24/05/2012 atualizado às 1:52
Página Inicial » Blogues » Blogues Economia » Utilidade marginal » Transportes públicos: alguém fez as contas?

Transportes públicos: alguém fez as contas?

João Silvestre (www.expresso.pt)
17:14 Segunda feira, 20 de fevereiro de 2012

Álvaro Santos Pereira é economista e certamente conhece bem o conceito de maximização da receita. Não basta subir os preços para ter mais dinheiro em caixa. Se os preços sobem muito, os consumidores fogem e a empresa pode até ganhar menos. Tudo depende da reação da procura ao novo preço e esta varia em função de diversos fatores, como o rendimento das famílias ou a concorrência.

Em economês, a 'sensibilidade' dos consumidores aos preços é conhecida como elasticidade e mede a variação percentual da quantidade procurada face a uma variação de 1% do respetivo preço. Quando uma empresa qualquer, pública ou privada, decide mexer nos preços tem de ter em conta esta questão. Se a elasticidade é igual a 1 significa que a procura varia exatamente na mesma proporção do preço. Nesse caso, a receita não se altera. Por exemplo, vender um pão a 100 euros ou dois a 50 euros cada um proporcionam exatamente o mesmo encaixe. Mas, se a elasticidade é superior a um, uma subida dos preços traduz numa quebra proporcionalmente maior das vendas o que, na prática, origina uma quebra na receita.   

Vem esta questão a propósito da subida dos preços dos transportes públicos (15% em média em agosto e mais 5% já este ano) e da quebra de passageiros no último ano. Segundo os dados compilados pelo Expresso na edição do último sábado, as principais oito empresas de transportes públicos perderam 23 milhões de viagens num ano. Só a CP perdeu 11 milhões, seguida Carris (7,5 milhões), do Metro de Lisboa (2 milhões) e Transportes Coletivos do Porto (1,5 milhões) e Transtejo (1,1 milhões). Das oito empresas, apenas duas (Metro do Porto e Metro Sul do Tejo) não tiveram quebras de procura.

Saltando destes números para o último relatório trimestral do sector empresarial do Estado, publicado sexta-feira passada pela Direção-Geral do Tesouro e Finanças, temos o reverso da medalha. Algumas destas empresas tiveram pior desempenho na segunda metade do ano passado, uma fase em que já contaram com maiores tarifas de transporte, do que no primeiro semestre. CP e Metro de Lisboa são dois casos flagrantes mas até o Metro do Porto, que teve mais passageiros, viu os resultados operacionais piorarem.  

Estes dados levantam uma questão preocupante: será que alguém fez as contas para perceber se o aumento das tarifas se traduzirá mesmo num acréscimo de receita? Com os números disponíveis não é possível determinar com precisão este efeito mas parece haver alguns indícios de que a estratégia de aumentar preços, ainda mais em tempo de crise, é arriscada.

A escolha do transporte é individual. Depende das alternativas disponíveis e dos seus custos relativos para os passageiros. Se os transportes públicos se tornam demasiado caros, é natural que muitas pessoas optem pelo carro (em grupo ou isoladas), que passem a andar a pé em alguns trajetos mais curtos ou que deixem mesmo de se deslocar com tanta frequência (os reformados, por exemplo). A isto, junta-se o desemprego que faz com milhares de portugueses não necessitem de se deslocar diariamente.  

A análise superficial destas questões pode criar dois problemas. O primeiro é andar a aumentar tarifas sem resultado, agravando as contas das empresas e penalizando a situação financeira das famílias. Em teoria, até pode ser mais rentável baixar preços, compensando as empresas com outras fontes de financiamento.

O segundo problema é ter uma política de transportes disfuncional, com incentivos errados. Esta situação é particularmente relevante nas grandes cidades onde há grandes movimentações diárias de pessoas e onde 'pequenos ajustamentos' se podem traduzir em alterações substanciais nos comportamentos.

Como já por diversas vezes sublinhou o presidente da Câmara de Lisboa, a política de transportes deve ser estudada de forma integrada e devem ser analisadas diferentes formas possíveis de financiamentos destas empresas, que inclusive já existem em outras cidades, como é o caso da introdução de portagens à entrada das cidades ou a utilização das receitas do estacionamento.  

Ninguém tem dúvidas de que as empresas públicas de transportes têm problemas sérios. A começar na dívida, que foi acumulada ao longo de anos e que tem que ser resolvida. Além disso, é imperativo garantir que as operações são rentáveis e, com a duplicação de serviços que existem em muitos casos, isso é quase impossível sem reestruturar as empresas. O plano estratégico dos transportes dá algumas pistas nesse sentido, como fusões e melhor articulação entre serviços, mas, para já, nada ainda foi concretizado.

Uma política de transportes é mais do que simplesmente subir ou descer tarifas. O objetivo do governo é garantir que as empresas deixam de ter défices de exploração no final deste ano. É uma meta importante. Mas a elasticidade e a crise não se controlam por decreto e nem sempre as coisas correm como se pretende.   

Faça login pelo Facebook e comente este artigo!
Página 1 de 2    « Anterior  |  Seguinte »
ordenar por:
mais votados ▼
As neocontas de economês
CM84 (seguir utilizador), 5 pontos (Bem Escrito), 14:29 | Terça feira, 21 de fevereiro
Constato como pululam - após a explosão - os descobridores da pólvora. Ao debruçarem-se sobre as contas, esquecem-se de olhar para trás: será que alguém fez contas nos últimos 20 anos (era para considerar 10, mas receei pôr o Cavaco de parte)?

Claro que o autor (sob o aplauso de muitos), como é da tradição, propõe que… talvez… até fosse mais rentável baixar os preços, compensado com “outras fontes de financiamento…”

Ora como a “fonte” do costume: endividamento, não é possível, resta a fonte de onde tudo se extraía e que secou: nós

E propor meter dinheiro em cima dos problemas, é bitaite ao alcance de bitaiteiro ignorante, escusando-se o esforço de guru economês

Talvez… talvez mesmo, só reste o aumento de tarifas, com a consequente quebra de utilização. E talvez… talvez fazendo contas, se reduza o consumo, manutenção e se possa reduzir os custos de exploração. Tal como numa greve, as empresas de transportes em que o utente pagou antecipadamente, acabam por beneficiar.

As empresas de transportes estão falidas. O único accionista está falido. Os utentes estão falidos. Que fazer?

Pois bem, como solução, o Expresso paga para que se escrevinhem propostas de mais do mesmo. Eu, como leitor e, consequentemente, tratado como debiloide, devia aplaudir pela profundidade da tese. Não o faço, porque entendo a dificuldade em fazer contas, baseadas na inviabilidade… provocada por décadas de ausência de contas

Feitas contas, seriam de fechar… como não é possível…
 
 Regras da comunidade
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 4 pontos , 16:39 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:55 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 3 pontos , 0:23 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 11:30 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 13:37 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 14:10 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 16:36 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
ocehcap (seguir utilizador), 1 ponto , 9:57 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
Troca-os todos. (seguir utilizador), 3 pontos , 13:10 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:32 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
Troca-os todos. (seguir utilizador), 1 ponto , 14:47 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 15:40 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
Troca-os todos. (seguir utilizador), 1 ponto , 16:49 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:27 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
Joao Cannpos (seguir utilizador), 1 ponto , 17:15 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 17:42 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
oreivaivestido (seguir utilizador), 1 ponto , 19:39 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 21:53 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
Monroe (seguir utilizador), 2 pontos , 12:22 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:42 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
Monroe (seguir utilizador), 2 pontos , 13:02 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:15 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
Monroe (seguir utilizador), 2 pontos , 13:59 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 14:23 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
Monroe (seguir utilizador), 2 pontos , 15:47 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:17 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
Monroe (seguir utilizador), 2 pontos , 16:29 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
oreivaivestido (seguir utilizador), 1 ponto , 23:34 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
oreivaivestido (seguir utilizador), 1 ponto , 23:37 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
alf19565 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:40 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Alógica da batata    Ver comentário
Antóniocidadão (seguir utilizador), 1 ponto , 20:41 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    a economia da treta    Ver comentário
Antóniocidadão (seguir utilizador), 1 ponto , 20:50 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: a economia da treta    Ver comentário
Goodwaves (seguir utilizador), 2 pontos , 1:45 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: a economia da treta    Ver comentário
Antóniocidadão (seguir utilizador), 1 ponto , 5:03 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: a economia da treta    Ver comentário
Goodwaves (seguir utilizador), 2 pontos , 19:14 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: a economia da treta    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 11:33 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: a economia da treta    Ver comentário
Antóniocidadão (seguir utilizador), 1 ponto , 12:13 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: a economia da treta    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:56 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: a economia da treta    Ver comentário
Antóniocidadão (seguir utilizador), 1 ponto , 3:50 | Sexta feira, 24 de fevereiro
    Re: a economia da treta    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 11:48 | Sexta feira, 24 de fevereiro
    Re: a economia da treta    Ver comentário
Antóniocidadão (seguir utilizador), 1 ponto , 12:25 | Sexta feira, 24 de fevereiro
    Re: As neocontas de economês    Ver comentário
ocehcap (seguir utilizador), 1 ponto , 9:59 | Quinta feira, 23 de fevereiro
MAS AS EMPRESAS DE...
88dabulota (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 18:50 | Segunda feira, 20 de fevereiro
Mas as empresas de transportes públicos q operam na grande lisboa e são privadas, n servem tão bem como as outras? Se servem, e isso ninguém tem dúvidas, porque razão não privatizar todos os transportes públicos incluindo o metro e cp. De certeza que trabalhavam muito melhor e n levariam muito mais caro, à semelhança de outros países da UE. Se temos tanta coisa com leis muito semelhantes, como o futebol, o código da estrada etc etc , porque raio de razões devemos ser TÃO diferentes noutras áreas , só pq os nossos políticos n gostam ou não lhes convém. Vem isto a prepósito a disparidade q temos n nossa ASSEMBLEIA DA REPUBLICA ,em que elegemos mais do dobro de deputados q a Holanda.É como se num jogo de futebol , nos jogássemos com 23 jogadores e os holandeses jogassem com 11 jogadores. A isto se chama ANTIJOGO, pq os nossos políticos ficaram DONOS DO NOSSO país.Este exemplo pode ser trasvazado para todas a áreas da administração pública.Os nossos políticos não são só cidadãos de Portugal, são DONOS da coutada q eles transformaram o país. Vejam e comparem as mordomias q os nossos deputados tem e as q os Ingleses dispõem.
 
 Regras da comunidade
    Factos    Ver comentário
George Rupp (seguir utilizador), 3 pontos , 11:52 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Sim: vamos aos factos... factos    Ver comentário
Spitzer (seguir utilizador), 2 pontos , 9:36 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: Sim: vamos aos factos... factos    Ver comentário
George Rupp (seguir utilizador), 2 pontos , 12:12 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Factos?? no país dos tudólogos?    Ver comentário
Spitzer (seguir utilizador), 2 pontos , 9:38 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: MAS AS EMPRESAS DE...    Ver comentário
BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 1:17 | Terça feira, 21 de fevereiro
Sumidades!
Palorca (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 18:52 | Segunda feira, 20 de fevereiro
São todos sumidades das finanças e da economia!
Pelos vistos nem a teoria sabem aplicar,ou se sabem,não fizeram o trabalho de explicar à troika a asneira,e as consequencias!
Em suma de asneira em asneira,do dizer que é exigencia da troika ,à arrogância de dizer que se foi para além das exigencias da dita cuja,o cidadão já está FARTO!
Porque continua a não haver MORAL para exigir tamanhos sacrificios,continuam a haver Portugueses de 1ª e de 2ª,as excepções já são tantas que qualquer dia são a regra,e já se houvem as sumidades do costume a dizer que com poucas mordomias o campo de recrutamento se torna dificil!Vê-se a competência pelos resultados!Tristeza,para este País o problema são esta classe de PULITICUS que ao longo dos anos conduziram esta democracia a uma ditadura partidária e à promoção da incompetencia!Atá quando?
 
 Regras da comunidade
Abusos....
Tucano (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 9:12 | Terça feira, 21 de fevereiro
Quando na carris até têm direito ao corte de cabelo......por exemplo, é por estas e por outras que as empresas de transportes estão falidas, quem tudo quer tudo perde, é para onde os sindicatos levam os trabalhadores e respectivas empresas.......Falência!!!! É só ver os exemplos desde 1975!!!
 
 Regras da comunidade
    Re: Abusos....    Ver comentário
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 2 pontos , 12:08 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: Abusos....    Ver comentário
Tucano (seguir utilizador), 1 ponto , 12:14 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: Abusos....    Ver comentário
Tucano (seguir utilizador), 1 ponto , 12:19 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: Abusos....    Ver comentário
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 2 pontos , 12:40 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: Abusos....    Ver comentário
sergiotorres (seguir utilizador), 1 ponto , 22:01 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: Abusos....    Ver comentário
Tucano (seguir utilizador), 1 ponto , 8:48 | Quarta feira, 22 de fevereiro
Bem...
DuarteSilva.S (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 2:01 | Terça feira, 21 de fevereiro
Os serviços públicos, tais como a saúde, o ensino, os serviços postais, as comunicações e os transportes, deviam ser estatizados.
A sua entrega a empresas privadas só prejudica os utentes, em benefício dos tubarões habituais.
 
 Regras da comunidade
    Re: Bem...    Ver comentário
userEX129226 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:01 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: Bem...    Ver comentário
DuarteSilva.S (seguir utilizador), 1 ponto , 16:06 | Terça feira, 21 de fevereiro
O ministro Álvaro explica-se
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 2 pontos , 8:52 | Terça feira, 21 de fevereiro
http://goo.gl/3VVjh
 
 Regras da comunidade
'Transportes públicos: alguém fez as contas?
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 16:21 | Terça feira, 21 de fevereiro
Este é talvez o textos mais inteligente que li no Expresso on-line nos últimos tempos. Tem havido muitas peças de qualidade, informativas, mas poucas tenho visto que coloquem as perguntas certas, com boa fundamentação. "Fizeram as contas?". Bem perguntado.

No domingo, foi notíca os prejuízos extensos que as empresas públicas de transportes tiveram, muito acima do esperado, onde se esperava quase por decreto, melhorias operacionais. O clamor contra os "gestores" foi unânime, mas como podem ver num comentário meu...

http://aeiou.expresso.pt/... p=view#4158824

... a culpabilização destes não me convenceu. Estava errado. O aumento das tarifas é um acto de gestão (do meu ponto de vista) e o que o João Silvestre nos está a lembrar é que é os aumentos verificados podem ter reduzido os proventos operacionais, através da redução da procura. Mas quem decidiu esses aumentos? Qum fez as contas? Como é que todos os gestores decidiram emburrar de um ano para o outro?

E aqui surge o facto que consegue explicar parte da unanimidade dos prejuízos: os preços são decididos políticamente... normalmente mais baixos do que as empresas quereriam, mas desta vez com importantes incrementos para maximizar a receita, sendo esse o objectivo principal. E sendo esse o objectivo, o falhanço também se extende a quem decidiu estes preços. Quem fez as contas? É arrepiante que quem o fez, não conhecesse a elasticidade em Portugal.
 
 Regras da comunidade
    Re: 'Transportes públicos: alguém fez as contas?    Ver comentário
loiss (seguir utilizador), 1 ponto , 2:53 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: 'Transportes públicos: alguém fez as contas?    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 9:08 | Quinta feira, 23 de fevereiro
alguém fez as contas?
Runaldinho (seguir utilizador), 2 pontos , 17:02 | Terça feira, 21 de fevereiro
Esta crónica de João Silvestre olhando à primeira vista, não passe de uma miscelânea de números, q apenas nos dá uma visão parcial ainda que correcta, daquilo q se passa no sector dos transportes. Portanto e em suma, diz-me tudo por um lado e não me diz absolutamente nada pelo outro.
Se olharmos para o passado das empresas públicas de transportes q servem os grandes centros urbanos, temos de analisar vários aspectos para percebermos como chegamos até aqui. Há várias premissas a ter em conta. Numa primeira fase, no PREC, estas empresas, entretanto nacionalizadas e agrupadas entre si, tornaram- se grandes "monopólios", ex: a Rodoviária Nacional, hoje já desaparecida, com uma forte componente sindical e de mobilização social. As empresas de transporte foram sempre máquinas muito poderosas utilizadas para pararem o país em períodos de forte conflitualidade social. O Poder político para contornar esse problema, fragmentou-as até onde pode tecnicamente, com intuito puro e simples de lhes diminuir a sua força sindical. Isso resolve um problema acrescentando-lhe outro. Com a segmentação do sector em várias vertentes, por ex: a CP está dividida em 4 empresas, criaram-se Conselhos de Administração uns atrás de outros, proliferando nesses cargos, gente que não percebe nada do assunto, mas vai adicionando para si mesmo e sem controlo de nenhuma entidade que as fiscalize, mordomias várias por via directa ou indirecta sem saber se no final a sustentabilidade dessas medidas “cabe no ...
 
 Regras da comunidade
    alguém fez as contas? (cont.)    Ver comentário
Runaldinho (seguir utilizador), 2 pontos , 17:04 | Terça feira, 21 de fevereiro
    alguém fez as contas? (cont. III)    Ver comentário
Runaldinho (seguir utilizador), 2 pontos , 17:06 | Terça feira, 21 de fevereiro
    Re: alguém fez as contas?    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 11:48 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: alguém fez as contas?    Ver comentário
Runaldinho (seguir utilizador), 2 pontos , 12:01 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: alguém fez as contas?    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 16:17 | Quarta feira, 22 de fevereiro
Maximizar rendas de monopólio
Spitzer (seguir utilizador), 2 pontos , 9:28 | Quarta feira, 22 de fevereiro
Em economês, esses cálculo da «elasticidade» e da maximização da receita faz-se para calcular a «renda de monopólio», o que é mais um simptôma de que «o mercado, nos transportes, não funciona» e que as empresas de transporte devem ser reguladas.

O comportamento monopolista é inaceitável. Uma vez que um mercado em «concorrência perfeita» (mais economês» não é realista no sector dos transportes, então o Estado deve intervir para «imitar» o efeito (preço e oferta) de um hipotético «mercado em concorrência perfeita».

Há duas maneiras para o Estado intervir no sector dos transportes: nacionalização e regulamentação. Uma vez que as opções ideológicas do país são avessas à ideia de «empresas públicas» e visam a privatização de tudo e mais alguma coisa, então o Estado que REGULE as empresas que operam em condições de monopólio ou «quase monopólio». É o caso dos transportes.. é o caso das comunicações e da energia... e é para isso que existem ENTIDADES REGULADORAS com chorudos tachos para os boys dos partidos. Mas que fazem essas entidades reguladoras?

O que este artigo sugere, a maximização da renda de monopólio, é algo que deveria ser proibido; e foi proibido durante muitos anos nos países civilizados (mas não em Portugal). Sinal dos tempos.. e sinal do analfabetismo «economês» e político de um povo que não faz ideia de para onde vai.
 
 Regras da comunidade
    Re: Maximizar rendas de monopólio    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 20:19 | Quarta feira, 22 de fevereiro
!
Desiludido... (seguir utilizador), 2 pontos , 21:49 | Quarta feira, 22 de fevereiro
Alguma vez se fez contas a alguma coisa no que respeita a empresas públicas? O que é preciso é meter lá os amigos a ganhar ordenados chorudos sem qualquer controlo. Clero que quando ficam completamenet falidas, como estão agora, carrega-se nos impostos dos cidadãos e os gestores vão para outras empresas fazer mais do mesmo, porque têm as costas quentes do Poder. Dar prémios para se trabalhar? Só neste País "socialistas" com laivos comunistas. Deveria era ser tudo privatizado e acabar com os sindicatos. O Estado daria subsídios em função do serviço prestado, mas este deveria ser controlado por um empresário privado. Só assim se conseguem produtividades rasoáveis e não com esta bandalheira que tem existido Claro que eu e muitos como eu só tenho a perder. A maior carga de impostos de sempre e de vez em quando a ser prejudicado com as greves comunistas por tudo e por nada.
 
 Regras da comunidade
Obvio que ninguem quer pagar mais por algo pior
CDMN1 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:14 | Terça feira, 21 de fevereiro
Logica da batata do governo--->

Utentes; O serviço está pior e ficou mais caro, vou passar a ir de carro
Génios do governo: Não ta a dar dinheiro portanto reduz o serviço e aumenta o preço!!! Lucro garantido!
restantes Utentes: Ficou ainda pior e ainda mais caro, passo a ir de carro também.

e o ciclo repete e repete.... é claro que é insustentável assim se o governo arruína os transportes de propósito.

Não faz sentido se o meu produto/serviço não vende e dá prejuízo então aumentar o preço e oferecer um produto pior!

O metro de lisboa por exemplo, está a ficar ridículo, um preço injustificável e sempre a aumentar e o serviço a ficar cada vez pior.
Demorei mais tempo a percorrer 10 estações de Metro do que a fazer o percurso Setúbal-Lisboa de autocarro.
 
 Regras da comunidade
Re: Transportes públicos: alguém fez as contas?
gfpias (seguir utilizador), 1 ponto , 13:21 | Terça feira, 21 de fevereiro
antes me diziam que portugues é burro e eu não acreditava...
 
 Regras da comunidade
    Re: Transportes públicos: alguém fez as contas?    Ver comentário
Joao Cannpos (seguir utilizador), 1 ponto , 17:19 | Terça feira, 21 de fevereiro
Incentivar o uso de transportes públicos
userEX97365 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:13 | Terça feira, 21 de fevereiro
... através da criação de incentivos que estimule os empregadores a comparticiparem as despesas do Passe-social, com vantagens para a empresa e o trabalhador; exemplo em Espanha, Brasil.
 
 Regras da comunidade
Excelente artigo, apenas um erro e uma omissão.
oreivaivestido (seguir utilizador), 1 ponto , 17:35 | Terça feira, 21 de fevereiro
Excelente artigo, apenas não concordo com a parte que diz qualquer coisa "talvez arranjar outra forma de financiamento".

Se reduzir os preços aumenta de forma desproporcional as receitas sem aumentar os custos, nesse caso baixe-se os preços. Ponto final.

Outras contas que é importante fazer é quanto ao ganho geral do país face à redução de poluição, importações de petróleo, estacionamento, etc. Não tenho problemas em que as empresas de transporte tenham prejuízo se isso causar "lucro" para o país. É para isso mesmo que existe o estado. Mas isto não significa que possam dar infinitos prejuízos independentemente dos ganhos que tragam ao país.

http://oreivaivestido.blo...
 
 Regras da comunidade
    Re: Excelente artigo, apenas um erro e uma omissão    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 23:50 | Terça feira, 21 de fevereiro
Fazer as contas!!!!!!????????
Prima facie (seguir utilizador), 1 ponto , 18:06 | Terça feira, 21 de fevereiro
Há muita conversa por aí que passa por opinião, mas que não possui qualquer fundamento. O articulista pergunta bem:
Alguém fez as contas, antes e depois dos recentes aumentos? Se fez, quais são elas?
É isto e só isto que me interessa para poder fazer um juízo minimamente fundamentado.
 
 Regras da comunidade
    Re: Fazer as contas!!!!!!????????    Ver comentário
CDMN1 (seguir utilizador), 1 ponto , 8:25 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: Fazer as contas!!!!!!????????    Ver comentário
Spitzer (seguir utilizador), 2 pontos , 9:40 | Quarta feira, 22 de fevereiro
    Re: Fazer as contas!!!!!!????????    Ver comentário
loiss (seguir utilizador), 1 ponto , 2:50 | Quinta feira, 23 de fevereiro
    Re: Fazer as contas!!!!!!????????    Ver comentário
CDMN1 (seguir utilizador), 1 ponto , 9:40 | Quinta feira, 23 de fevereiro
Página 1 de 2    « Anterior  |  Seguinte »
PUB
 
Email
O Expresso no
Arquivo
PUB




A Europa anda a brincar com o fogo
14:35 Terça feira, 22 de maio de 2012, 5
A filosofia de Passos Coelho, segundo os Monty Python
13:30 Terça feira, 15 de maio de 2012, 12
O Euromilhões é pior que a dívida grega
15:50 Sexta feira, 11 de maio de 2012, 11
A missão (quase) impossível de Vitor Gaspar
14:37 Segunda feira, 7 de maio de 2012, 7
My name is Bond, Eurobond
16:57 Quinta feira, 19 de abril de 2012, 21
Truques para esconder o défice debaixo do tapete
17:35 Terça feira, 17 de abril de 2012, 6
Truques para comprar bilhetes de concertos a metade do preço
12:38 Segunda feira, 9 de abril de 2012, 3
O governo tem um problema de credibilidade
19:38 Quinta feira, 5 de abril de 2012, 22
Isto não é ajudar os jovens!
17:27 Sexta feira, 30 de março de 2012, 10
Leia aqui toda a informação das últimas 24 horas | últimos 2 dias |  anterior »
MBA
IAB