O ministro da Defesa, Augusto Santos Silva considerou hoje que "não merece nenhum crédito" a informação sobre alegadas críticas de membros do Governo ao jornalista Mário Crespo numa conversa privada.
"Ouvi alguém querer fazer um texto com base no que supõe serem informações que lhe tenham sido transmitidas acerca de conversas privadas, tidas em restaurantes, e eu acho isso absolutamente inacreditável", referiu Santos Silva.
Direito à privacidade das comunicações
"Não sei como se consegue fazer informação a partir de intromissão em
conversas privadas, seja de quem for. Evidentemente, não merece nenhum crédito. As fontes não são conhecidas", sublinhou, à margem de uma visita a um exercício militar na Covilhã.
Para o ministro que já teve a tutela da comunicação social, "todos temos direito à privacidade das nossas comunicações".
"De uma coisa podem os senhores jornalistas estar seguros: enquanto político eu nunca me interessarei por conversas que jornalistas tenham numa mesa perto de mim, num restaurante onde possa estar", acrescentou.
"Calhandrices", diz Santos Silva
Contatada pela Lusa sobre o caso, fonte do ministério dos Assuntos Parlamentares disse na segunda-feira que "o governo não se ocupa de casos fabricados com base em calhandrices".
Hoje, Santos Silva reafirmou aquele termo, considerando que é "a expressão certa" para qualificar a situação.
A habitual coluna de Mário Crespo no JN, que não saiu na edição de segunda feira, mas foi publicada no site do Instituto Sá Carneiro, acusava membros do governo de terem falado depreciativamente sobre ele durante um almoço realizado em Lisboa.
O jornalista anunciou que vai cessar a sua colaboração com o jornal, tendo o Jornal de Notícias declarado que não publicou o texto por este não estar conforme com as suas regras, nomeadamente as de recolha de informação, de comprovação dos factos e de audição dos visados.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico