24/05/2012 atualizado às 0:58
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Retrato símbolo da "Primavera Árabe" vence World Press Photo 2011

Uma imagem captada pelo fotógrafo espanhol Samuel Aranda no interior de uma mesquita utilizada como hospital durante os confrontos no Iémen é a foto do ano do World Press Photo 2011. Resultados do concurso foram hoje divulgados em Amesterdão.

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)Lusa e agências
23:10 Sexta feira, 10 de fevereiro de 2012
Mulher consola ferido durante os confrontos no Iémen
Mulher consola ferido durante os confrontos no Iémen
Samuel Aranda/Corbis/The New York Times/Reuters

Samuel Aranda é o vencedor do World Press Photo 2011, o mais importante concurso mundial de fotojornalismo, com uma imagem de uma mulher de véu integral a abraçar um ferido durante a revolta popular no Iémen. O trabalho do fotojornalista espanhol foi escolhido entre as mais de 100 mil fotografias a concurso. Na edição deste ano, foram avaliados os trabalhos de 5247 profissionais originários de 124 países.

A fotografia,  publicada no jornal "New York Times" e que se tornou símbolo da "Primavera Árabe", foi tirada a 15 de outubro de 2011 em Sanaa, capital do Iémen, numa mesquita transformada em hospital pelos opositores do Presidente Ali Abdallah Saleh.

Samuel Aranda, 33 anos, ex-fotógrafo da AFP, vai reber um prémio de 13.000 dólares (cerca de 10 mil euros) e uma câmara Canon de última geração. A fotografia selecionada foi tirada quando o fotojornalista realizava um trabalho para o jornal norte-americano.

Todas as fotografias premiadas vão integrar uma exposição itinerante a ser inaugurada no dia 20 de abril em Amsterdão. A partir de junho, a mostra percorrerá mais de  100 cidades em todo o mundo, Portugal inclusive.

Imagens que mostram o mundo em 2011


"É uma fotografia que fala sobre toda a região. Representa o Iémen, o Egito, a Tunísia, a Líbia, a Síria, tudo o aconteceu durante a "Primavera Árabe", declarou Koyo Kouoh, um dos membros do júri, citado num comunicado.

A fotografia do repórter espanhol mostra também "o lado privado, íntimo" da vaga de contestação popular que afetou diversos países árabes e "o papel desempenhado pelas mulheres", sublinhou.

O japonês Yasuyoshi Chiba conquistou o primeiro prémio na categoria "People in the News Singles", com uma reportagem sobre o Japão depois do tsunami que devastou o país em março do ano passado. Uma das imagens mostra uma mulher a ver o diploma de estudos da sua filha, encontrado no meio dos escombros da cidade de  Higashimatsushima, a norte de Fukushima.

O repórter fotográfico afegão Massoud Hossaini também viu o seu trabalho distinguido pelo júri do World Press Photo, com uma fotografia tirada num santuário xiita, cenário de uma exploso a 6 de dezembro, em Cabul, Afeganistão. A foto de uma criança afegã de 12 anos a gritar junto de vários mortos e feridos conquistou o segundo prémio na categoria "Spot News Singles".

O russo Yuri Kozyrev obteve o primeiro prémio na categoria "Informação" pela fotografia de um grupo de rebeldes líbios, captada a 11 de março em Ras Lanouf.

Na categoria "Conbtemporary Issues Stories" destacou-se o mexicano Pedro Pardo, pelo seu trabalho sobre a guerra dos cartéis de droga no México.

O júri do World Press Photo atribuiu ainda uma menção especial a uma fotografia amadora  a mostrar oo antigo líder líbio Muammar Kadhafi, quando este foi capturado e arrastado para um veículo militar a 20 de outubro de 2011 em Sirte, pouco antes da sua morte.

"A fotografia capta um momento histórico, a imagem de um ditador e da sua queda, que não teríamos visto se não fosse fotografada por um anónimo", afirmou o presidente do júri, Aidan Sullivan, em comunicado.


 

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Foto de contradições, beleza e perdão
carlos-carlos (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 23:40 | Sexta feira, 10 de fevereiro
É uma fotografia perturbadora em vários aspectos:

- Na dor;
- Na esperança;
- Na solidariedade;
- Na prestação de cuidados médicos;
- No horror da violência;
- Na presença da mulher;
- Na sensibilidade da mulher;
- Na natureza daqueles hábitos femininos;

Por fim o homem, que humilha a mulher com violentas tradições religiosas e castradoras, acaba por ser ajudado, socorrido e acarinhado, por aquela que tem carradas de razões para se afastar de tal prepotente (o homem)...
 
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Foto muito expressiva.
JJFF (seguir utilizador), 2 pontos , 0:15 | Sábado, 11 de fevereiro
As vestes da mulher muçulmana podem esconder muita coisa, mas deixa transparecer o essencial; Os sentimentos de amor e carinho para com um homem que sofre. Parabéns ao fotógrafo.
 
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Burkas
CãodaRosa (seguir utilizador), 1 ponto , 11:08 | Sábado, 11 de fevereiro
Já agora porque é que a senhora está de burca, será que os "revoltosos" são fundamentalistas islâmicos.
 
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Comovente
TedBundy (seguir utilizador), 1 ponto , 12:41 | Sábado, 11 de fevereiro
O horror da guerra traz sempre à tona o pior e o melhor do ser humano. Este é um retrato de dor e ternura, que faz lembrar - passe a iconografia religiosa - Maria segurando o corpo recém-crucificado de Cristo. A mulher-Mãe toda poderosa na dignidade do seu sofrimento desmesurado, num último momento de cuidado e carinho para com o filho que lhe morre nos braços.
 
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Esta Primavera Árabe
porrada (seguir utilizador), 1 ponto , 18:06 | Sábado, 11 de fevereiro
... vai ser o Inverno eo Inferno do nosso contentamento .
 
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Repúdio
impertinente (seguir utilizador), 1 ponto , 19:05 | Sábado, 11 de fevereiro
Repugna-me, sempre me repugnou, o aproveitamento da dor, da desgraça e da miséria para efeitos de fotografia artística. Tira-se uma foto a gente desgraçada, em grande sofrimento, expõe-se a foto como obra de arte e é apreciada e premiada como tal. Há nisto algo de obsceno e cínico. Há aqui a violação da intimidade, o desprezo pelos seres humanos reais, um alheamento afinal dos factos do contexto - faz-se uma "bonita fotografia", q permite sábias considerações regioso-histórico-artístícas (ex: invoca-se o tema cristão da Pietá, mas a virgem usa burka...), faz-se "arte" e ganha-se dinheiro.Claro q hoje em dia estamos muito calejados e aceitamos tudo. Ainda assim mantenho um íntimo ímpeto contra esta forma de exploração da infelicidade alheia...
 
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