Martim Torres, de sete anos, aguardava com expetativa a chegada do submarino Tridente, que hoje de manhã atravessou o rio Tejo em direção à base naval do Alfeite.
Filho de um elemento da esquadrilha de submarinos da Marinha, Martim dirigiu-se com os pais e a irmã de 13 anos ao cais fluvial de Cacilhas, em Almada, para ver passar o Tridente.
O primeiro dos dois submarinos comprados por Portugal à Alemanha foi recebido numa pequena cerimónia, no Alfeite, cerca das 11:00.
"Gosto de ver os submarinos a chegar, porque são giros", comentou a criança.
Família militar
O entusiasmo era partilhado pela mãe, Lurdes, que explicou que o tema dos submarinos e a Marinha gera grande curiosidade - "é um bichinho", disse -, já que os Torres são como "uma família militar".
Durante a manhã cerca de uma dezena de curiosos, munidos de máquinas fotográficas com grandes objetivas ou de binóculos, a que se juntaram alguns trabalhadores e passageiros dos barcos e dos autocarros e transeuntes, concentrando-se à beira Tejo a assistir às manobras do submarino.
O Tridente passou sob a ponte 25 de Abril pouco antes das 10:00 e aproximou-se depois das instalações da Marinha, junto ao Terreiro do Paço, em Lisboa, antes de realizar uma curva larga em direção à margem sul do rio.
João Cruz, reformado da indústria naval e petrolífera com 63 anos, considera que o Tridente marca "a continuação" destes equipamentos no país, que classifica de "essenciais para o país".
"Mais valia para a Marinha"
A chegada dos dois equipamentos da Alemanha é aplaudida pelo antigo trabalhador que participou na reparação dos submarinos portugueses, que acredita que, ainda assim, "são poucos", tendo em vista "o alargamento provável da zona económica exclusiva" portuguesa.
O oficial da Marinha na reserva José Manuel Jordão, 53 anos, estava "curioso" para ver o Tridente "ao vivo" e a navegar no Tejo, depois de estar habituado a ver o submarino em fotos.
Para o antigo submarinista, o Tridente é "uma mais valia para a Marinha e para o país na área da Defesa" e representa "a tecnologia de ponta" nesta área, colocando Portugal "ao nível do que há de mais moderno em termos de arma submarina".
Alguns dos curiosos que hoje de manhã assistiam à passagem do Tridente mostravam-se mais céticos quanto à necessidade deste equipamento.
"Os milhões que não vão para aí", comentava uma mulher aos seus colegas, enquanto outro afirmava: "Agora prepara-te para o aumento dos impostos para pagar aquilo".
João Silva, um desempregado de 56 anos, mostrava-se indignado: "É uma vergonha", repetia.
"O Paulo Portas [ministro da Defesa aquando da encomenda dos submarinos] devia era dar o dinheiro a quem precisa, em vez de andar aí a cortar nas reformas da velhice", criticou, questionando qual a vantagem destes equipamentos para o país: "Só se for para guardar as tainhas no Tejo", ironizava.