23/05/2012 atualizado às 19:43
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Testámos o poder de uma farda

Uma toga e uma bata abriram as portas ao jornalista do Expresso, que andou camuflado nos corredores de um tribunal e de um hospital.

Hugo Franco (www.expresso.pt)
7:21 Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
O jornalista Hugo Franco passou despercebido nos corredores de um tribunal e de um hospital
O jornalista Hugo Franco passou despercebido nos corredores de um tribunal e de um hospital

Desde que identificados, os advogados não têm de passar pelo detector de metais. É o que está escrito num aviso, à entrada do tribunal de Cascais. "Estou tramado." É a primeira expressão que me passa pela cabeça. Só tenho uma toga preta debaixo do braço, uma mala de couro e algum paleio de improvisação memorizado, caso a experiência dê para o torto. Estive tentado a voltar para trás. Respiro fundo e avanço. Assim que o segurança vê a farda manda-me passar. Surpresa das surpresas, não tenho de mostrar qualquer documento. Ainda atrapalhado com tanta rapidez, acabo por passar à mesma debaixo da máquina, que se farta de apitar. Ruborizo mas nem assim sou incomodado. "Passe, não faz mal", diz-me o funcionário, antes de seguir em paz até às salas de audiência. Percebo que da teoria à prática a distância é respeitável naquele tribunal.

Na manhã seguinte, faço uma variante à experiência. Decido meter a toga dentro da mala de couro para perceber se as regras de segurança seriam, ou não, mais apertadas sobre o anónimo cidadão. "Ponha o telemóvel e as chaves neste cesto, indicou-me o mesmo segurança do dia anterior, antes de fazer menção para eu passar pela máquina. Pede-me também para abrir a mala. É então que decido improvisar: 'Aí dentro trago a minha toga'." A reacção não podia ser mais amistosa: "Ah! É advogado! Não precisa de ir pelo detector de metais." Nem sequer tenho de abrir o fecho da mala.

Na sala de audiências

Ao fim de pouco tempo já tratavam  o funcionário judicial pelo primeiro nome
Ao fim de pouco tempo já tratavam o funcionário judicial pelo primeiro nome
A manhã não é das mais animadas. O primeiro andar está deserto. Só no rés-do-chão, na vara criminal, é que se pode falar em algo parecido com agitação. Uns poucos advogados fazem conversa de circunstância com os clientes enquanto aguardam pela chamada do oficial de justiça. Ao ver a minha toga enrolada, Manuel aproveita para se queixar da justiça: i.e., o atraso do seu julgamento e a balda da advogada: "Disse-me que o carro avariou." O seu caso não será muito diferente do de milhares que ocupam a maioria do tempo de juízes, advogados e procuradores do Ministério Público deste país. Manuel e o sobrinho são acusados pelo falecido irmão, vítima de uma doença prolongada, de o terem agredido. O ex-emigrante nega tudo e diz que o irmão foi manipulado por um casal que quis ficar com os seus cheques do Rendimento Social de Inserção. E que terá assistido à discussão. A história tem os condimentos de uma novela mexicana e, na sala de audiências, a juíza tapa o rosto para esconder um sorriso quando Manuel define o falecido irmão como "fraquinho da cabeça".

Os episódios a raiar o non-sense sucedem-se. A advogada do sobrinho de Manuel pede à juíza para ouvir três testemunhas abonatórias. Mas elas tinham assistido aos depoimentos desde o início. "A doutora não sabe que só poderia chamá-las se elas tivessem ficado lá fora? Se fossem depor, iriam dizer o mesmo que o Manuel e o Carlos", ironiza a juíza. Atrapalhada, a advogada desculpa-se que estava de costas e não se apercebera da presença das pessoas na sala.

Antes de terminar, a juíza anuncia que terá de haver uma próxima sessão no final do mês, porque o tribunal "se esqueceu" de convocar as duas testemunhas da acusação. A declaração causa alvoroço entre os dois homens, que protestam contra aquele "erro" do tribunal. "Já lhes pedi desculpas. Os senhores nunca cometem erros no trabalho? Exijo mais respeito pois estão num tribunal", diz a juíza sem esconder a irritação.

O julgamento acaba num clima de tensão que se estende para fora da sala. Os dois homens estão inconsoláveis. Quando se vão embora, dirijo-me ao oficial de justiça que me confunde com um estudante de Direito (a toga estava dentro da pasta). "Apercebeu-se da gaffe da advogada? Se ela tivesse pedido à juíza para ouvir as testemunhas na próxima sessão tudo teria corrido bem. Provavelmente a juíza não saberia que elas já teriam assistido ao julgamento". Quanto ao "esquecimento" do tribunal em avisar as outras testemunhas, ele não se escuda em argumentos rebuscados: "Falta gente por aqui. Só há dois juízes e dois procuradores".

O à-vontade com que falam comigo nos serviços administrativos destoa do dia para a noite com a rigidez de muitos funcionários durante outras reportagens, feitas sem camuflagem e com o cartão de jornalista à vista. No final da manhã, já tratava o simpático funcionário judicial pelo primeiro nome. Imagino que mais uns dias passados em Cascais e estaríamos a combinar uma bica no restaurante da esquina.

Na pele de um médico

A maioria dos estudantes de medicina não usa qualquer cartão de identificação nem  batas
A maioria dos estudantes de medicina não usa qualquer cartão de identificação nem batas
À tarde, troco a toga preta pela bata branca. Mas os primeiros minutos nos corredores do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, são de pânico. A farda, vestida à pressa na casa de banho, não me deu um acesso de superconfiança. Fico com a impressão que todos os médicos com quem me cruzo olham fixamente para a minha lapela. E não trago cartão de identificação. Uma enfermeira faz uma expressão estranha depois de eu meter o estetoscópio ao pescoço. Terei colocado o instrumento ao contrário? Se me auscultassem o coração, qualquer especialista me prescreveria uns comprimidos para a tensão. Coloco as mãos transpiradas nos bolsos das calças e tento avançar com um passo mais decidido entre os pacientes do piso 2. Não por muito tempo.

"O doutor sabe dizer-me onde é a medicina II?" Estremeço com a pergunta, aparentemente naif, de um simpático idoso. Gaguejo qualquer coisa como: "Sou novo aqui... ainda não conheço os cantos à casa... deve ser ali ao fundo." Tinha decorado uma resposta-tipo para estas situações e espalhara-me ao comprido ao primeiro teste. Acompanho-o até ao final do corredor, mas depressa percebo que as minhas informações estão erradas. Peço-lhe desculpa e precipito-me até ao primeiro lance de escadas.

A experiência não estava a começar bem. Decido ir beber um café para aclarar as ideias. Na fila da cafetaria, um jovem casal faz menção para eu lhes passar à frente. "Deve estar com mais pressa do que nós." Digo que não ao simpático gesto e começo a aperceber-me do poder que a bata branca - comprada por 11 euros no Rei das Fardas - exerce sobre os pacientes. No elevador, duas mulheres debitam a ladainha dos atrasos. "Estou cá desde as oito. Tenho de ir para Benfica e ainda falta tanto para ser chamada. Estes médicos..." Com uma cotovelada brusca, a amiga chama a atenção para a minha presença. Esboçam um sorriso reverente e emudecem durante o resto da curta viagem.

Ao contrário dos médicos e enfermeiras, a maioria dos estudantes de medicina não traz qualquer cartão de identificação nem usa batas com o logótipo do hospital. Posso camuflar-me entre eles. Até porque tinha feito a barba. A confiança sobe uns pontos. É a altura de tentar a sorte e entrar em áreas reservadas. Era este, afinal, o principal objectivo desta experiência jornalística.

Depois de umas voltas de reconhecimento, abro a porta de um dos mais concorridos serviços do hospital onde é impossível não ler a frase 'proibida a entrada a pessoas estranhas'. Lá dentro, os médicos estão atarefados e nem olham duas vezes para mim, um estranho no serviço. Entro num dos quartos onde os pacientes, a maioria de idade avançada, estão internados. Dormitam, indiferentes à azáfama. Não me demoro, não vá alguém reparar num 'médico' sem credenciais e com um estetoscópio (descobri mais tarde) que não é o da marca mais usada pela classe. Um conselho politicamente incorrecto: se alguém quiser visitar um familiar internado e o horário de visitas for restrito, experimente usar uma bata branca.

A segurança é bem mais apertada noutros serviços mais recentes e modernos, onde os médicos só entram depois de digitarem um código secreto. Mantive-me afastado deles.

Durante as cinco horas no Santa Maria só estive perto de ser desmascarado quando, ao tentar repetir a façanha anterior, fui abordado por uma enfermeira. "O que procura?", pergunta-me, em modo de piloto automático, quando me preparava para entrar no acesso restrito de um outro concorrido serviço. Podia ter dado qualquer desculpa mas só me ocorreu fingir que não a tinha ouvido. Infantilmente, viro costas e, em passo apressado, misturo-me de novo entre as centenas de pessoas. Deixei o tempo correr. Dois. Cinco. Dez minutos. Não tenho seguranças à perna. Tomo a decisão mais sensata da manhã. Saio pela porta das consultas externas, desabotoo a bata, arrumo o estetoscópio no bolso e vou à minha vida.

(Texto publicado na Revista Única do Expresso de 16 de Janeiro de 2010)

Palavras-chave  Life & Style, toga, bata, hospital, tribunal
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Por um lado sim; por outro, não
Miranda07 (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 16:50 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
A ideia do jornalista não é nova. Apesar disso, não sendo original, a ideia tem o seu interesse. O autor da "experiência" quis fazer um teste, e fê-lo. Contudo, eu acho que seria melhor não o ter publicado. Deveria sim, tendo feito o devido relatório, ter enviado este não só ao Chefe de Redacção, para conhecimento, mas sobretudo ao director do Hospital em causa e ao Juiz responsável pelos tribunais visitados. Em primeiro lugar, acho importante identificar falhas graves de segurança; em segundo lugar, acho muito mau, ou mesmo péssimo, que se destrua, assim sem mais, a força dos símbolos. Pessoalmente, eu acho muito importante que pessoas como médicos, advogados, juízes, padres, polícias, etc., tenham o benefício da dúvida: as suas profissões ou actividades são muito benéficas para a sociedade e merecem o valor simbólico que tiveram ou ainda têm. Por outro, dar ideias más, muito más, a pessoas inclinadas para o mal, que aqui aprenderam algo que, infelizmente, lhes pode servir de algo, parece-me péssimo. Daí que acima eu tenha dito que o melhor era ter feito um bom relatório e comunicado o mesmo às pessoas responsáveis nos locais em causa; depois, daqui a uma ou duas semanas, marcar entrevista e ver em que ponto estava o assunto. Caso não existisse adiantamente algum, então seria bom publicar a história; antes disso, acho que não. Seja como for, considero gravíssimo que se percam o sentido dos limites internos; se tudo fica dependente da força exterior, a sociedade só perde!
 
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Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 19:28 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
    Re: ALERTA: CLONE MEU    Ver comentário
Lopes02 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:55 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
    Re: ALERTA: CLONE MEU    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 19:56 | Sexta feira, 22 de janeiro de 2010
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Kinikós (seguir utilizador), 2 pontos , 20:46 | Sexta feira, 22 de janeiro de 2010
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Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 12:58 | Sábado, 23 de janeiro de 2010
    Re: ALERTA: CLONE MEU    Ver comentário
Kinikós (seguir utilizador), 2 pontos , 14:02 | Sábado, 23 de janeiro de 2010
    Re: ALERTA: CLONE MEU    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 16:14 | Sábado, 23 de janeiro de 2010
    Re: ALERTA: CLONE MEU    Ver comentário
Kinikós (seguir utilizador), 2 pontos , 19:38 | Sábado, 23 de janeiro de 2010
    Re: ALERTA: CLONE MEU    Ver comentário
Kinikós (seguir utilizador), 2 pontos , 20:11 | Sábado, 23 de janeiro de 2010
Sociedade
a_Lunatica (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 13:02 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
Aqui está uma boa polémica.
Quem tem uma licenciatura é "doutor", por isso é que somos o país dos "doutores", onde estes indivíduos são salientados perante a sociedade.
Um exemplo muito básico:
Se eu inscrever um filho/a na escola e se for "doutora" ele fica na turma da classe média/alta, mas se eu disser que sou uma reles empregada de balcão, ele já fica na turma dos repetentes e indisciplinados!
Portanto, com um exemplo tão básico quanto este, nada do que está escrito neste post me admira!
Nos EUA os Doutores são os médicos, e mesmo assim eles não são tão merdosos quanto nós com os estatutos!
 
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MUNDO CLEPTOMANÍACO (seguir utilizador), 2 pontos , 15:38 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
O poder das fardas
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 18:47 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010

Apetece-me acrescentar um episódio similar...

Quando regressei à comunidade do Expresso, depois de alguns anos de ausência, preenchi o meu perfil de utilizador. Foi com naturalidade, portanto, que indiquei a minha profissão.

Tanto bastou para que, passados poucos dias, tivesse um certo moralista em cima de mim, a tecer comentários pouco abonatórios sobre a minha pessoa e a lamentar-se quanto ao facto de fazer o que fazia.

Não tardou muito e o dito cujo já subia pelas paredes das "salas" do Expresso Online, aos gritos que queria saber onde exercia eu a minha actividade. Que queria saber o local e o nome da instituição onde trabalho.

Para esse moralista (dou um prémio a quem acertar na identidade do dito cujo), bastou a minha "bata" para começar a "panicar".

Julgam os meus caros e estimados colegas que passei a ser "dona de casa" por mero acaso?

:-))
 
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    Re: O poder das fardas    Ver comentário
AnaD (seguir utilizador), 1 ponto , 13:27 | Sexta feira, 22 de janeiro de 2010
    Re: O poder das fardas    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 20:06 | Sexta feira, 22 de janeiro de 2010
    Re: O poder das fardas    Ver comentário
AnaD (seguir utilizador), 1 ponto , 21:47 | Sexta feira, 22 de janeiro de 2010
    Re: O poder das fardas    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 13:10 | Sábado, 23 de janeiro de 2010
sou a rosa e gostava de ter um clone
Rosa Engeitada (seguir utilizador), 2 pontos , 23:46 | Sábado, 23 de janeiro de 2010
se algum dos senhores tiver um clone que não queira eu fico com ele e nem imaginam o jeito que me daria olhem por exemplo para o cajó quando me viesse chatear com o truca laruca habitual e toma leva o clone e sempre que o patrão viesse com o ó rosa é preciso e nem o deixava acabar toma outro clone e olhem por exemplo a dona zélia do quinto esquerdo começou a viver com uma clone e são as duas igualzinhas e andam sempre juntinhas que até parecem aquelas gémeas que nascem já agarradinhas e se repararam eu agora escrevo com muitas inhas porque me disseram que era mais fino e voltando aos clones é que eu vou ter com o cajó que está nessa coisa de erasmus e vou viajar na isijete mas depois se quiserem escrevo a contar a viagem mas a questão do clone é para deixar cá em casa na minha ausência e portanto o senhor paulo pedroso se quiser envie o seu clone que para o serviço doméstico deve servir e muito obrigado
 
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É a segurança que temos
nao tento (seguir utilizador), 1 ponto , 12:33 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
Meu caro Hugo Franco, o Sr. coloca em causa algumas situações para as quais já tenho alertado, por diversas vezes, nos locais próprios.
Não tenho nada contra médicos, engenheiros , etc, mas certas profissões são determinantes para se fazer praticamente tudo sem ter que dar qualquer satisfação. Não vale a pena falar da classe politica pois essa ultrapassa todos os limites.
A falta de segurança que todos nós sentimos no dia a dia, é mais que evidente embora os responsáveis por esta pasta nos continuem a dizer que está tudo bem.
Chegará o dia em que as pessoas resolvem passar por cima de tudo e de todos com violência, armas, etc.
Só espero nessa altura já não fazer parte deste mundo cão.
 
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Juizes, policias e multas.
Samm (seguir utilizador), 1 ponto , 13:44 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
O verdadeiro poder de uma farda, de um nível académico ou profissional não é o acesso literal a zonas interditas ou exclusivas. A minha preocupação não é tanto a segurança para a auto-determinação que os "doutores" são melhores que as pessoas sem o mesmo grau académico, prestando uma espécie de vassalagem subserviente, contrária ao que seria natural.

O tratamento diferencial é sobretudo instituido por quem mais "abaixo" está na sociedade, como se existisse um defeito genético, herdado da época feudal, que estabelecesse um costume (prática reiterada com convicção de obrigatoriedade) que obrigasse a uma diferença de tratamento entre as várias classes sociais.

No entanto existem inúmeras histórias em que se passa o contrário. Não são os "camponeses" a prestar vassalagem voluntariamente, mas os "doutores" que se consideram merecedores de tratamento diferente, motivados pela referida prática reiterada.
Conheço uma situação em que, à porta de um tribunal, um polícia decidiu multar um carro mal estacionado. O subserviente oficial de justiça, ao se aperceber da situação, prontamente informou o agente que o carro em questão era de um juiz. Sem contemplações, o polícia continuou a preencher a multa, obrigando o subserviente oficial a chamar o juiz em pessoa. Altivo e autoritário, o juiz voltou a informar que aquele carro era seu, imediatamente pedindo a identificação do agente. Infelizmente não conheço o final da história, mas gostava de acreditar que o polícia multou o juíz...
 
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    Re: Juizes, policias e multas.    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 22:08 | Sexta feira, 22 de janeiro de 2010
Pois é... "o hábito faz o monge"
afonso aguiar (seguir utilizador), 1 ponto , 15:04 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
" O hábito faz o monge" é um velho aforismo,não sei se popular ou não.
Há que respeitar "a sabedoria de experiência feita" e concluir é assim,sem atribuir incúrias a ninguém.
Eu,pessoalmente,sempre tive dúvidas de interpretação deste aforismo.a interpretação nunca me pareceu linear,porque se "o hábito" for a veste,funciona geralmente(enfim...Não há regra sem excepção) e se "o hábito" for os costumes,também faz sentido.
Esta coisa de sabedoria pragmática de "monges"sempre me pareceu algo de dúbio:é que a análise semântica e literal do aforismo dá "para os dois lados".
Eu confesso que prefiro que "o hábito" signifique os costumes.
Mas a outra versão é mais prática e lucrativa pelo menos em termos imediatos.
 
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A beca e a toga em mãos limpas.
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 15:41 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
A beca e a bata na boa tradição identificam e qualificam quem assim se apresenta.E se o comum dos cidadãos leva a sério esse hábito é porque acredita no saber e na honestidade de quem as veste.A saúde e a Justiça são assim valores que importa estar em boas mãos,limpas de interesses pessoais e ao serviço do bem comum.
 
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outro desafio
Lopes02 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:23 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
e que tal vestir também um fato-macaco, e entrar numa siderurgia, ou vestir um conjunto de roupa normalmente usado por trabalhadores da construção civil, e entrar nos devidos locais e agir de igual forma ?

boa ideia também, não acha ?

o que o senhor fez, nada me surpreende. Não porque eu ache que a segurança é fraca em determindos locais, mas porque o ser humano "reage" muitas vezes tendo em conta a percepção visual.

Vejamos:

por alguma razão as diferentes profissões que se exercem nos hospitais têm farda diferente.

portanto facilitar a comunicação.

por alguma razão o fardamento dos militares passa por os tornar invisiveis aos olhos dos inimigos.

dificultar a comunicação.

...

O que este senhor fez, na minha opinião, foi desrespeitar as "normas" de vivência.

se eu for ás compras num fato de chuva, vou dar nas vistas .... que novidade não é ?

o mesmo passa por esta "experiência".

por alguma coisa o ladrão se "veste" de negro.

há cores ás quais a visão humana reage mais.

portanto se atribuimos uma farda a uma determinada posição social ou laboral, é algo perfeitamente normal e que deve ser respeitado e não vulgarizado.

A farda serve para uma fácil comunicação, polícias, gnr's, profissionais da área de saude, profissionais de cozinha, profissionais de limpeza ...

enfim...

desculpem se não fui de fácil esclarecimento.
 
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Democracia à Portuguesa
ANPICAPA (seguir utilizador), 1 ponto , 18:33 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
É assim que funciona a democracia em Portugal. Rápida e em força. Seremos o país cuja democracia é de"Portas Abertas" e que já levamos um avanço em relação a outras mais velhas, mas que entretanto foram ultrapassadas por nós. É ver como há dois anos entrou em vigor o Codigo Penal e presentemente já está a ser renovado!...Lá altas inteligencias neste pais não faltam. É pena que não se exportem, masd pelos vistos ninguém as quer, nem de borla. Ao que este pobre pais chegou!...
 
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Hugo Franco
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:35 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
Meu caro estamos em Portugal, onde é que pensava que estava?
 
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Liberdades
Tiroli (seguir utilizador), 1 ponto , 2:32 | Sexta feira, 22 de janeiro de 2010
Se a liberdade em Portugal não fosse do tipo da que presentemente existe no Haiti, o sr. jornalista arranjaria uma big headache.
No pais onde vivo ele podia vestir o que quisesse e fazer-se passar por quem quisesse. Só que quando fosse descoberto ( se viesse a ser ) ele tinha que justificar o seu procedimento. Certamente que depois disso ele não repetiria a aventura.
Não quero com o meu comentário minimizar o desleixo que existe em Portugal, talvez produto vindo do odor dos cravos.
Mas como aqui alguém escreveu, seria bom que agora o sr. jornalista se vestisse de varredor, mecânico ou qualquer outra profissão.
 
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lusofora (seguir utilizador), 1 ponto , 13:29 | Sexta feira, 22 de janeiro de 2010
Apoio
ileugim (seguir utilizador), 1 ponto , 10:06 | Sexta feira, 22 de janeiro de 2010
Foi assim, disfarcado que o escritor Alemao Günter Wallraff, descobriu a careca a muitos. Disfarcado de Turco trabalhou nas limpezas das centrais atomicas na Alemanha, as quais eram feitas por Turcos vindos expressamente da Antalya, para executar esses trabalhos perigosos sob condicoes desumanas, ou entao quando fez de cobaia para a industria farmaceutica. Apoio este tipo de jornalismo que remexe nos bolores Instituicinais.
 
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Em relação aos "canudos"
JCCC (seguir utilizador), 1 ponto , 12:57 | Sexta feira, 22 de janeiro de 2010
Uma vez, em trabalho, assisti a um evento onde discursaram diversos oradores especializados em diversas vertentes profissionais e que tinham a ver com o tema em discussão.

Sempre que se chamava o orador, este era anunciado como "fulano de tal", licenciado em tal... pós-graduado... mestrado... etc.

A dada altura, foi chamado um individuo de idade mais avançada que, não tendo grau académico condizente com os restantes colegas, explicou-se, algo constrangido, dizendo que só tinha a 4ª classe mas que tinha uma larga experiência...

Foi então que, a seguir ouvi por parte do orador seguinte uma frase que retive por achar bem pertinente:
Disse ele:
-"Não se preocupe o colega dorador, porque mais importante que o papel que embrulha o rebuçado, é o próprio rebuçado."
 
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Os "CANUDOS"
cela4 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:50 | Sábado, 23 de janeiro de 2010
Já tenho setenta e dois e o meu Avô (analfabeto) me dizia, meu neto «Um burro carregado de livros é dr.)!!!
2010!!! Alguma coisa mudou?
 
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