"Leituras sobre divisões na Europa são erradas e injustas", diz Passos
Reuters/Yves Herman
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje em Bruxelas que "só o tempo dirá" se o "mínimo denominador comum" acordado na cimeira de líderes europeus será suficiente para recolocar os países da zona euro numa trajetória de crescimento.
Passos Coelho falava no final de um Conselho Europeu que muitos apontavam como absolutamente decisivo para o futuro do euro, e na qual os líderes europeus acordaram um tratado intergovernamental para o reforço da disciplina orçamental, que não recolheu a unanimidade, já que pelo menos o Reino Unido ficará de fora, inviabilizando assim uma reforma do Tratado de Lisboa.
"Só o tempo dirá se este mínimo denominador comum aqui encontrado será suficiente" para garantir que os países da zona euro que estão a traçar um caminho de reformas estruturais terão uma "envolvente financeira" que lhes permita regressar a uma trajetória de crescimento, apontou o primeiro-ministro.
O primeiro-ministro lamentou ainda que o acordo sobre o reforço da disciplina orçamental e reforço da governação económica não tenha sido unânime, pois considerou que a 27 teria tido um impacto "muito mais forte" no mercado.
Divisões na Europa são "injustas"
Apontando que o que Portugal gostaria era de "um argumento mais forte que pudesse ser apresentado ao mercado e a todos os agentes económicos" que mostrasse que "o risco sistémico dentro da Europa iria ser combatido", Passos Coelho comentou que o acordo a pelo menos 24 vai no bom sentido, mas reconheceu que desejava mais.
"Penso que se a decisão tivesse sido a 27 teria sido muito mais forte o seu impacto no mercado", disse, apontando que a falta de unanimidade deu imediatamente lugar a leituras sobre "divisões na Europa", que a seu ver são erradas e injustas, "porque havia uma larguíssima maioria de países que queriam alterar o Tratado" para que disciplina orçamental e o reforço da governação ficassem no direito primário.
Reiterando a sua convicção de que a unanimidade "teria tido mais força que o método intergovernamental que foi seguido", o primeiro-ministro insistiu todavia que não se deve "desvalorizar" o acordo alcançado, pois seria ainda pior se não tivesse sido alcançado o que classificou repetidamente como"mínimo denominador comum".