Sinceramente pouco me interessam as pieguices de Passos Coelho, ou de um outro coelho qualquer, no dia em que a Académica carimbou o bilhete para a final da Taça de Portugal. Por mim Passos podia ter dançado um slow completamente nu e abraçado a Relvas em pleno Terreiro do Paço. Podiam ter-se casado. Estou-me a marimbar para as patacoadas do primeiro-ministro. Hoje estou, amanhã talvez não.
A Académica, emblema da minha cidade mas muito mais do que isso, provavelmente um dos único clubes verdadeiramente universais, escreveu mais uma página na sua brilhante história. A Académica é muito mais do que um clube, é muito mais do que uma sigla, um emblema ou um conjunto de jogadores. A Briosa é um estado de espírito. A Académica não tem igual ou sequer parecido. É uma luta constante e uma revolução permanente e talvez por isso tenha marcado e continue a marcar tantas pessoas ao longo de muitas gerações, passem estas ou não por Coimbra. A Académica é a Académica. A Académica é uma causa, são várias causas que percorrem os tempos, a sociedade e a vida de milhares. A Académica é luta, protesto e alegria. A Académica é cultura.
Quarenta e três anos depois do meu pai ter estado nas bancadas do Jamor no dia 22 de Junho, ano em que os estudantes desafiaram o sistema de ensino, correram com o Presidente da República Américo Tomás de Coimbra e abalaram o regime numa luta desigual mas demonstrativa de uma força e coragem ímpares, a Académica volta, de forma briosa, a marcar presença numa final da Taça de Portugal. Bem hajam rapazes. Dia 20 de Maio lá estarei para vos saudar.
Corria o ano de 1969 e num ambiente de cortar à faca, "um dos maiores comícios de sempre contra o regime" escreveu Carlos pinhão, marcado pela entrada dos estudantes em campo de capas negras num protesto que anunciava a queda do regime ditatorial, entre pides bolorentos, faixas irreverentes ergueram-se ao intervalo exigindo "melhor ensino e menos armas". Cânticos desafiantes e vozes de protesto. A Académica vendeu cara a derrota ao SL. Benfica de Eusébio e Simões. Desta vez a história vai ser diferente, espero, e venha quem vier "morre".
Viva a Académica. Sempre.
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