12/02/2012 atualizado às 19:06

Quinta da Fonte: Um ano depois dos confrontos moradores querem enterrar ressentimentos

Loures, 10 Jul (Lusa) -- Um ano depois dos confrontos que envolveram a comunidade cigana e africana, os moradores da Quinta da Fonte (Loures) querem apagar a imagem de violência e dar uma nova vida ao bairro.

9:49 Sexta feira, 10 de julho de 2009

Loures, 10 Jul (Lusa) -- Um ano depois dos confrontos que envolveram a comunidade cigana e africana, os moradores da Quinta da Fonte (Loures) querem apagar a imagem de violência e dar uma nova vida ao bairro.

A 11 de Julho do ano passado, meia centena de indivíduos de duas comunidades do bairro da Quinta da Fonte envolviam-se em violentos confrontos com recurso a armas de fogo, num incidente do qual resultaram nove feridos ligeiros e danos em várias viaturas.

Manuela Kassmo, de 39 anos, uma das testemunhas do inicio dos confrontos, uma vez que começaram perto da sua loja, contou à agência Lusa que foi "das piores experiências" que viveu na sua vida.

"Lembro de ver pessoas a correr de um lado para o outro e de sentir muito medo. Só tive tempo de guardar as minhas coisas e sair dali, relata à Lusa a lojista.

Hoje, passado um ano, a moradora sente-se mais tranquila uma vez que a situação no bairro melhorou bastante, inclusive a sua relação com os vizinhos de etnia cigana.

"Felizmente aqueles que criavam os problemas não voltaram para cá. Os que voltaram não querem confusão", afiança.

Uma das famílias que voltou ao bairro, cerca de dois meses depois do tiroteio, foi a de Abílio Quaresma.

O morador de 45 anos mostrou-se "magoado com aquilo que se passou", mas garantiu que quer apagar isso da sua memória e seguir em frente.

"É tempo de seguir em frente e enterrar todos os ressentimentos. A única coisa que eu e a minha família queremos é a paz e sossego que tínhamos antes de tudo acontecer", sublinhu.

Contudo, apesar da aparente tranquilidade, ainda há quem tema que as coisas se voltem a repetir e por esse motivo entendem que "os culpados dos confrontos devem ser punidos".

"É uma vergonha ficarem impunes. Simplesmente podia consultar as imagens e identificar os culpados. Era uma questão de justiça, apontou Sundy Correia, um jovem de 19 anos.

Por outro lado, para algumas associações que trabalham no local, como é o caso do Programa Escolhas, as mudanças ocorridas na Quinta da Fonte não se limitam à melhoria na relação entre os moradores.

António Embaló, coordenador deste programa na Quinta da Fonte, destacou à Lusa a introdução do Contrato Local de Segurança(CLS), assinado a 12 de Setembro entre o Ministério da Administração Interna e a Câmara Municipal de Loures.

De acordo com o responsável, o CLS veio criar mais condições para intervir junto dos jovens mais problemáticos.

"Graças a esta parceria a nossa intervenção no terreno tornou-se mais efectiva o que nos permitiu melhorar a formação pessoal destes jovens, e alargar o leque de actividades que eles têm à sua disposição", referiu.

António Embaló sublinhou ainda que o CLS, através das actividades que promoveu, e que ainda vai promover, contribuiu para recuperar e reforçar a comunicação entre toda a comunidade, apesar de entender que nunca houve qualquer tipo de guerra ou conflito étnico, mas apenas um desentendimento entre jovens.

"As pessoas sempre se deram bem umas com as outras, apesar de não negar que este episódio deixou marcas profundas, ainda para mais havendo imagens espalhadas por todo lado. No entanto, as feridas podem e devem ser curadas, apesar de tudo levar o seu tempo", observou.

FYS

Lusa/fim.

Lusa
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