24/05/2012 atualizado às 9:37

Vídeo: Quando as vítimas são eles

São alvo de coacção, injúrias, chantagem, agressões físicas e, até mesmo, sexuais. O número de homens a fazer queixa por violência doméstica não pára de aumentar.

Paula Cosme Pinto
9:05 Sábado, 23 de maio de 2009

"A partir do dia em que acordei com uma faca no pescoço só pensava em sair de casa. Fui ficando por causa dos miúdos, mas não aguentei". Já passou um ano desde que Luís (nome fictício) decidiu ir embora, mas os longos meses de discussões, agressões e até mesmo ameaças de morte continuam na memória. O que começou por ser uma história de amor terminou como "um pesadelo de ciúmes obsessivos", onde a violência doméstica tinha um rosto dominante feminino. As agressões nunca foram retribuídas "porque todos sabemos que um homem não pode bater numa mulher".

Se tivesse apresentado queixa da companheira, Luís, 32 anos, faria hoje parte do total das mais de seis mil vítimas de sexo masculino que em 2008 denunciaram às autoridades casos de violência doméstica. Realidade que não pára de crescer: Em 2007, 1722 homens apresentaram queixa à PSP, sendo que em 2008 o número subiu em flecha para 4631. Já à GNR, foram feitas 1431 denúncias no ano passado, enquanto que a Polícia Judiciária registou 10 tentativas de homicídio cujo autor era a esposa ou companheira. Três delas resultaram em mortes.

Nos registos da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), a subida de casos repete-se, com quase 600 homens a pedirem ajuda em 2008. "Sempre existiram casos destes, mas a garantia de confidencialidade e maior visibilidade dos serviços ajudam a dar o passo", explica Helena Sampaio, técnica na APAV. O primeiro contacto das vítimas do sexo masculino é quase sempre por telefone: "São geralmente alvo de vitimação continuada e, quando todas tentativas de pôr fim a bem não resultam, decidem quebrar o silêncio e minimizar a dor".

A vergonha, essa está sempre associada e Luís sabe-o bem. "A maior vergonha era não conseguir controlar a situação e perpetuá-la, mesmo depois de todas as coisas que ela me fazia". Por isso mesmo nunca pediu ajuda, nem mesmo à família. "Era um assunto que nos dizia respeito apenas a nós. Sempre associei a violência doméstica a agressões físicas, a mulheres espancadas e com os olhos negros como se vê na televisão. Até há bem pouco tempo não percebia que também eu fui uma vítima".

Hematomas de alma não se vêem


Luís nunca ficou com marcas físicas, mas as psicológicas fazem-se notar nos mais de dois maços de cigarros que fuma diariamente, hábito que ganhou nos meses de maior stress. "Este tipo de violência consegue ter efeitos mais nefastos do que a física", garante a técnica da APAV. "É mais difícil ser provada, logo é mais complicado a vítima decidir fazer a denuncia". Opção que "pesa ainda mais" quando há crianças envolvidas.

"Na fase em que ela agarrava em facas e se plantava à porta de casa para eu não sair, cheguei a temer pela segurança dos meus filhos. Mas ela nunca foi violenta com eles, era como se tivesse dupla personalidade", lembra Luís, pai de duas crianças com 5 e 8 anos. "Quando lhe disse que ia embora ameaçou que fugia e que nunca mais os via". Actualmente, Luís vê os filhos só aos fins-de-semana, mas não se arrepende: "Fiz o melhor para todos. Eles continuam a ver-me, mas sem discussões".

Coação, injúrias, ameaça, difamação, agressão física e até mesmo sexual. Pela APAV passam anualmente centenas de casos graves com vítimas do sexo masculino. "Há a tendência de abordar este tema apenas na perspectiva da mulher e esquecem-se dos outros grupos como crianças, idosos e os homens", diz Helena Sampaio, que sublinha: "A violência doméstica não se resume às relações conjugais e no caso dos homens, o agressor nem sempre é uma mulher".

Das 678 vítimas de sexo masculino registadas pela APAV em 2008, 183 foram agredidos pelas companheiras, mas há também pais agredidos pelos filhos, crianças agredidas pelos progenitores, violência entre irmãos, agressões em relações homossexuais. Em todas as situações, "o importante é pensar em medidas de afastamento do agressor", salienta a técnica da associação.

Contudo, é aqui que o homem se encontra mais desprotegido, uma vez que ainda não há abrigos pensados para eles. "A lei protege o homem e a mulher de igual forma, mas quando não há provas palpáveis todo o processo ganha um carácter mais subjectivo", conclui Helena Sampaio.

O "factor autonomia" acaba por ter um papel preponderante na recuperação dos homens, que "conseguem despir o papel de vítima mais facilmente", diz a APAV. Já as mazelas, essas ficam durante muito tempo mesmo quando a vida se torna a recompor: "Transformei-me numa pessoa desconfiada. Acho que nunca mais vou voltar a confiar numa mulher a cem por cento".

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Quando as vitimas são eles
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:06 | Sábado, 23 de maio de 2009
Com a ilusão de que a mulher foi feita da costela do Adão dizem uns, mas outros sustentam a tese de que o gato comeu a costela e o Criador zangado cortou o rabo ao gato e daí fez a mulher. Se foi de uma maneira ou de outra não pareceu convencer Darwin na altura. Uma coisa é certa quem manda embora custe muito a aceitar a alguns, foi sempre a mulher. Temos demasiados exemplos na Historia que provam de mais esse facto. Porque a força muscular é superior no homem tirou na brutidade temporária vantagem de tal facto. No entanto a sagacidade deste Ser que parece ser verdade ter saído do rabo do gato, com tempo e paciência sempre soube levar a àgua ao seu moinho e dar a volta à questão do poder. Com as liberdades e os direitos introduzidos nos últimos tempos estava-se mesmo a ver quem íam ser as vitimas. Desta forma não nos podemos admirar ao ouvir as mães com filhos varões a lamentarem o facto de terem tido rapazes. Elas lá sabem porquê.
 
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Mudam-se os tempos...
dedalo11 (seguir utilizador), 1 ponto , 9:35 | Sábado, 23 de maio de 2009
Historicamente, os homens sempre consideraram as mulheres como propriedade própria e a "factura-recibo" era o contrato de casamento. Aliás, ainda hoje, o dia do casamento, em muitos casos, parece que faz mal aos relacionamentos. Parece ser um acto de tomada de posse. Que algumas mulheres sempre bateram nos homens, ou lhes atazanaram a cabeça com tortura psicológica, que os levou a acabarem por as agredir, isso também se sabe. Na última década, tanto quanto se consegue apurar pelas estatísticas, que até são fornecidas pela UMAR (associação para defesa das mulheres), as queixas dos homens são cada vez mais frequentes. Ou começaram a perder a vergonha, ou em alguns casos, procuram motivos que os ajudem, judicialmente a obter os divórcios... Mas deve ser sempre muito difícil a um homem ir à PSP queixar-se de que apanha da mulher. Os agentes o que fazem é desatar a rir...
 
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Custa-me aceitar, mas....
Bairrada Vigilante (seguir utilizador), 1 ponto , 9:40 | Sábado, 23 de maio de 2009

Custa-me aceitar que isto esteja a acontecer.

Tenho alguma dificuldade em perceber como é possível.

Dos meus Pais recebi muitos ensinamentos que me ajudaram imenso em todas as etapas da vida.

Um deles passava pela obrigatoriedade de respeitar SEMPRE o mais fraco fisicamente, quer fosse uma criança, um velho, uma mulher, um doente, um deficiente, etc.

Indiscutível, como é óbvio.

A uma mulher só se deverá "bater" com uma flor, dizia-se, é bonito e cai bem.

Agora o que se está a passar, bem, para não dizer mais, mais entendo como é possível....
 
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O FEITIÇO CONTRA O FEITICEIRO!
riaformosa (seguir utilizador), 1 ponto , 9:59 | Sábado, 23 de maio de 2009
E o tradicional Rolo da Massa,continua a ser de madeira,duro pra diabos.
São consequências do mundo moderno em que as Fêmeas começam a devolver uns trocos!
Aguenta Luis.....senão acabas ridicularizado,por grande parte da sociedade!
 
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O efeito até os loucos reconhecem:
roze (seguir utilizador), 1 ponto , 10:41 | Sábado, 23 de maio de 2009
preocupo-me mais com as causas, sempre aprendo algo!
 
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Já tive....
Kikas_o_je (seguir utilizador), 1 ponto , 11:37 | Sábado, 23 de maio de 2009
.... o desprazer de assistir a uma cena de agressão em que a Sra. ataca o marido com um martelo....foi triste e degradante, estragou-me uns dias de férias...., ocorreu num parque de campismo.

As relações humanas são complexas, neste caso que refiro julgo que asssisti a um desequilibrio mental ou algo do estilo, contudo parece que a Sra. teria alguns "motivos", na opinião dela, eu acho que não há motivos que justifiquem uma agressão física....

Resumindo é triste mas ocorem...., acho que a prevenção é ensinar os nossos filhos e filhas a não suportarem nem tolerarem situações destas, mas o problema é que temos que cresça nestas condições. Não sei, o assunto é muito complexo!
 
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Sebastião como tudo, tudo, tudo...
Malekas (seguir utilizador), 1 ponto , 12:09 | Sábado, 23 de maio de 2009
Pois é. Sinais dos tempos. Ainda faltará muito para as pessoas entenderem e viverem uma relação a dois sem manias do tipo "quem manda" e "quem obedece" ?
Nunca tive qq. dúvidas sobre situações deste tipo.
Não são tão mediatizadas nem divulgadas por manifesta vergonha dos agredidos.
 
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Problema base
Jovanoti (seguir utilizador), 1 ponto , 13:26 | Sábado, 23 de maio de 2009
nas relações, sejam elas quais forem, é a falta de respeito mutuo, e a falta do factor mais importante que o amor: a amizade conjugal.
Depois, claro, cenas tristes, quer da parte deles como da parte delas....
 
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Não se enganem...
lekarska (seguir utilizador), 1 ponto , 15:01 | Sábado, 23 de maio de 2009
Mesmo sendo um caso que tem vindo a aumentar nos últimos anos, não quer dizer que em percentagem seja maior o número de "homens que sofrem de violência doméstica" (sob qualquer forma) que o número de "mulheres que sofrem violência doméstica"... Atenção, por estarem a aumentar os casos, não devemos esquecer que ainda há muitas mulheres que sofrem violência doméstica e que não são reportados ás autoridades, porque é algo que acontece, inicialmente esporadicamente e por fim com uma regularidade bastante elevada. Não, os "tempos *não* mudaram" pelo menos não o suficiente. É um crime violência sobre os homens, como sobre as mulheres. Mas por favor não se deixem enganar. Mais artigos sensibilizadores para este tipo de situações, talvez fizessem algum sentido... Se não estivesse em causa somente a "violência sobre os homens".
 
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A violência não tem género
Luís, Oeiras (seguir utilizador), 1 ponto , 19:54 | Sábado, 23 de maio de 2009
Há homens que agridem as mulheres por tradição. Há outros, porém, que bem conscienciosos mas sem possibilidade de deixar o lar são levados à agressão para se defenderem de uma assédio psicológico que lhes destroi a mente e a vida. Há mulheres que odeiam homens e que tudo fazem para provarem que estes são incapazes e absolutamente supérfluos. Não estou a dizer que o género masculino é que é a verdadeira vítima, mas sim que é bom que compreendamos que o problema não está neste ou naquele sexo. Conheço famílias totalmente baseadas no sistema de matriarcado em que as mulheres, desde a avó à neta, são todas divorciadas, só se casaram para procriar. E que, se por acaso tiveram filhos homens, exerceram sobre eles uma pressão tão grande que acabaram por os fazer temer as mulheres. Em geral, nessas famílias, a matriarca manipula as coisas por forma a que as filhas se divorciem e ganhem também ódio aos homens. O que acontece é que, na verdade, essa matriarca é adepta da ideia do princípe encantado e odeia qualquer homem que não esteja à altura desse ideal feérico - isto é, todos.
 
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Eles são vitimas deles
PeterTM (seguir utilizador), 1 ponto , 0:51 | Domingo, 24 de maio de 2009
Curioso que nas estatisticas eles são vitimas deles.
Embora não se fale disso, os casais homossexuais são mais violentos entre si que os hetero. Mais ciumentos ao que consta.
 
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