A austeridade quando chega é para todos. Mesmo para as bruxas.
Na Roménia, a superstição é levada muito a sério -- ou não fosse a terra de Drácula. Diz-se que mesmo o presidente e outros ministros vestem púrpura em certos dias para se proteger de feitiços.
Justamente, o presidente terá vencido as eleições graças à ajuda de poderes sobrenaturais. Mas a gratidão depressa se gasta, e agora o governo romeno acaba de fazer aprovar uma lei que, pela primeira vez, reconhece oficialmente as profissões de feiticeiro, bruxa, etc.
Parece uma coisa boa. Mas o objectivo da lei é cobrar impostos. Dezasseis por cento, um número aziago. As bruxas ficaram furiosas.
Cães mortos, e pior
Bratara Buzea, uma bruxa que esteve presa durante o tempo de Ceausescu (o qual tinha o seu próprio feiticeiro, consta), anunciou que vai deitar uma maldição aos políticos.
Nós não ganhamos quase nada, dizem elas e as suas colegas. Como podem querer cobrar-nos impostos? E de facto, com consultas a sete euros e sem passar recibo -- apesar do que diz a lei, muita gente deve sentir embaraço em pedi-lo, até para não admitir que lá esteve -- quanto espera o governo receber?
Em todo o caso, as bruxas vão agir. Um grupo delas prepara-se para lançar uma grande ação de protesto à sua maneira. Caca, cães mortos, e outros ingredientes tradicionais, já estarão a ser reunidos.
Indemnizar quando os milagres não acontecem
Não é só a alteração fiscal que desagrada aos mestres e mestras do sobrenatural. Também a planeada estipulação legal de as bruxas terem de indemnizar os clientes quando os feitiços falham -- ou seja, quando as promessas de milagres se revelarem falsas.
Que culpa temos nós se os clientes nos mentem?, argumentam. Muitas vezes eles não dizem o seu verdadeiro nome, ou dão informação falsa, por exemplo sobre a data de nascimento.
Uma coisa é certa. Se a moda pegar -- e as dificuldades orçamentais dos estados podem bem levar a isso -- qualquer dia mesmo santuários tradicionais e respeitáveis podem ter problemas. Fiem-se na Virgem...