqui é o povo soberano, não uma associação ou um político em especial". 

-O vice-presidente do PSD e deputado Pedro Pinto, iniciou a sua intervenção em nome do partido do alto da tribuna lembrando o "meu amigo Miguel Portas". O eurodeputado e fundador do BE morreu na véspera do 25 de abril. Pedro Pinto fez a primeira evocação de Miguel Portas na sessão de hoje na Assembleia da República. 

-Um dos momentos que mais agitou as bancadas de direita, com vários deputados a não resistirem mesmo a soltar alguns sorrisos, foi quando Carlos Zorrinho, durante o discurso, fez votos para que François Hollande saia vencedor da segunda volta das eleições presidenciais francesas, contra Nicolas Sarkozy. 

-Quando falou Carlos Zorrinho, em nome dos socialistas, sete deputados do CDS abandonaram a sala depois de o ouvirem dizer que "este é o primeiro governo da nossa história democrática que parece querer dispensar a memória de abril". 

-Depois dos Verdes e do Bloco, também do discurso do representante do PCP vieram fortes críticas à maioria. O deputado Agostinho Lopes atacou o que chamou de "talhantes neoliberais de todos os matizes" que cortam as gorduras mas também a carne. Múmurios de desagrado foram sentidos nas bancadas da maioria. 

-Cecília Honório, do Bloco de Esquerda, fez um forte ataque aos partidos no poder, dizendo que "a direita se alimenta de sentimentos sanguinários de vingança contra o Estado social". Da bancada do PSD vieram os protestos. Pelo contrário, alguns socialistas aplaudiram a intervenção da bloquista.

-Os cravos predominaram na bancada do Governo, com os ministros e secretários de Estado presentes a ostentarem o símbolo do 25 de Abril na lapela. Passos Coelho inclusivé. As excepções eram as governantes Teresa Morais e Assunção Cristas.

-A cerimónia do 25 de Abril começou com Paulo de Carvalho a cantar em acapella a canção "E Depois do Adeus", que foi utilizada como senha na revolta dos capitães. Paulo de Carvalho cantou na bancada dos embaixadores, que fica mesmo por cima da bancada de imprensa do hemiciclo de São Bento.

-As ausências de Mário Soares, antigo Presidente da República, e de Manuel Alegre, histórico socialista e conselheiro de Estado, foram das mais notadas na comemoração deste ano. Na tribunal de honra lá estavam, no entanto, os ex-chefes de Estado Ramalho Eanes e Jorge Sampaio.

-Numa altura de forte crispação social, e em que as divisões entre a CGTP e UGT têm sido mais fortes depois do acordo de concertação social conseguido, destaque para a presença lado a lado no hemiciclo de João Proença e Arménio Carlos.