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Os povos europeus querem uns Estados Unidos da Europa?

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
8:36 Sexta feira, 29 de julho de 2011

Nas discussões europeias, os angustiados com a "falta de uma solução europeia" esquecem sempre um pormaior: a zona euro não é um estado soberano. Estão aqui em jogo várias soberanias e não apenas uma. Mas, curiosamente, os debates são sempre lançados no pressuposto de que a UE/zona euro é um estado soberano. Isto não é um detalhe insignificante. É um problema, vá, intelectual que dificulta a discussão dos problemas da UE/zona euro.

Para começar, dificulta a compreensão de estados como a Alemanha. Nos últimos anos, o europeísmo-chapa-5 tirou a mira do Reino Unido, e colocou-a sobre a Alemanha. Porquê? Porque, dizem, Merkel foi muito lenta nas tomadas de decisões que levaram à formação do FMI europeu. Qual é o problema desta abordagem? Esquece por completo os alemães e a democracia alemã. Alguns políticos e intelectuais falam das soluções para a UE como se não existisse povo alemão, como se o povo alemão não tivesse uma voz legítima, como se a Alemanha fosse da Joana . Como é óbvio, Merkel tem de gerir as percepções dos alemães em relação à UE e, por isso, não pode andar à velocidade dos europeístas que imaginam uma UE abstrata, num estirador sem pó, sem gente real.

Por outro lado, esta pressa europeísta pode causar sérios problemas nas próximas fases de construção da UE. Porque vão começar a chover pressões para que a zona euro dê passos largos no sentido de maior integração, nomeadamente através das eurobonds. Qual é o problema aqui? As eurobonds implicam, a médio prazo, a concretização de um federalismo europeu, implicam a construção de um estado federal europeu. E, mais uma vez, esta discussão está a ser feita nas costas dos povos europeus. O debate sobre as eurobonds está a ser lançado dentro da linguagem técnica do economês, ficando assim longe dos debates públicos. Lamento, mas esta questão tem de ser debatida na linguagem política. É possível criar uma zona euro com eurobonds? É. Um federalismo europeu pode ser construído de forma legítima, no perfeito respeito pela autonomia democrática de cada estado? Pode . Mas tudo isto representa um salto histórico enorme. Não é ir ali à esquina buscar uns trocos. Isto representa uma caminhada imparável em direcção aos Estados Unidos da Europa. Portanto, a pergunta é só uma: será que os povos europeus estão prontos para outra fase de integração política? Como dizia a minha avó, cuidado com os passos maiores do que as pernas.

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A Europa não tem para onde fugir
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 9:07 | Sexta feira, 29 de julho de 2011
A CEE começou nos interesses económicos, chegou onde está hoje com os graves problemas sobre o euro,mas não tem para onde "fugir". O aprofundamento do caminho politico da Europa passa pelo estabelecimento de uma Constituição Europeia, reforçando a coesão entre os seus membros, no respeito pelas suas comunidades e na solidariedade entre mais ricos e mais pobres.Essa é inevitavelmente a Europa do Futuro:Unida , capaz de responder aos desafios da globaliação e contribuindo para um verdadeiro e são equilíbrio do planeta.
 
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    Re: A Europa não tem para onde fugir    Ver comentário
ocehcap (seguir utilizador), 1 ponto , 14:56 | Sexta feira, 29 de julho de 2011
    Re: A Europa não tem para onde fugir    Ver comentário
a_Razao (seguir utilizador), 1 ponto , 22:02 | Sexta feira, 29 de julho de 2011
Não podemos ser só amigos?
fmart8 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:10 | Sexta feira, 29 de julho de 2011
Sou europeu, mas em primeiro lugar sou português.
Tenho respeito, consideração e até afinidade com os outros europeus, mas sinto mais empatia por um português do que por um alemão.

Por outro lado, tenho a exactamente a mesma afinidade para com um tirsense ou mertolense.

UE? Viva! Estados Unidos da Europa? Empregando uma frase que muitos estragos emocionais tem feito: não podemos ser só amigos?

Grave, grave é a construção europeia que se tem feito nas costas dos europeus. Aqui em Portugal foi um feito não levar o Tratado a referendo.
Compreendo que é difícil cativar e educar povos estupidificados pelo consumismo e pelo seu arauto, a televisão, mas assim não vamos longe.

A estupidificação dos povos abriu espaço para as democracias do faz-de-conta, e a UE federada nas costas dos europeus é só a europeização dessa tendência.
 
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    Re: Não podemos ser só amigos?    Ver comentário
Thos (seguir utilizador), 1 ponto , 14:20 | Sexta feira, 29 de julho de 2011
    Re: Não podemos ser só amigos?    Ver comentário
fmart8 (seguir utilizador), 2 pontos , 15:13 | Sexta feira, 29 de julho de 2011
    Re: Não podemos ser só amigos?    Ver comentário
Thos (seguir utilizador), 1 ponto , 16:28 | Sexta feira, 29 de julho de 2011
    Re: Não podemos ser só amigos?    Ver comentário
fmart8 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:50 | Sexta feira, 29 de julho de 2011
    Re: Não podemos ser só amigos?    Ver comentário
a_Razao (seguir utilizador), 1 ponto , 22:04 | Sexta feira, 29 de julho de 2011
Ja, naturlich
GalileiaXXI (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 11:33 | Sexta feira, 29 de julho de 2011
A sua análise é aborrecidamente simplista. Em primeiro lugar, toda a gente concorda que os eurobonds, cuja criação, para já, é uma miragem, nem sequer resolvem os problemas de fundo dos Estados menos competitivos da Zona Euro. Em segundo lugar, a posição alemã - eu sou alemã de nascimento - não se esgota na demagogia eleitoralista. Análises sérias feitas por políticos e economistas alemães convergem no mesmo sentido: 1º a Alemanha está seriamente interessada, por razões egoístas, na manutenção do euro; 2º as dificuldades porque passam Estados como a Grécia e Portugal não interessam à Alemanha se não na medida em que existe o risco de contágio a países com economias de dimensão relevante, como a Itália e a França. Estas duas conclusões, somadas, podem ser sumariadas numa conclusão única: a Alemanha quer salvar o euro mas não está interessada em salvar a Grécia ou Portugal. Angela Merkel, uma governante astuta, está navegando com a costa à vista. Não exclui nenhuma possibilidade (incluindo os eurobonds e o reforço do federalismo) mas não se compromete com nenhuma. Enquanto as fábricas de automóveis alemães não tiverem nem um único carro em stock, passe a imagem, ela estará satisfeita. Nem que para isso tenha de ajudar a Grécia ou Portugal, meros peões de um xadrez muito mais complexo.
 
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HR
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:17 | Sexta feira, 29 de julho de 2011
A UE atual está mais interessada em interesses particulares, e quanto a ajudarem países em dificuldades é só meramente por lhes dar resultados benéficos a alguns de topo.
 
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Repúblicas Únidas de Países de Língua Portuguesa
fmnan (seguir utilizador), 1 ponto , 20:54 | Sexta feira, 29 de julho de 2011
Parolada da UE
O futuro tal como o passado está no Atlântico, irra0 que eles não param de enganar o povo...
 
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União...não tanto...
Manuelisboa82 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:26 | Sábado, 30 de julho de 2011
Muita gente parece aspirar à "federação europeia",segundo modelo americano.A CEE/UE,após o desaparecimento da União Soviética,deixou de ter inimigo directo;as treze colónias,constituintes dos Estados Unidos em 1776,tinham o adversário comum,os ingleses,no interior das fronteiras,disposto a utilizar todos os meios para conservá-las.Portanto,tempos e origens díspares...A Alemanha,nos finais da centúria passada com a "construção europeia",baseada no "medo comum"soviético alcançou,no contexto europeu,o que a Prússia visou em território alemão (partindo das terras da família Hoenzollern)no século XIX com a Zollverein.Adenauer,Brandt,Schmidt,Khol e Merkel realizaram,de forma gradual e pacífica,o sonho de Bismarck de indiscutível supremacia alemã no ocidente da Eurásia, que a sanguinária paranóia de Hitler intentou de maneira catastrófica.A globalização e respectiva competitividade favorecem os mais poderosos e capazes.Assim,na UE a ascendência alemã é,no presente,inevitável(sede do BCE em Frankfurt não é por acaso).Assim,é estulto pensar,que a capital da possível Europa federada não seria,de facto,Berlim,como já transparece.Com enormes dívidas por pagar,compreende-se o apelo a"federação/eurobonds, etc".Tornariam,parece,a dívida menos pesada.Pagariam todos "europeus".Talvez.Porém,será preferível não receber 13º e 14ºmeses ou,simbolicamente,sentir que Lisboa não é capital?Eventuais ilusões,certo?!Agora,sardinha assada é muito melhor que sauerkraut com salsicha,tenho a certeza.
 
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