A Comissão Permanente do PSD reúne-se amanhã à tarde (numa reunião alargada a outros conselheiros da líder social-democrata) para definir os próximos passos a dar no sentido de pressionar o esclarecimento do caso da escutas.
Ao que o Expresso apurou, em estudo está a possibilidade de a direcção do partido pedir audiências a altas instâncias como o Procurador-Geral da República.
Um vice-presidente do PSD admite, em tese, que se possa chegar ao ministro da Justiça ou ao Presidente da República, caso o próprio primeiro-ministro não tome a iniciativa de esclarecer as razões para o clima de "suspeita" que Manuela Ferreira Leite hoje disse no Parlamento não poder continuar.
Embora tenha aprovado, ao lado do PS, a lei que agora permite dizer que as escutas das conversas entre José Sócrates e Armando Vara são nulas por não terem sido devidamente autorizadas, o PSD não se sente limitado para explorar o caso politicamente.
O entendimento da direcção do partido é que só uma interpretação restritiva da lei pode justificar a nulidade das escutas. Do ponto de vista político, o mesmo responsável da direcção do PSD explica que Ferreira Leite decidiu descolar do clima de "resignação generalizada" que considera ter-se instalado no país, "perante a sucessão de suspeições em torno do PM e de responsáveis a ele ligados, sem que nada alguma vez seja esclarecido".