Os dados avançados, hoje, no Parlamento pelo secretário de Estado da Administração Pública sobre a saída de cerca de 20 mil funcionários dos quadros da Administração Pública "são uma realidade", diz Nobre dos Santos da Fesap, a organização sindical dos trabalhadores do Estado afecta à UGT. A verdade, porém, é que a novidade "não é muito positiva, porque significa que estamos a desnatar a Administração Pública", conclui.
Bettencourt Picanço, do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, concorda. "Esta é uma má notícia para a Administração Pública e para o País", afirma ao Expresso, considerando que a sistemática saída de funcionários - a que se junta o congelamento das admissões - "reflecte-se nos serviços prestados à população". Para Picanço é na Saúde e na Segurança Social que os efeitos da redução de pessoal se faz sentir mais, "com natural perda da qualidade dos serviços prestados".
Ana Avoila, da FNSFP, acrecenta o "caos em que muitos serviços estão a funcionar". Para a dirigente da federação "não se pode pedir um serviço público de qualidade com estas condições de trabalho e sem esta quantidade de trabalhadores".
A greve geral, marcada pela CGTP para dia 22 de Março conta com mais este motivo para a adesão dos sindicatos. No entanto, só mesmo a FNSFP, afecta à CGTP adere à convocatória. Nobre dos Santos segue a indicação da UGT, de não adesão a nova greve geral, apenas quatro meses depois da última. Bettencourt Picanço, por seu lado, diz que o seu sindicato "iniciou um processo negocial com o Governo, pelo que não faria qualquer sentido fazer uma greve durante este período".