José Sócrates fez hoje, ao início da tarde, uma defesa do papel central do Estado na sociedade, seja na sua vertente de Estado social, seja na intervenção económica em defesa do "interesse nacional".
O secretário-geral do PS falava no encerramento das jornadas parlamentares do seu partido, e foi de encontro ao tema que dominou os dois dias de trabalho: a defesa do Estado social, que os socialistas dizem estar ameaçado pelas propostas "neoliberais" do PSD.
"Não contem comigo nem com o PS para pôr o neoliberalismo na Constituição", afirmou José Sócrates, depois de passar em revista as principais linhas do que já se conhece das pretensões do PSD para a revisão constitucional.
O líder socialista retomou o discurso feito uma hora antes por Augusto Santos Silva e criticou um texto publicado ontem por Pedro Passos Coelho no jornal "i". Daí, José Sócrates retirou que a insistência do PSD na revisão da Constituição se dirige aos "artigos sobre o Estado Social, na educação e na saúde", acabando com a sua universalidade e gratuitidade.
Educação e Saúde intocáveis
José Sócrates lançou-se na defesa do papel do Estado, como prestador, em ambos os sectores, considerando que "o sistema público de educação é central para o desenvolvimento do país", e que "o sistema público de saúde é o sistema onde se concentram os valores mais importantes das sociedades democráticas".
Conclusão do líder socialista: o que Passos Coelho quer é "um ajuste de contas com a História, com o Estado social e o Estado providência." Nesta visão do papel central do Estado, sobretudo nestes períodos de profunda crise, José Sócrates encaixou também o que se passou na semana passada com a Portugal Telecom e o recurso à golden share.
"Este último episódio da PT é bem revelador do que está em cima da mesa", disse, lembrando que "o Estado votou contra porque teve em conta interesse nacional, porque não se envergonha de defender o interesse geral."
Em vésperas da decisão da justiça europeia sobre o futuro das acções especiais do Estado português na PT, Sócrates voltou a disparar contra Bruxelas.
"Não posso estar de acordo com aqueles que na Europa acham que o importante, a prioridade europeia, é agora andarmos atrás dos direitos especiais que cada Estado tem nas companhias de informação e comunicação ou na área da energia, para perseguir esses Estado accionistas que estão lá apenas para defender o interesse geral. Não considero isso certo nem uma grande prioridade europeia."