O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou hoje mudanças em quatro áreas dos serviços de informação para melhorar o seu funcionamento e a sua agilidade e impedir que se repitam acontecimentos como o
atentado falhado
num voo de Amesterdão para Detroit.
Barack Obama determinou que se investiguem "de imediato" as pistas relativas a matéria anti-terrorista e que os relatórios das agências de inteligência sejam disponibilizados de forma "mais ampla e rápida".
Prometeu ainda o reforço dos sistemas de processamento e da análise de informação e a melhoria das listas de vigilância de terroristas.
Os Estados Unidos, comprometeu-se ainda, vão aumentar nos aeroportos o uso de tecnologia de identificação de passageiros, incluindo "scanners" corporais.
"Aumentaremos o uso de sistemas de detecção, incluindo tecnologia com imagens", anunciou Obama, na Casa Branca, em Washington, ao mesmo tempo que era divulgado o relatório sobre o atentado abortado, de 25 de Dezembro, num avião de uma companhia aérea norte-americana e que os Estados Unidos atribuíram à organização terrorista Al-Qaeda.
Obama assumiu ainda que, em última análise, será sempre o responsável pela segurança quando surgirem ameaças terroristas contra o país.
"Quando o sistema falha, isso é da minha responsabilidade", declarou.
O presidente norte-americano assegurou que não despedirá nenhum funcionário dos serviços de inteligência porque as falhas de segurança reveladas pelo ataque fracassado não podem ser atribuídas a uma só pessoa ou instituição.
Detectados vários erros humanos
Um relatório hoje divulgado sobre o atentado falhado num voo entre Amesterdão e Detroit revelou "uma série de erros humanos" ,incluindo atrasos na interpretação de informação sobre o terrorista nigeriano que provocou o incidente.
O documento, entregue pelo Departamento de Estado norte-americano ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, refere que funcionários das agências de inteligência receberam, em Outubro, fragmentos de informação suficientes para identificar o jovem nigeriano Umar Faruk Abdul Mutallab, de 23 anos, como um operacional da organização terrorista Al-Qaeda treinado no Iémen.
Contudo, embora os agentes tivessem consciência de que um operacional da ala iemenita da Al-Qaeda representava uma ameaça para a segurança dos Estados Unidos, não reforçaram a sua atenção para essa ameaça e não juntaram as "peças do puzzle".
Reforço do sistema anti-terrorismo
Apesar de reconhecer falhas humanas, o relatório não recomenda uma reorganização do sistema anti-terrorismo norte-americano, defendendo apenas o reforço do processo já usado no sentido de juntar mais terroristas suspeitos à "lista negra".
Segundo o documento-sumário, de seis páginas, houve "uma série de erros humanos", incluindo atrasos na interpretação de informação e pesquisa de novos dados sobre o jovem nigeriano suicida que tentou explodir, no dia de Natal, o avião de uma companhia aérea norte-americana que fazia a ligação entre Amesterdão (Holanda) e Detroit (EUA).
"Erros" esses que levaram a que, de acordo com o relatório, o visto de Abdul Mutallab para os Estados Unidos se mantivesse válido.