O porta-voz do PS, Vitalino Canas, acusou hoje o PSD de ter uma visão sectária e partidária do cargo de Provedor de Justiça e de estar a tentar pressionar os socialistas a aceitarem um nome próximo dos sociais-democratas.
Vitalino Canas manifesta também a sua surpresa com a notícia de que o actual provedor, Nascimento Rodrigues, está a pensar abandonar o cargo, considerando que ela sugere uma articulação entre o Provedor e o Partido Social-Democrata.
"O PSD tem manifestamente uma visão partidária deste cargo e uma visão quase monopolista, uma vez que o PSD nos últimos 19 anos sempre o ocupou e pretende continuar a ocupar, pelos vistos", disse o porta-voz do Partido Socialista.
"E assistimos agora também, com alguma surpresa, ao anúncio nos jornais por parte do Provedor de Justiça (...)de que poderia estar a pensar abandonar o cargo. A ser verdade, parece-nos haver aqui uma articulação muito estranha entre o titular de um cargo que devia ser independente e uma estratégia do PSD de pressão sobre o PS", acrescentou.
Questionado sobre se o anúncio de Nascimento Rodrigues poderia ser reflexo do mal-estar provocado pela reacção do PS à entrevista que deu à Visão, o porta-voz do PS considerou que "a reacção às palavras do senhor Provedor era inevitável, porque fez acusações graves ao PS, afirmações que não abonam da isenção e da neutralidade do cargo e que se inserem numa estratégia que parece articulada com o PSD".
Vitalino Canas sublinha que o PS "não está disponível para se submeter a essa pressão ou para aceitar a partidarização do cargo", nem "para estar indefinidamente à procura de nomes, particularmente quando nomes como o do Professor Jorge Miranda são rejeitados" pelo PSD.
"Não vemos como será possível encontrar na sociedade portuguesa um nome melhor que o do Professor Jorge Miranda", disse, acrescentando que se trata de alguém "particularmente insuspeito e que toda a gente conhece como uma pessoa isenta".