Nascimento Rodrigues está disposto a renunciar ao cargo no final do mês, caso, até lá, PS e PSD não cheguem a acordo quanto ao nome do sucessor, que deveria ter sido indicado há oito meses. O provedor - que ao longo de oito anos de mandato fez questão de ser discreto na sua actuação - tem vindo, desde Julho, a subir de tom nas suas intervenções públicas. Esta semana, em entrevista à "Visão" acusou mesmo os socialistas de serem responsáveis pelo impasse: "o PS já ocupa todos os altos cargos públicos, faz lembrar o Zeca Afonso: eles comem tudo".
A acusação fez disparar as baterias do PS, com o porta-voz do Partido, Vitalino Canas a considerar "infelizes" as palavras "que não prestigiam" o cargo de provedor e Alberto Martins a devolver a responsabilidade de encontrar uma solução para o campo social-democrata: "apresentámos um nome muito forte" e "não há qualquer tentação partidária", garantiu. Ao Expresso, o líder parlamentar do PS afirmou "continuar à espera de uma resposta do PSD".
Ontem, foi a vez de o Presidente da República apelar a um entendimento entre os dois maiores partidos. Mas, ao final da tarde, Manuela Ferreira Leite convocou uma conferência de imprensa para mostrar como o braço-de-ferro está para durar. "O PSD cumpriu a sua obrigação há muito tempo", disse, secundando as palavras do provedor ao afirmar que "não é por ter uma maioria absoluta que o PS se pode arrogar o direito de nomear todos os altos cargos públicos". "Continuamos a aguardar o consenso para a proposta que apresentámos antes do final do ano", disse ainda a líder social-democrata.
O impasse não tem fim e Nascimento Rodrigues - que há oito meses está a exercer funções sem assessores, entretanto destacados para outros departamentos - admitiu já em privado que chegou "ao limite da paciência".