O primeiro-ministro José Sócrates, um dos 35.000 participantes na 19ª Mini Maratona de Lisboa, admitiu hoje que ao correr na prova perdeu "algumas calorias como num debate mensal" na Assembleia da República.
Depois de concluir os 7.200 metros da prova aberta, José Sócrates referiu que a participação na mini maratona é um excelente "remédio para aliviar o stress da política", mas ressalvou "que não é apenas isso", acrescentando que correr na competição "é uma belíssima forma de começar o dia".
José Sócrates, presença habitual na corrida que leva os concorrentes a atravessar a Ponte 25 de Abril, admitiu que não está "em grande forma" e afirmou que não realizou qualquer preparação para a mini maratona, embora tenha observado que "para correr sete quilómetros não é preciso grande treino".
"Nem sempre treino aquilo que gostaria e que deveria. Mas, há 15 dias, tive quatro dias em que consegui correr. A semana passada só consegui correr em Cabo Verde", declarou o primeiro-ministro, indiferente ao tempo que registou: "Julgo que 50 e tal minutos!".
O governante salientou que não corre "para bater o recorde anterior ou para fazer um grande tempo", mas "para partilhar este espírito de grande alegria de toda a gente, dos milhares e milhares de pessoas que fazem esta corrida todos os anos".
"É uma corrida em que se vê Lisboa de uma forma única, no início da Primavera, em que há uma grande alegria e uma comunhão de vontade de correr, de vida saudável. Corro, fundamentalmente, por isso", sublinhou José Sócrates.
Questionado sobre o facto de o elevado número de inscritos não reflectir a crise, o primeiro-ministro acentuou: "Quantas mais pessoas participarem, mais pessoas terão oportunidade de partilhar este espírito e também vontade de se porem em forma".
Cumprimentado por muitos populares após ter cortado a meta, o chefe do Governo português disse que "não foi muito diferente" a sua participação na edição deste ano da mini maratona de Lisboa com "tudo aquilo que são as manifestações das pessoas".
"Algumas aplaudem, outras criticam. Venho participar como toda a gente. Já participava antes. Não faço isto com outro tipo de objectivo que não seja fazer aquilo que gosto de fazer. Antes de ser primeiro-ministro fazia. E não vejo nenhuma razão para não participar e sujeitar-me a tudo aquilo que são as manifestações das pessoas", notou.
O primeiro-ministro, que salientou o facto de ter partido "atrás", o que o levou a "começar a correr uns minutos depois" da partida na Praça da Portagem da Ponte 25 de Abril, em Almada, adiantou: "Acho que as pessoas são naturalmente simpáticas porque partilham comigo, com mais uma pessoa que está na maratona, o espírito de alegria que caracteriza estas corridas e o povo português é muito simpático e amável".