23/05/2012 atualizado às 20:26

Pensionistas japoneses oferecem-se para trabalhar em Fukushima

Em mais uma demonstração do enorme espírito de abnegação japonês, duas centenas de reformados pediram para substituir os trabalhadores mais jovens que se encontram na central nuclear acidentada. Clique para visitar o dossiê Sismo no Japão

Luís M. Faria (www.expresso.pt)
10:13 Quinta feira, 2 de junho de 2011
«A nossa idade dá-nos 13, 15 anos de esperança de vida, em média, e o cancro demora 20, 30 anos ou mais anos a desenvolver-se», explica Yasuteru Yamada, o pensionista que lançou a ideia
«A nossa idade dá-nos 13, 15 anos de esperança de vida, em média, e o cancro demora 20, 30 anos ou mais anos a desenvolver-se», explica Yasuteru Yamada, o pensionista que lançou a ideia
Um dos reatores da central de Fukushima é vaporizado com um inibidor de pó, numa tentativa de diminuição de radiação para a atmosfera
Um dos reatores da central de Fukushima é vaporizado com um inibidor de pó, numa tentativa de diminuição de radiação para a atmosfera
Tokyo Electric Power Co./AP

É uma oferta que o Governo de Tóquio vai ter dificuldade em aceitar - e talvez também em recusar. Pensionistas japoneses, na sua maioria engenheiros, oferecem-se para trabalhar na central nuclear de Fukushima. Propõem-se substituir os trabalhadores mais jovens que lá se encontram.

Clique para aceder ao índice do dossiê Sismo no Japão

"A nossa idade dá-nos 13, 15 anos de esperança de vida, em média", explica Yasuteru Yamada, o pensionista que lançou a ideia. "O cancro demora 20, 30 anos ou mais anos a desenvolver-se". Uma questão de lógica, portanto. Aos idosos a radiação faz menos mal, porque tem menos tempo para o fazer. E tempo é justamente o que falta ao Japão e ao mundo neste assunto.

Três meses após o terramoto e tsunami que devastaram parte do Japão e levaram ao fecho de sistemas de arrefecimento em Fukushima, as emissões de radiação continuam. Não vão parar enquanto não se conseguir arrefecer os reatores e os tanques onde fica depositado o combustível gasto.

Governo não quer "um corpo de suicidas"


"O progresso será limitado enquanto os trabalhadores tiverem de mudar a cada poucos minutos, e não se pode esperar uma resposta coordenada mesmo usando robôs" diz Yamada. Donde, a sua proposta. "Chegámo-nos à frente porque acumulamos tecnologia e experiência e porque os efeitos da radiação sobre nós serão reduzidos devido à idade que temos".

Desde o seu apelo inicial em abril, umas duzentas pessoas responderam. As condições são ter mais de 60 anos, força de vontade para trabalhar num ambiente como aquele, e força física. Além de engenheiros, há técnicos diversos (operadores de grua, um especialista em canos, designers...), bem como dois cozinheiros e um cantor. Todos serão úteis, segundo Yamada. Mesmo o cantor: "Vamos precisar de entretenimento".

Quem ainda não aderiu foi o Governo. "Para já não existe uma necessidade imediata", garante um assessor do primeiro-ministro. Ressalvando que a ideia foi apreciada, diz que a regra por agora é "estabelecer processos que não requeiram um corpo de suicidas". Sugestão rejeitada por Yamada, para quem o Corpo de Voluntários Qualificados - nome que deu ao seu grupo - nada tem a ver com suicídio.

Kamikazes "iam para morrer, nós vamos regressar"


Quando um entrevistador lhe perguntou se eram uma espécie de kamikazes, ele respondeu com uma nota de espanto na sua voz suave: "Os kamikazes faziam algo de muito estranho. Não havia ali nenhuma espécie de gestão do risco. Iam para morrer. Nós vamos regressar. Temos de trabalhar, mas não de morrer".

Ainda não se conhece a reação à oferta por parte dos mais de mil trabalhadores que atualmente laboram na central. A perspetiva é encerrar os reatores daqui a uns oito meses. Como tem havido protestos em relação às condições de trabalho, pode acontecer que o Governo e a TEPCO, empresa responsável pela central, fiquem mais recetivos ao intenso lobbying que Yamada leva a cabo. Ele explica que precisa de ser discreto, mas tem falado com muita gente em posições de responsabilidade.    

Há quatro anos, ele próprio descobriu um cancro que tem vindo a tratar. Neste momento está saudável, mas o risco permanece. No entanto, acha que é mais importante aproveitar a experiência profissional que teve. Yamada trabalhou durante anos na indústria metalúrgica, especializando-se em disposição de lixos e construção de instalações fabris. 

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O Japão que não é aqui...
CM84 (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 17:22 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
Muitos comentadores que agora exaltam o espírito japonês, são os mesmos que defendem e relevam, comportamentos inadmissíveis no Japão.

O Primeiro-ministro é contestado e teve uma moção de censura, por “não dar a resposta adequada ao tsunami” – e não foi ele o responsável pelo tsunami…

Onde qualquer membro do governo se sente na obrigação de pedir perdão ao seu povo, caso cometa algum erro. E cá? Tal acção seria de imediato ridicularizada; seria um político pouco macho; seria um frouxo.

Onde um ministro se demite, porque aceitou um donativo de 435 euros… cá, riríamos por ser tão pouco.

Onde os Yakusa (máfia japonesa) têm regras e respeitam uma ética. E cá? Nem aos governantes exigimos ética; nem moral; nem vergonha.

Vão-se lixar todos os choramingas invejosos da atitude japonesa, quando aqui, neste espaço, defendem a delinquência acobertada de legalidade; a delinquência desde que praticada pelo “clube” do coração.

Nós somos aquilo que permitimos que nos façam. Basta olhar para a complacência que existe em relação à falta de respeito que este governo tem tido pelo povo. Não falo de políticas, nem de ideologias: falo de respeito; de moral; de honestidade.

Mas nesta terra isso é considerado coisa liberal.

Como é que algum português se pode sentir com obrigações para o colectivo, se ninguém o respeita individualmente.

No dia 5, muitos voltarão a prestar vassalagem aos “yakusa” cá da terra…
 
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Um certo pensador oriental, que viveu antes
Rio Grande (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 22:47 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
de Cristo, já dissera que "Tudo de quanto necessitas está em ti". É como pensa qualquer oriental, que encara a vida como um tesouro, dentro da simplicidade dos ensinamentos, na capacidade de viver, no despertar da intuição, na tolerância, no conceito da "verdade útil", mas com um imenso respeito quanto às verdades individuais, quanto à utilidade da vida e, inclusive, da morte. São diferentes, não são cristãos, não têm - na sua maioria - o conceito de bondade piegas que temos, na qual as boas ações renderão frutos no além, junto ao criador e por aí. Por isso, são tidos diferentes e admirados, pois sua filosofia muito antiga e, dentro do conceito de liberdade de que gozam, têm a consciência como marco de pontuação importante e, a felicidade, diferente de nós, se resume no dever cumprido. Por isso, muitos seguiram para a morte, alguns como fanáticos e, outros, perfeitamente cientes de que estavam no cumprimento de um dever cívico e moral, que os impedia de sentir vergonha ou covardia, pois eram "kamikazes" por vontade própria. Tive o imenso prazer de conhecer um homem desses, no alto dos seus 84 anos de vida e, ainda, uma pessoa útil ao próximo. E, minha mulher, é uma descendente de samurais que, por aqui, é a primeira geração de nipo-brasileiros. E, meu filho, um herdeiro dessa tradição milenar. Rio Grande
 
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Povo milenar e evoluído
OhFaChaVor (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 11:43 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
São pequenas actitudes como esta, que mostram a grandiosidade de um povo!

Desde os samurais, até aos engenheiros de hoje, os japoneses dão um enorme exemplo ao mundo, da honra, disciplina e Humanidade, que sempre estiveram presentes neste povo. Apesar de vítimas das mais diversas catástrofes, este povo sempre soube superar esses obstáculos e mostram uma vez mais, porque são os mais evoluídos (em todas as vertentes) de toda a Humanidade.

Um exemplo a seguir por toda a civilização!
 
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    Re: Povo milenar e evoluído    Ver comentário
ceticus (seguir utilizador), 1 ponto , 17:56 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
    Re: Povo milenar e evoluído    Ver comentário
OhFaChaVor (seguir utilizador), 1 ponto , 22:25 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
Cá também...
themissinglink (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 14:35 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
...desde que paguem subsidio de transporte, de assiduidade, de refeição, de funeral, feriado pagos...enfim todos os 195 subsidios dos trabalhadores da CP.
 
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Netos dos KamiKaze
ribau (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 16:17 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
Em Portugal só se fosse na Central de Cervejas ou na Coordoaria a jogar à "bisca de sete""...
 
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é assim mesmo
odagrom (seguir utilizador), 1 ponto , 10:39 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
É por atitudes destas que o Japão é o país que é e Portugal o que sabemos. No Japão pensa-se em primeiro lugar no bem colectivo, na Europa e EUA no bem individual egoista. A ironia no meio disto tudo é que supostamente a sociedade ocidental é católica, enquanto que os japoneses são agnósticos... Trata-se por isso de um verdadeiro acto de altruismo!
 
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    Nada leva a crer que sejam (todos) agnósticos...    Ver comentário
MadHat (seguir utilizador), 2 pontos , 12:57 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
É por isto que o
manel007 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:45 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
Japão é o país que é. Se o nosso país fosse assim.
 
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Este sítio mal frequentado
Ficção (seguir utilizador), 1 ponto , 10:53 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
Que inveja que eu tenho do povo japonês, que inveja eu tenho de não ter a sorte de ter nascido num país assim.
Que raiva eu tenho de ter nascido num país em que o povo está à espera que os outros trabalhem e pensem por eles. Que raiva eu tenho de ter uns bandalhos de uns políticos que se ocupam única e exclusivamente em encher os seus bolsos. que , que....
 
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    Re: Este sítio mal frequentado    Ver comentário
userEX79228 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:26 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
A educação japonesa...
M.Farid (seguir utilizador), 1 ponto (Normal), 10:54 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
...antes de formar o Técnico,forma o Homem.

Essa educação é verdadeiramente humanista e o sentido do bem colectivo e da honra,derivada da tradição samurai, são bens supremos.

O êxito comercial das empresas japonesas deve-se em grande parte ao envolvimento de todos nos objectivos da mesma,modelo só possível numa cultura que sabe apreciar a dádiva de cada um, por vezes levada a extremos.
 
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Re: Pensionistas japoneses oferecem-se para trabal
Unveiled_Slump88 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:16 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
Fantástico.

É incrível a mentalidade de um povo. Totalmente diferente de nós. Há que louvar estes Homens, com "H" grande.
 
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Que isto sirva de exemplo...
O Leigo (seguir utilizador), 1 ponto , 11:43 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
Sem falsos desvaneios e com lúcidez é essa atitude que faz falta entre nós;não é eu não faço porque o outro não faz é eu faço-o porque é necessário e o meu sacrifício será aproveitado pelas gerações futuras das quais fazem parte os meus filhos netos e todos os descendentes.Que isso nos sirva de incentivo porque este País tambem nos pertence não é pertença exclusiva de alguns,e se nós não lutamos por esse direito então não teremos o direito de nos queixar das consequências.
 
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Pensionistas japoneses
mopina (seguir utilizador), 1 ponto , 12:35 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
Ora aqui está um exemplo que devíamos seguir. Andam sempre a falar dos outros países, que é desculpa para tudo, mas infelizmente nem copiar sabemos, somos como o cu anda sempre atrás.
 
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Re: Pensionistas japoneses oferecem-se para trabal
JRFOriginal (seguir utilizador), 1 ponto , 13:44 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
BANZAI!! BANZAI!! BANZAI!!
 
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    Re: Pensionistas japoneses oferecem-se para trabal    Ver comentário
Francisco'ss (seguir utilizador), 1 ponto , 17:13 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
    Re: Pensionistas japoneses oferecem-se para trabal    Ver comentário
JRFOriginal (seguir utilizador), 1 ponto , 17:57 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
O Japão é um Estado-Nação ...
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 14:39 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
... não um império de nações ...

O resto é conversa fiada de quem desconhece totalmente as religiões, principalmente o xintoísmo e o budismo.
 
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TIPOLOGIAS
Leiki (seguir utilizador), 1 ponto , 16:43 | Quinta feira, 2 de junho de 2011
Estamos perante um nobre Pôvo e uma Nação valente.
 
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