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Página Inicial » Blogues » Henrique Raposo, A Tempo e a Desmodo » O que é o politicamente correcto?

O que é o politicamente correcto?

Portugal está uma farsa pegada. Por isso, se não se importam, eu quero falar da Bolívia, terra de um generoso indígena, que, por sinal, é muito pouco inteligente. E muito homofóbico.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
12:11 Sexta feira, 23 de abril de 2010

I. Há dias, uma leitora exigia: "mas defina lá o que é isso do "politicamente correcto". Pois muito bem, vamos lá a definições, que eu hoje estou muito germânico, kantiano mesmo. O "Politicamente correcto" é, se quiserem, um silencioso marxismo cultural. Se o velho marxismo era uma coisa de massas, este novo marxismo é uma coisa silenciosa. O politicamente correcto não é uma ideologia colectiva. É, isso sim, uma crença privada. Mas, atenção, é uma crença privada partilhada, em silêncio, por milhões. É um manual de comportamento e de policiamento do pensamento e do vocabulário.

II. O velho marxismo assentava numa simples dicotomia moralista: havia os "bons", os operários, e os "maus", os burgueses. O novo marxismo cultural readaptou essa lógica para a esfera cultural, religiosa e étnica: há o "mau", o Ocidente branco, e há o "bom", o resto do mundo não-ocidental. Isto, como é óbvio, gera a farsa moral do politicamente correcto. Uma farsa que mina o debate das nossas sociedades .

III. Um exemplo desta farsa: há dias, Evo Morales disse uma barbaridade: os transgénicos, segundo o Presidente da Bolívia, causam a terrível doença da homossexualidade. Esta declaração, que é um absurdo, não causou polémica. Os "tolerantes" do costume não reagiram. Se tivesse sido um líder ocidental a dizer semelhante disparate, oh meu deus, tinha caído o Carmo e a Trindade. Mas como foi um "indígena" da Bolívia, as boas consciências calaram-se. Tal como se calaram perante o racismo de Lula da Silva ("esta crise é da responsabilidade de louros de olhos azuis") ou perante a ignorância criminosa de líderes africanos ("a SIDA é uma invenção ocidental"). Pior: os "tolerantes" são incapazes de criticar a homofobia de Morales, mas já são capazes de me apelidar de "racista" só pelo facto de eu criticar Morales. É esta a hipocrisia vital do chamado "politicamente correcto".

IV. O politicamente correcto é racismo. Esta forma de pensar infantiliza todos aqueles que não são brancos. O Ocidente já não é imperial e agora até é fofinho, mas continua a tratar o "outro" como o "pretinho". Este Ocidente bonzinho é racista, porque é incapaz de tratar o "outro" como um adulto imputável.

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Explorador e explorado
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 12:44 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
O marxismo não é entre os "bons e os maus".Mas sim entre o que explora e o explorado.
No "O Capital" de Karl Marx,está lá tudo.Não vale a pena adoçar os termos,porque o rigor (também)na economia,nas relações de trabalho,nas condições históricas objectivas,também se usa.
Caso contrário estamos a enganar-nos a nós próprios e essa não é uma atitude inteligente.
 
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    Re: Explorador e explorado    Ver comentário
SirArthur (seguir utilizador), 1 ponto , 16:26 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
    O Capital-Ed.Centelha,Coimbra,1973,Vital Moreira    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 17:21 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
Não acho...
Rio Grande (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 13:41 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
Não é bem assim. O rótulo que colocamos nem sempre expressa uma idéia correta, mormente politicamente. O fato de ser da esquerda e da direita, nem sempre rende um fruto maduro. Se o que disseram Lula e Evo, fosse uma verdade definitiva, então estaria com razão o articulista. Justificar o injustificável, para tirar proveito e, assim, dizer que está certo, não tem valia alguma. Depois, para mim, rótulos são sempre passíveis de futilidade. A direita e a esquerda, quase não dizem nada, pois é o mesmo lado da moeda. E, o tal silêncio de que fala, pura besteira. O fato de estar sentadinho, com a bunda descansada, com o salário garantido, não dá direito a bancar o filósofo, o que não é. Estar politicamente correto, para começo de conversa, é uma expressão muito e muito vaga, sem um sentido prático relevante. É pura demagogia de pseudo-intelectual. É um chavão modernista para pessoas "verdes", "democratas de esquina" e "alarmistas do eterno mundo de desastres"... Aliás, o mundo de agora é pura figuração, no qual o inimigo e o amigo têm muito de igual, de encenação... Por isso, o que disseram o índio e o presidente-operário, pode ser uma estupidez igual a do articulista, que imagina estar com o passo certo, no batalhão de passo errado...
 
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Confesso que...
AvôMetralha (seguir utilizador), 2 pontos , 13:48 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
... já começo a sentir-me um anarquista perante as suas crónicas. Do género: "hay cronica de Ricky Raposo? Soy contra!".
O políticamente correcto não se resume à sua maniqueísta visão do Ocidente branco mau e o resto do mundo bom. Da forma mais simples possível que lhe consigo explicar, o políticamente correcto significa o "sim" filosófico. Nega o conhecimento como rectificação incessante de ilusões, como substituição progressiva do racional ao consciencial. Mantém-se na esfera psíquica, onde se situam os obstáculos epistemológicos mais relevantes como o testemunho natural, a opinião, o substancialismo e as imagens e não consegue ultrapassá-los através de um novo acto de pensamento, que pensa sempre contra o conhecimento anterior. Daí o valor epistemológico do "não".
Exemplificando: o políticamente correcto é ser desfavorável à pena de morte porque sim. Por sua vez o políticamente incorrecto é ser desfavorável à pena de morte porque não. Percebido? Logo vi que não...

Cumprimentos
 
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    Re: Logo vi que não...    Ver comentário
JJFF (seguir utilizador), 1 ponto , 14:07 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
    A pergunta está mal formulada...    Ver comentário
AvôMetralha (seguir utilizador), 2 pontos , 18:16 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
marxisnmo e relativismo
semi (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 16:18 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
A teoria da história marxista não é relativista. Defende que há uma evolução do menos racional para o mais racional. O capitalismo é mais racional que o islamismo mas não é ainda totalmente racional. Só a sociedade comunista está totalmente em acordo com a razão humana. Na prática os comunistas procuraram extinguir todas as religiões por comportarem crenças contrárias ao progresso. Foi um erro porque as religiões devem extinguir-se por si mesmo, quando o seu papel histórico terminar, e não ser extintas à força. É preciso respeitar o grau de desemvolvimento de um povo sem forçá-lo a aceitar o que para povos mais evoluídos parece óbvio.
 
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Bocejo longo.... longuíssimo... prolongadíssimo...
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 16:47 | Sexta feira, 23 de abril de 2010

( )

Que patetice mais pegada!
 
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Mas isso existe?
Runaldinho (seguir utilizador), 2 pontos , 16:53 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
Não percebendo nada de filosofia e muito menos de Kant, acho um disparate essa “coisa” do “politicamente correcto”!
Para mim, a definição dada por Henrique Raposo, é desprovida de qualquer sentido racional!
Qualquer conceito filosófico se pauta por um conjunto de princípios, que ao expandirem-se encontrando um receptor, produzem nesse mesmo receptor, uma reação positiva ou negativa. Diria de forma simples, que tudo aquilo em que nos envolvemos, por exemplo, a leitura de um livro, ver um filme, encontrar uma pessoa, ouvir uma entrevista, desperta em nós uma reação espontânea, de acordo ou discordância, de simpatia ou repulsa, de prazer ou dor!
Quem tem uma opinião, mesmo que no fundo não passe de uma “ideia confusa acerca da realidade e que se opõe ao conhecimento verdadeiro”, não deixa de ter sempre um sentido crítico sobre essa realidade!
A idéia que se tem feito passar do “politicamente correcto”, não passa de uma forma de pressão, com o intuito de se inverter uma tendência de opinião, momentaneamente contrária à nossa!
 
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Políticamente correcto
sara09 (seguir utilizador), 2 pontos , 17:52 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
É simplesmente dizer a verdade, com opiniões isentas, claras e transparentes.

Hoje a sua crónica é políticamente correcta. Parabéns.

Sara
 
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sr. raposo
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 2 pontos , 19:11 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
Deixe-se desse tipo de conversa porque não tem jeito nenhum para tal. Dedique-se ao Sócrates. A falta de escritos sobre o dito leva-me a perguntar-lhe: Então e o Sócrates, sr. raposo???

Você ia tão mal a escrever sobre o homem e agora desistiu? Nem parece seu, sr. raposo...

Cuidado com a audiência.
 
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Kantiano
MárioJTAlmeida (seguir utilizador), 1 ponto , 12:56 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
A melhor crónica de Henrique Raposo que li até hoje.
Hoje é dia de levares porrada, meu!
 
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Politicamente...
still (seguir utilizador), 1 ponto , 13:09 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
Parabens ao HR.
O politicamente correcto assim como o eduquês, o economês e outras life style baseadas no querer parecer, são os principais motores da silenciosa decadencia ocidental. E não é preciso ir muito longe para constatar. Basta aqui mesmo, esperar umas horas.
Cumprimentos a todos sem excepção
 
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EXACTAMENTE
agridoce lisboa (seguir utilizador), 1 ponto , 15:17 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
Concordo quase letra a letra com o que diz no ponto III. Só tirava o Lula porque aquilo que o Lula disse é verdade!!!!
De resto, subscrevo completamente o que diz! Só acrescentaria a tolerância pela corja palestina e restante pandilha islâmica, ao pacote!
Mas vai encontrar a discordância dos "politicamente-correctos-mor", a gajada do BE...
 
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    o palhaço cjours voltou...    Ver comentário
COTOPAXI (seguir utilizador), 1 ponto , 19:28 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
esse homo
userEX62035 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:01 | Sexta feira, 23 de abril de 2010
Parabéns pela coragem de se assumir gay!!!!
 
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Vozes de burro não chegam ao céu.
amarelolindo (seguir utilizador), 1 ponto , 1:32 | Sábado, 24 de abril de 2010
E o sôr Henrique não dá conta disso.
A idiotice do presidente Boliviano foi tanta, mas tanta, que não existe alminha que não troce com o assunto. Só mesmo o senhor para não entender que o presidente Morales estava com uma grandessíssima "carroça" quando associou frangos à homossexualidade. Se aquele burgesso é presidente de uma nação, ah, então, pobrezinhos dos Bolivianos...Bolas estou a ser racista...adiante...
Oh sôr Raposo, as pessoas chamam-no de racista? Tadinho do bébé... Irra, lá estou eu a ser racista, não quero, juro!!!!
O racismo existe, é um facto. O politicamente correcto não é necessáriamente sintoma de racismo. Existe alguma confusão entre politicamente correcto e comiseração, o que é errado. O politicamente correcto distingue-se pela capacidade que cada um possui de estabelecer juízos de valor, independentemente da sua própria conveniência. Trata-se da aceitação e do respeito por algo que, mesmo sendo diferente dos seus padrões de vida é éticamente aceitável, ou melhor, não é prejudicial a outrém.
Mas alguém tem peninha do Evo Moralez? Quem?
Quanto ao marxismo, no contexto histórico em que surgiu, fez todo o sentido a referência a patrão explorador e operário explorado. Actualmente, muita coisa modificou, mas atenção, que não nos livramos de que um dia, esse mesmo conceito se volte a justificar.
 
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Agora o racismo:
amarelolindo (seguir utilizador), 1 ponto , 2:01 | Sábado, 24 de abril de 2010
Não duvide sôr Henrique, de que se não fosse o "politicamente correcto" que tão bem distorce, como se de peninha se tratasse, a escravatura ainda não tinha terminado. Não falo só da escravatura baseada na côr de pele, pois o sentimento de superioridade de certas "castas "vai muito além da raça. Acha impossível que algumas pessoas "de bem" do Ocidente, nossas contemporâneas, intimamente não o desejariam? Eu tenho a certeza que sim, desejariam.
A xenofobia é mais comum do que o racismo, pelo menos no nosso país. A pior coisa que alguém seja de que raça fôr pode fazer, é partir do princípio de que os outros o rejeitam pela sua côr de pele. Grande erro! Inconscientemente leva a a que os outros realmente o discriminem. Eu sei muito bem do que falo.
Eu não gosto nem dos pretos todos que conheço, nem de todos os brancos, sobre os asiáticos não me pronuncio, não conheço nenhum e não me posso dar ao luxo de ser muito racista em Portugal, nem intimamente sinto essa necessidade.
Mas quando o racismo é evidente, aí sim, é importante defendermo-nos.
 
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AFINAL;DE QUEM FOI A CULPA;DE QUE O OCIDENTE;É CUL
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 2:26 | Sábado, 24 de abril de 2010
AFINAL;DE QUEM FOI A CULPA..:???:;QUE O OCIDENTE;É A FONTE DE TODOS OS MALES QUE O RESTO DO MUNDO SOFRE.???QUEM ME SABERÁ DIZER..?/AFINAL;DE QUEM FOI A CULPA..??/FOI MESMO DOS OCIDENTAIS..OU DOS PAÍSES DA EUROPA;DA TAL UNIÃO EUROPEIA..??/ATÉ QUANDO..???CUMPTS...KANTIFLAS.
 
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