"Queríamos que a Resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas incluísse uma cláusula que apelasse a que o Presidente Bashar Al-Assad retirasse o exército das ruas das cidades sírias e parasse os atos de violência no país", disse o representante da Rússia em Portugal, Pavel Petrovskyi, em conferência de imprensa hoje em Lisboa.
Mas foi em reação à presença no texto "de uma cláusula que exigia que, caso não começasse no prazo de três semanas o diálogo entre as forças da oposição e o Presidente Bashar al-Assad, este seria obrigado a resignar", que a Rússia e a China vetaram a Resolução na votação de sábado 4 de fevereiro.
A votação deste tipo de resoluções ficou sujeita a "atenção redobrada" por parte dos russos desde o caso da Líbia, fundamentou o embaixador: "Quando foi votada a Resolução da ONU sobre a Líbia, os parceiros ocidentais disseram que não haveria qualquer intervenção na zona de exclusão aérea para que os aviões das forças fiéis a Kadhafi não pudessem bombardear os cidadãos líbios".
Pelo diálogo, fim à violência
"Somos pelo fim de toda a violência, venha de onde vier, e por um diálogo entre as partes", disse Pavel Petrovskyi, exemplificando com o caso do Iémen onde, de acordo com as suas palavras, "houve um diálogo nacional e haverá eleições presidenciais dentro de dez dias". "Acordou-se que o ex-Presidente Saleh não poderia concorrer e a história está a seguir o seu curso", acrescentou.
Na Líbia, pelo contrário, "correu muito mal", os países ocidentais "tomaram o partido dos opositores armados", o que Petrovskyi classificou como um "exemplo grave de intervenção sob a égide do Conselho de Segurança", acrescentou o representante de Moscovo.
Quanto à visita do ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, na terça-feira, à Síria, onde se encontrou com o Presidente, o embaixador sublinhou que Al-Assad nomeou o seu vice-presidente como mediador das negociações com os opositores sírios e que, referiu "esperava" que a oposição também aceitasse negociar com a presidência síria.
Nova Constituição e eleições presidenciais
A posição russa sublinha a necessidade de realizar "um referendo para fazer uma reforma da Constituição" que conduza a "futuras eleições presidenciais". Pavel Petrovskyi insistiu que são "os sírios que têm de escolher as reformas que querem fazer". Defendendo a soberania dos Estados "sob a lei internacional", a Rússia defende "que todos os povos escolhem o seu destino sem intervenção estrangeira".
O embaixador lembrou que, na Tunísia e no Egito, as revoltas se tinham dado sem intervenção estrangeira e que "em nome da ajuda humanitária, se pode entrar hoje em dia em qualquer país caso não se goste das políticas aí praticadas".