Grupos de Direitos Humanos como o Observatório Sírio dos Direitos do Homem (OSDH) atualizou para 217 mortos e centenas de feridos o números de vítimas dos tiros de morteiros disparados na cidade de Homs, no centro da Síria, noticia a AFP.
Imagens das cadeias televisivas árabes de informação Al-Arabiya e Al-Jazeera mostram dezenas de corpos sem vida no solo.
O regime sírio afirmou hoje que a morte de
civis em Homs foi perpetrada por homens armados, revelou a agência oficial Sana.
"Os civis que os canais de televisão mostraram são cidadãos que foram sequestrados e mortos por homens armados", acrescenta a agência.
Os 15 países do Conselho de Segurança da ONU devem votar hoje um projeto de resolução que condena a repressão do regime de Bashar al-Assad. A reunião tem início marcado para as 9h em Nova Iorque (14h em Lisboa).
Rússia: "O projeto não nos convém nada"
O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, declarou que submeter hoje, ao Conselho de Segurança, o projeto de resolução sobre a Síria apoiado pelos ocidentais, provocaria um "escândalo".
"O projeto não nos convém nada", declarou Lavrov numa entrevista à televisão russa Rossia, adiantando que "se (os Estados Unidos) ainda querem um escândalo no Conselho de Segurança, não se pode dete-los". Lavrov sublinhou que enviou à secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, as alterações desejadas por Moscovo.
"Não há qualquer razão para ninguém duvidar da boa fundamentação e da objetividade das alterações. Espero que a razão triunfe sobre a avaliação tendenciosa", referiu. "Espero que (o projeto) não seja submetido a votação", disse.
Transição de poderes posta de lado
Apesar de 10 meses de violência, dos quais resultaram mais de 6.000 mortos, segundo militantes da oposição síria, o Conselho foi incapaz até agora de adotar uma resolução sobre a Síria. Um texto precedente foi bloqueado em outubro último por um veto russo e chinês.
Segundo diplomatas, os 15 países vão pronunciar-se sobre um texto concluído na quinta-feira e que "apoia plenamente" as decisões tomadas pela Liga Árabe em janeiro para assegurar uma transição para a democracia na Síria.
Mas, os pormenores da transição, em particular a transferência de poderes do presidente sírio, Bachar al-Assad, para o vice-presidente, foram deixados de lado para não contrariar Moscovo.
Protestos em Washington e Londres
Dezenas de pessoas protestaram hoje em frente da embaixada da Síria em Washington contra a repressão aplicada pelas autoridades policiais do país e que nas últimas horas provocaram a morte a, pelo menos, 217 pessoas.
A poucas horas de uma nova reunião do Conselho de Segurança para discutir uma Resolução sobre a situação no país, confrontos entre a polícia e manifestantes em várias cidades sírias provocaram mais de duas centenas de mortos.
Além de Washington, também em Londres cinco pessoas foram detidas depois de invadirem a embaixada da Síria para protestarem contra as mortes no país.