A cerimónia de receção oficial do submarino Tridente vai ter lugar hoje no Alfeite, com a presença do ministro da Defesa, do secretário de Estado do setor e do chefe do Estado Maior da Armada (CEMA).
Segundo o programa divulgado pelo ministério da Defesa, a cerimónia inicia-se com o içar da bandeira nacional no submarino e com o descerramento da placa, tendo lugar depois um 'briefing' sobre as capacidades do equipamento e intervenções do ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, e do CEMA, almirante Melo Gomes.
Em seguida, o ministro da Defesa termina a inauguração da esquadrilha de submarinos com uma visita ao novo submarino da Armada.
Antes do início do programa oficial, está prevista uma visita dos órgãos de comunicação social ao submarino Tridente.
Arpão junta-se a Tridente em 2011
O Tridente, o primeiro de dois submarinos comprados à Alemanha, chegou à Base Naval de Lisboa, no Alfeite, a 2 de agosto, tendo sido recebido numa pequena cerimónia com o CEMA, de acordo com a "tradição naval".
Com uma guarnição de 33 militares, o novo submarino pesa mais de duas mil toneladas (em imersão), tem quase 68 metros de comprimento e uma autonomia de 12 mil milhas, para além de vários sensores e um sistema de armas composto por mísseis de longo alcance mar-mar e mar-terra, torpedos de longo alcance, minas e armamento ligeiro para proteção própria quando a navegar à superfície.
A Armada conta que o segundo submarino adquirido por Portugal, o Arpão, chegue a Portugal durante o primeiro trimestre de 2011.
Tridente vai "pesar" no OE
Num negócio que globalmente ascende os mil milhões de euros, o preço base dos dois submarinos era inicialmente de 769.324.800 euros, de acordo com os anexos 14 e 15 do contrato de aquisição, a que a agência Lusa teve acesso.
No entanto, o contrato assinado recebeu o visto do Tribunal de Contas a 25 de agosto de 2004 e só entrou em vigor a 24 de setembro de 2010, o que, com as penalizações, fixou o preço em 874 milhões de euros.
Segundo o ministro Augusto Santos Silva, o Estado vai começar a pagar o primeiro submarino ao consórcio bancário (que tem pago ao fornecedor) após a receção provisória do segundo, que a Marinha conta receber durante o primeiro trimestre de 2011.
Entretanto, a 7 de julho deste ano, o ministro das Finanças disse no Parlamento que a entrega do Tridente vai "pesar" nos consumos intermédios do Orçamento do Estado de 2010: entre 0,25 a 0,3 por cento, num PIB de 170.388 mil milhões de euros.
Contrapartidas no DCIAP
O processo de renovação da capacidade submarina, que a Armada considera essencial, tem sido atribulado, estando o Governo português (através da Comissão Permanente de Contrapartidas) e a Ferrostaal a renegociar o contrato de contrapartidas, que o embaixador Pedro Catarino (presidente da CPC) considerou que "só por milagre" se cumprirá dentro do prazo e que o ministro da Defesa, Santos Silva, já disse querer rapidamente revisto.
Atualmente, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) tem em mãos dois processos relacionados com os submarinos: o caso do contrato das contrapartidas, em que foi deduzida acusação contra 10 arguidos (sete portugueses e três alemães), ainda em fase de instrução, e um outro processo para se "apurar eventuais ilícitos de corrupção também relacionados com submarinos".