24/05/2012 atualizado às 9:58
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Zeca

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
8:00 Quinta feira, 23 de fevereiro de 2012

José Afonso não era apenas um músico que emprestava o seu talento a causas em que acreditava. Não era uma estrela que se promovesse em participações esporádicas em cerimónias de solidariedade ocas. Não era apenas um dos mais talentosos músicos portugueses. Tão genial que fazia o que nenhum fizera sem ter um saber técnico especialmente apurado. Zeca Afonso era um militante, palavra que é hoje usada para insulto. Na sua generosidade, no seu empenhamento e no compromisso com as suas convicções. Sempre livre das tutelas de quem se julgasse dono das lutas dos outros, sempre preso ao dever de nelas participar.

Zeca Afonso era de um tempo em que a participação política se fazia por um imperativo ético. Era um compromisso de vida. Ao contrário de tantos outros da sua geração, esse empenhamento não foi um momento de excitação juvenil. Acompanhou-o até ao fim. Quando o engajamento político ainda se pagava caro (e ele pagou-o) e quando começava a ficar fora de moda. Foi sempre a todas, sem precisar de grandes palcos ou de holofotes. Onde estivesse a sua gente ele estaria. E a sua gente não era toda a gente. Nunca é para quem corre o risco de fazer escolhas.

Quase tudo o que Zeca Afonso fazia já não se usa. E é por não se usar que nos faz tanta falta. 25 anos depois, a sua ausência sente-se por sabemos que não nos faltaria nestes tempo de vampiros. Nunca nos faltou em todos os outros. Sorte a dos que tiveram um dos mais geniais músicos portugueses do seu lado de cada combate.

 

Palavras-chave  José Afonso, Blogues
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Um Homem não alinhado em sectarismos
águiadois (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 9:14 | Quinta feira, 23 de fevereiro
José Afonso foi um Homem não alinhado em sectarismos.Se hoje fosse vivo não faria parte de nenhuma capelinha em que se transformaram o PCP, o Bloco de Louçã ou outras sucursais.
 
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    Re: Um Homem não alinhado em sectarismos    Ver comentário
marcol (seguir utilizador), 1 ponto , 11:51 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Os dirigentes comunistas mentiram ao POVO    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 15:32 | Quinta feira, 23 de fevereiro
Tempos
moncarapacho (seguir utilizador), 2 pontos , 8:46 | Quinta feira, 23 de fevereiro
Viveu a mais rica época da sociedade portuguesa. Tudo se discutia, o idealismo e as convicções a tudo se sobrepunham .

Morreu novo. Se fosse vivo seria um velho triste com a destino da nação, com o egoísmo actual, com as ideologias na gaveta e cada um a tentar juntar um "pote" maior.

Nunca quis saber de riquezas e comodidades para nada, passou anos com uma mala na mão e aterrava onde calhava.

Artisticamente, o maior "baladista" de sempre....
 
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AS APARENCIAS QUASE SEMPRE ENGANAM
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 9:59 | Quinta feira, 23 de fevereiro
Pouco conheço deste músico. Não tenho qualquer disco. Sempre que o escutei foi pelas rádios portuguesas. Trata-se de alguém com reconhecida obra feita e pelos vistos merecedor de um enorme reconhecimento público. Parto do principio e aceito que seja totalmente merecido. Personifica o que se designou por “cantor de intervenção”. Apesar da minha ignorância acerca da personagem reconheço que deve ter sido alguém genuíno. As suas letras sempre criticaram a injustiça, as desigualdades, a opressão. Tudo situações que são património de todos e não só de alguns. Dizem-me que era comunista mas é de salientar que as suas letras encaixam em qualquer contexto repressivo seja ele de esquerda ou direita. Estou certo que muitas das suas canções seriam muito oportunas e actuais em regimes repressivos como Cuba ou Bielorrússia. Pelo pouco que pode hoje apurar foi alguém cujas musicas ajudaram a criar a liberdade e o pluralismo da actual sociedade portuguesa. Só por isso merece o nosso respeito e, só por isso as suas canções são de todos.
 
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    Re: AS APARENCIAS QUASE SEMPRE ENGANAM    Ver comentário
A.S.Duarte (seguir utilizador), 1 ponto , 14:25 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: NUNCA PERDERÃO ACTUALIDADE    Ver comentário
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 14:59 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: NUNCA PERDERÃO ACTUALIDADE    Ver comentário
Runaldinho (seguir utilizador), 2 pontos , 17:30 | Quinta feira, 23 de fevereiro
DO
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:27 | Quinta feira, 23 de fevereiro
Se Zeca Afonso ressuscitasse hoje corava de vergonha pela democracia de interesse instalada no país, e mais pelos que apoiavam a sua ideologia.
 
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    Re: DO    Ver comentário
Troca-os todos. (seguir utilizador), 1 ponto , 18:54 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: DO    Ver comentário
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 20:29 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: DO    Ver comentário
Troca-os todos. (seguir utilizador), 1 ponto , 10:58 | Sexta feira, 24 de fevereiro
Zeca
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 11:56 | Quinta feira, 23 de fevereiro
Era só para te dizer que eles voltaram e a censura veio com eles. Ainda há dias o Jornalista Rosa Mendes da RDP foi silenciado, mas não é o único. Continuam a comer tudo, mas agora ainda muito mais. Já não se contentam com encher a barriga, também enchem o alforge. Todos os conhecem, mas ninguém faz nada.

"-Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.] "

Guerra Junqueiro, in 'Pátria (1896)'

http://www.youtube.com/wa...

http://www.youtube.com/wa...
 
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    O Rosa Mendes é malcriado    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 16:55 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Esta não está no you tube, mas está nos Jornais    Ver comentário
Runaldinho (seguir utilizador), 2 pontos , 17:25 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: Zeca    Ver comentário
papa quase tudo (seguir utilizador), 1 ponto , 14:01 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: Zeca    Ver comentário
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 14:35 | Quinta feira, 23 de fevereiro
OS VAMPIROS CONTINUAM POR AÍ ...
CENSURADO SARL (seguir utilizador), 2 pontos , 11:59 | Quinta feira, 23 de fevereiro
E as canções de Zeca ... cada vez mais actuais ...
 
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Zeca
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:22 | Quinta feira, 23 de fevereiro
Ó Zeca se não tivesses partido terias um grande desgosto hoje em dia. O tempo voltou para trás. A censura voltou e continuam a comer tudo. Já dizem por aí que a União Nacional está de volta.

"Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

Guerra Junqueiro, in 'Pátria (1896)'
 
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O heroi do despertar de muitos portugueses...
papa quase tudo (seguir utilizador), 1 ponto , 9:27 | Quinta feira, 23 de fevereiro
No dia 26/04/1974, andava eu no 3º ano do curso geral dos liceus, estavamos numa aula de matemática, eis que irrompem pela sala a dentro dois rapazes, estudantes do mesmo liceu, pediram autorização ao professor e passaram a letra do Grandola para o quadro preto, para a aprender quem quisesse, disseram também que tinha terminado o fascismo. Assim nasceu o meu heroi ´Zeca Afonso.
 
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muito parecido mas nada igual
Maxx (seguir utilizador), 1 ponto , 11:13 | Quinta feira, 23 de fevereiro
Ele bem que cantou e muitos celebraram... E trinta e oito anos depois já só não tem é o nome... só a prática mesmo... disfarçada de socialismo...
 
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A coragem de professar as suas próprias ideias.
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 11:23 | Quinta feira, 23 de fevereiro

Eu prefiro professar o dito: "E' melhor vivermos um dia como leão que um dia como avelha".

E não me curvo diante da prepotência, diante das injustiças e por isso pago e pago caro.

Se os partidários italianos da segunda guerra mundial, que deram a sua vida a bem do meu País, foram torturados e mortos, pudessem ver o que se passa na sociedade de hoje, virar-se-iam e revirar-se-iam nos caixões. Eles entregaram o meu País nas mãos de corruptos, de ladrões, de pessoas sem escrúpulos, de gentinha que ocupa lugares mui elevados só por próprios interesses pessoais.

Que porcaria!

E' necessário dizer que a corrupção não existe somente no centro mas também na periferia e disso deixa-se sempre de falar.

                                                  Antonio

                     
 
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    Re: A coragem de professar ... Um vs cento.    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 12:04 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: A coragem de professar ... Um vs cento.    Ver comentário
papa quase tudo (seguir utilizador), 1 ponto , 15:10 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: A coragem de professar ... Um vs cento.    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 16:33 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: A coragem de professar ... Um vs cento.    Ver comentário
papa quase tudo (seguir utilizador), 1 ponto , 17:05 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: A coragem de professar ... Um vs cento.    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 18:19 | Quinta feira, 23 de fevereiro
Zeca para mim...
jvlv (seguir utilizador), 1 ponto , 12:22 | Quinta feira, 23 de fevereiro
Não conheci Zeca Afonso, pessoalmente. A geografia e a pertença a escalão etário diferente, assim, o "quiseram". Contudo, confesso que, num país onde os exemplos de dignidade, coerência, coragem, solidariedade e espirito de luta pela democracia se contam pelos dedos, o exemplo de Zeca é único e, por isso, inestimável.
Zeca, ao que julgo saber, era facilmente abordável, mas directo e frontal no seu relacionamento e nas escolhas que fazia, olhando sempre para um horizonte de dificil e complexa partilha. Tal não impediu, porém, de ser acompanhado à sua última morada por mais de 30.000 pessoas.
Da sua luta pela democracia e do valor das acções e intervenções que fêz, antes e depois do 25A, falarão os especialistas e os que melhor o conheceram.
Para mim, Zeca, foi aquele que conseguiu passar a quente, através das suas canções e voz, únicas, não apenas novas ideias e formas de agir, mas, sobretudo, as emoções de um espirito profundamente humano e solidário que apelava à luta contínua, à desobediência inteligente, à mudança de mentalidades, ao fim das desigualdades e injustiças históricas que haviam conduzido o país e o povo à inanidade intelectual, cultural social e politica, tornando-os reféns de uma subordinação e subserviência atrozes, deslocadas no tempo.
Hoje em dia, pelo que de grave, descontrolado, lesivo e imparável se está a passar no país, sobretudo para os mais desprotegidos e pobres, seria bom que os portugueses repensassem as mensagens de Zeca Afonso.
 
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Zeca é único.
nonsequitur (seguir utilizador), 1 ponto , 13:01 | Quinta feira, 23 de fevereiro
Por favor não coloquem Zeca Afonso em nenhum alinhamento que não seja o de lutar pela justiça e pela verdade.
E muito menos se aproveitem dele os que esforçadamente conduziram a esquerda portuguesa de caixão para a cova, pela sua arrogância e incapacidade de ir a todas sem olhar às conveniências ou ganhos político-partidários.
Zeca ia a todas, não era sectário, era generoso.
O grande partido da esquerda (e os vários pequenos efémeros derivados) foram tudo menos isso. Fechados e incapazes de pensar, evoluir para agir, gerem o seu isolamento como refúgio de quem sabe que deixou a História para trás.

Zeca (e outros do mesmo tempo, ainda vivos) ilustram bem um dos aspectos mais significativos e negativos dos 40 anos deste regime: a incapacidade de gerar novos Zecas, Mários Brancos, Natálias Correia ou Alexandre O'Neil, Adrianos Oliveiras ou Mários Viegas: fazem falta vozes que, agora que se pode falar e cantar e escrever sem grilhetas ou truques, apontem, comentem ou denunciem com talento, frontalidade ou graça o que vai mal neste regime que, embora democrático, não cresceu bem...
25 anos sem Zeca lembra-nos que Zeca, para o bem e para o mal, foi e é único, o que nos deixa com o sabor amargo do que de positivo mas também negativo isto significa.
 
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Na idade média
BartolomeuLanca (seguir utilizador), 1 ponto , 18:32 | Sexta feira, 24 de fevereiro
....também era assim. Dizia-se às pessoas que certas coisas eram necessárias para conter uma ira desconhecida - hoje DO chama-lhe vampiros.

Zeca Afonso foi importante, num determinado ambiente e época, tal como os U2 também foram.

Zeca fazia falta hoje? Para deleite das pessoas que o amaram enquanto viveu, sim. Para os outros só se for para alegrar 300 mil (segundo alguns especialista em manifs) portugueses que acreditam numa força invisível que os impede de crescer.
 
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