Jorge Silva Carvalho está a ser ouvido pelos deputados da Comissão Parlamentar de Direitos Liberdades e Garantias à porta fechada, a pedido do próprio.
O ex-dirigente do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED)
chegou ao Parlamento acompanhado de dois advogados - um deles o ex-ministro e ex-dirigente do PSD Nuno Morais Sarmento - e confirmou de viva voz que pretendia falar aos deputados sem a presença de jornalistas. O presidente da I Comissão, Fernando Negrão, já tinha reconhecido, no arranque da audição, que esta envolvia "segredo de Estado", o que "obriga todos a algum recato".
A decisão de Silva Carvalho já era esperada, tendo em conta a delicadeza que envolve todas as questões dos serviços secretos, mas sobretudo o melindre das suspeitas em torno do ex-diretor do SIED, na sequência das várias notícias publicadas desde julho pelo Expresso. Em causa está o alegado fornecimento de informações de Silva Carvalho à Ongoing, empresa que o contratou quando se demitiu do SIED, e de alegados atos de "espionagem" ao ex-jornalista do Público e atual diretor de informação adjunto da agência Lusa, Nuno Simas, e ao empresário madeirense Humberto Jardim.
O facto de estarem a decorrer vários inquéritos e de serem assuntos que envolvem segredo de Estado leva a que vários deputados da I Comissão tenham muito poucas expetativas sobre os esclarecimentos que possam ser prestados por Jorge Silva Carvalho.
Em cima da mesa está a possibilidade de o Parlamento voltar a ouvir Marques Júnior, o responsável pela fiscalização das secretas, e Júlio Pereira, secretário-geral dos Serviços de Informação da República Portuguesa.