Samuel Aranda é o vencedor do World Press Photo 2011, o mais importante concurso mundial de fotojornalismo, com uma imagem de uma mulher de véu integral a abraçar um ferido durante a revolta popular no Iémen. O trabalho do fotojornalista espanhol foi escolhido entre as mais de 100 mil fotografias a concurso. Na edição deste ano, foram avaliados os trabalhos de 5247 profissionais originários de 124 países.
A fotografia, publicada no jornal "New York Times" e que se tornou símbolo da "Primavera Árabe", foi tirada a 15 de outubro de 2011 em Sanaa, capital do Iémen, numa mesquita transformada em hospital pelos opositores do Presidente Ali Abdallah Saleh.
Samuel Aranda, 33 anos, ex-fotógrafo da AFP, vai reber um prémio de 13.000 dólares (cerca de 10 mil euros) e uma câmara Canon de última geração. A fotografia selecionada foi tirada quando o fotojornalista realizava um trabalho para o jornal norte-americano.
Todas as fotografias premiadas vão integrar uma exposição itinerante a ser inaugurada no dia 20 de abril em Amsterdão. A partir de junho, a mostra percorrerá mais de 100 cidades em todo o mundo, Portugal inclusive.
Imagens que mostram o mundo em 2011
"É uma fotografia que fala sobre toda a região. Representa o Iémen, o Egito, a Tunísia, a Líbia, a Síria, tudo o aconteceu durante a "Primavera Árabe", declarou Koyo Kouoh, um dos membros do júri, citado num comunicado.
A fotografia do repórter espanhol mostra também "o lado privado, íntimo" da vaga de contestação popular que afetou diversos países árabes e "o papel desempenhado pelas mulheres", sublinhou.
O japonês Yasuyoshi Chiba conquistou o primeiro prémio na categoria "People in the News Singles", com uma reportagem sobre o Japão depois do tsunami que devastou o país em março do ano passado. Uma das imagens mostra uma mulher a ver o diploma de estudos da sua filha, encontrado no meio dos escombros da cidade de Higashimatsushima, a norte de Fukushima.
O repórter fotográfico afegão Massoud Hossaini também viu o seu trabalho distinguido pelo júri do World Press Photo, com uma fotografia tirada num santuário xiita, cenário de uma exploso a 6 de dezembro, em Cabul, Afeganistão. A foto de uma criança afegã de 12 anos a gritar junto de vários mortos e feridos conquistou o segundo prémio na categoria "Spot News Singles".
O russo Yuri Kozyrev obteve o primeiro prémio na categoria "Informação" pela fotografia de um grupo de rebeldes líbios, captada a 11 de março em Ras Lanouf.
Na categoria "Conbtemporary Issues Stories" destacou-se o mexicano Pedro Pardo, pelo seu trabalho sobre a guerra dos cartéis de droga no México.
O júri do World Press Photo atribuiu ainda uma menção especial a uma fotografia amadora a mostrar oo antigo líder líbio Muammar Kadhafi, quando este foi capturado e arrastado para um veículo militar a 20 de outubro de 2011 em Sirte, pouco antes da sua morte.
"A fotografia capta um momento histórico, a imagem de um ditador e da sua queda, que não teríamos visto se não fosse fotografada por um anónimo", afirmou o presidente do júri, Aidan Sullivan, em comunicado.