Pode um rapaz usar saia na escola? É com esta pergunta que Jan Hoffman, jornalista do New York Times, introduz uma questão que começa a ser polémica para os liceus norte-americanos.
O artigo
recorda que a equação "regras + jovens = desafio" é sempre complexa, alertando que os adolescentes nos Estados Unidos estão a questionar os tradicionais códigos de vestimenta das escolas.
A razão é a tendência é de, cada vez mais, os jovens tentarem dificultar a identificação do género - masculino ou feminino - e a orientação sexual apenas pela forma de se vestirem.
Os problemas começaram a verificar-se por todo o país, do Texas ao Mississipi, com as iniciativas dos jovens em desafiar as convenções. Desde o cumprimento do cabelo dos rapazes aos jeans excessivamente colados ao corpo, passando pela maquilhagem nos representantes do sexo masculino ou às raparigas de "black-tie", tudo um pouco tem sido motivo para repensar os hábitos.
Apesar das resistências, já começaram a registar-se alterações nas convenções. Em Setembro, em Tucson, segundo o New York Times, uma rapariga que se identifica mais com o sexo masculino, foi escolhida o príncipe da festa de boas-vindas às aulas. Em Maio, um jovem homossexual masculino em Los Angeles foi coroado a rainha da festa de finalistas.
Mas a crescente ambiguidade sexual está a obrigar um repensar dos limites estabelecidos nos tradicionais códigos de vestimenta dos estabelecimentos de ensino. Este não é, contudo, um tema isento de polémica e mesmo de eventuais graves consequências. Em Fevereiro de 2008, na Califórnia, um rapaz que vestia botas de salto alto e usava maquilhagem foi morto a tiro por um colega.
A argumentação dos responsáveis pela disciplina das escolas, segundo o jornal, é de que o desrespeito dos códigos de vestimenta pode ocasionar problemas de comportamento e distrair os alunos.
As dúvidas parecem estar apenas a começar. O artigo do New York Times acaba por levantar a questão que segue: ultrapassadas as roupas, como será resolvida a separação das casas de banho para os casos dos alunos transsexuais?