As forças políticas à esquerda do PS
"são hoje carregadores do andor onde vai a direita política portuguesa", considerou Augusto Santos Silva, falando esta manhã nas jornadas parlamentares do seu partido, que decorrem na Assembleia da República. "Não devemos ter nenhuma dúvida sobre isso", insistiu.
Mas para o dirigente socialista, o combate à direita é que deve ser a prioridade do PS, pois "é melhor tratar do andor do que dos ajudantes que o carregam". Da dupla demarcação que os socialistas devem fazer, à esquerda e à direita, a segunda é que é "decisiva". "É aí que devemos insistir o essencial do nosso combate político", frisou Santos Silva, pois a "agenda da direita portuguesa é superar o Estado Providência" e instituir o "Estado mínimo".
É o Estado Social a marca que traça todas as fronteiras - tanto para Santos Silva, como para Paulo Pedroso, que falou antes do ministro da Defesa. O actual e o ex-dirigente do PS foram muito críticos sobre as ideias que o PSD quer levar para a revisão constitucional. "Uma agenda de liberalização profunda", avisa Pedroso, citando palavras de Paulo Teixeira Pinto, que está a conduzir o projecto do PSD. "Desmantelamento do Estado Social", avisou Santos Silva.
Para Pedroso, o "núcleo essencial" que o PS deve proteger - os "dedos" que devem ficar, por oposição aos "anéis" que podem ir - são as garantias de educação e saúde públicas, e uma política de crescimento com o objectivo de criação de emprego. "São três linhas em que a alternativa ao PS é uma alternativa de privatização profunda", avisou.
Pedroso não desiste dos partidos à esquerda
Num debate em que o tema era "O futuro da esquerda democrática", Pedroso admitiu que, nos últimos anos, a esquerda se "abriu excessivamente à liberalização" - através das privatizações e desregulação - e terá que se "reinventar". O que a obrigará a superar um dilema: ser suficientemente realista e credível para governar, mas também fiel aos seus princípios, sem defraudar os grupos mais desfavorecidos.
Pedroso não descarta o apoio dos partidos à esquerda do PS, apesar de estes nunca se terem assumido como parceiros de governo. "Não podemos desistir de os ter" como parceiros de governação, alertou Pedroso, considerando "importante que haja alternativas sólidas à maioria absoluta".
Um caminho bem diferente do de Santos Silva, que meteu a oposição toda no mesmo saco. A direita portugesa, disse o governante, "beneficia do duplo apoio da extrema-esquerda": apoio por omissão e por acção, "sempre que há no Parlamento uma coligação contra-natura com o único objectivo de desgastar o Governo e o primeiro-ministro".