As autoridades marroquinas montaram um hospital de campanha junto do Paquete Funchal para socorrer os portugueses acidentados em Ceuta, disse hoje um português a bordo do cruzeiro, que faz duras críticas à assistência dada por Marrocos.
"Foi montado um hospital de campanha para dar assistência aos feridos. Neste momento, três horas depois do acidente, é que estão a chegar ambulâncias para levar feridos para o hospital", relatou à Agência Lusa Fernando Santos, que criticou o apoio dado pelas autoridades marroquinas.
"As autoridades não responderam de imediato e não há palavras para descrever o que aconteceu. Foi nota zero. É inadmissível o que foi feito. Faltou de tudo do lado marroquino", sublinhou.
O português viajava no autocarro que seguia atrás do que se despistou e causou a morte a sete portugueses.
Momentos "surreais"
"Ia no autocarro atrás do acidentado, cheguei ao local do acidente passados alguns segundos", disse o português, relatando que se seguiram momentos "surreais".
"Não havia ambulâncias. As pessoas, incluindo os feridos, foram transportadas de volta para o paquete nos autocarros. Foi um mau serviço das autoridades marroquinas", relatou.
Depois, foi montado o hospital de campanha e, pelas 11h00 (hora portuguesa), ainda estavam a chegar ambulâncias ao hospital de campanha para transportar os feridos para o hospital.
Dentro do Paquete Funchal viajam alguns espanhóis e ingleses, mas a grande maioria dos passageiros são portugueses.
O Paquete Funchal partiu no dia 5 e deveria chegar na sexta feira a Lisboa.
Hoje, os passageiros do Paquete Funchal iam fazer uma viagem a Ceuta quando um dos quatro autocarros onde seguiam se despistou, causando sete mortos e oito feridos.