Ao contrário do que a direita pretende ver assumido como uma verdade inquestionável, a nossa actual lei fundamental, não é socialista, nem de esquerda. A Constituição de 1975, que contou com o voto do PSD, foi um documento fundamental para o progresso e desenvolvimento da sociedade portuguesa. Consagrou direitos e promoveu conceitos que, estando longe de ser politicamente inocentes, deram fundamento jurídico ao Portugal de Abril. Depois, alterações e alterações promovidas por PS e PSD, vieram a descaracterizar o seu enunciado politico original.
Hoje, o que temos, é um texto progressista armadilhado com algumas palavras que possam significar a tese e antítese. Veja-se, por exemplo, a questão do "tendencialmente gratuito". Outros pontos constitucionais continuam a não ser cumpridos, não porque sejam quiméricos, mas porque não tem havido interesse político. Veja-se, por exemplo, o caso do Direito à Habitação.
Contudo é preciso que se escreva, que qualquer alteração tem uma motivação política e ideológica. O documento constitucional de um país não pode ser um texto inóquo e vago. Ao contrário do que a entourage de Passos Coelho pretende deixar no ar, as suas propostas não são ingénuas e despidas de ideologia. Mesmo na expressão mais inócua, como "razões atendíveis", deve ser vista uma cartada política.
Se assim não for, aceitem lá a proposta contida na entrada deste texto.