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Num mundo chinês, a Alemanha precisa de nós

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
8:00 Terça feira, 13 de dezembro de 2011

VI. (continuando ). Ora, já existe o elemento que consagra o acordo constitucional entre o pólo mais forte (alemães) e os pólos mais fracos (nós, os outros europeus). Esse elemento constitucional chama-se Moeda Única e o respectivo PEC. As pessoas têm memória curta, e por isso já se esqueceram do seguinte encadeamento histórico: a reunificação da Alemanha (1990) causou uma onda de pânico na Europa; Thatcher e Mitterrand quiseram bloquear a reunificação alemã; a consumação da Moeda Única é filha desse medo provocado por uma Alemanha reunificada. Portanto, no meio do atual ruído técnico e económico, não podemos esquecer que o Euro é o resultado de um trade-off constitucional entre Berlim e a Europa: a Alemanha abdicou do Marco, e, em troca, o resto da UE aceitou cumprir um conjunto de regras germânicas (PEC). Este é o acordo político que rege a vida da UE. Neste sentido, as novas exigências alemães (ex.: limites constitucionais à dívida) devem ser entendidas como um aprofundamento da ordem constitucional já existente entre Berlim e as restantes capitais. Na relação entre Alemanha e Europa, estamos a assistir a uma mudança de grau e não de natureza. Um pormenor pormaior.

VII. Esta dimensão política da nova "questão alemã" é ainda reforçada por um dado que fica sempre esquecido: o emancipado eleitorado alemão. No passado, o eleitor alemão calava-se, e passava o cheque. Hoje, o eleitor alemão ainda passa o cheque, mas exige condições. E ainda bem. Em 2011, a Europa não podia continuar a ser construída em cima do fantasma de Hitler. A Europa de 2011 não podia ser edificada no desrespeito pela democracia da Alemanha. Quando impõe condições aos outros Estados, Merkel está a gerir - precisamente - a democracia alemã, isto é, está a gerir as percepções dos cidadãos germânicos, que começam a ficar irritados com o Euro e com a UE (um perigo). Ou seja, Merkel está a tentar construir um cenário que torne impossível o regresso da Alemanha ao Marco (um perigo mortal).

VIII. Em Portugal, muitos dizem que o nosso país estaria melhor fora do Euro. Pois, de facto, o acordo político em redor do Euro dizia respeito à Europa central, dizia respeito à Alemanha e aos suas vítimas clássicas, sobretudo França e Benelux. Sim, Portugal podia ter evitado a entrada no Euro. Mas agora é tarde. Depois, muitos pensam que a Europa - no seu todo - estaria melhor sem o Euro. Na resposta, voltamos a frisar um ponto: agora é tarde. Além disso, uma UE sem o Euro seria mais violenta para os países pequenos. O Euro institucionaliza o poder da Alemanha. Uma Alemanha com o Marco seria mais poderosa do que esta Alemanha do Euro. Sem o Euro, Berlim projectaria o seu poder de forma mais imprevisível. O Euro obriga a Alemanha a lutar com luvas no ringue da UE. Se Berlim tirasse as luvas, a coisa ficaria - literalmente - mais negra e caminharíamos para um futuro imprevisível e para o qual não teríamos bússola. Nós, europeus, precisamos desta ordem constitucional dentro da Europa. 

VIII. E também necessitamos deste envelope institucional fora da Europa. A Alemanha é demasiado grande para a Europa, mas é demasiado pequena para um mundo com a China, a Índia e os EUA. Portanto, a Alemanha devia saber que precisa dos restantes Estados europeus. E o resto da Europa devia saber que necessita da Alemanha para enfrentar este mundo pós-europeu inaugurado em 1956.
Palavras-chave  Mundo Pós-Europeu, Alemanha, Blogues
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Política global
moncarapacho (seguir utilizador), 2 pontos , 9:08 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
No conjunto dos dois artigos escolhe-se uma linguagem um pouco hermética para dizer que a UE é necessária para dar dimensão à Alemanha, no concerto dos novos centros de poder que se desenham.Revela um certo receio de uma Alemanha deixada só e defende a necessidade recíproca da Alemanha dominadora e dos seus acólitos europeus.

No âmbito europeu e a médio prazo , UE(com Alemanha no comando) e Rússia serão os dois grandes centros de poder. Terão que ombrear com o bloco anglo-saxónico (UK ,USA,Austrália,Canadá), com os 2 monstros asiáticos (China,Índia) e , numa segunda fase com Brasil e África..

Quanto a nós, já estamos a UE e não há opção de não continuar.
Numa fase anterior podíamos pensar em activar a nossa velha aliança com UK,os nossos interesses no Atlântico e candidatar-mo-nos ao bloco USA/UK.

Alguns poderão pensar "quem te manda a ti sapateiro, ir além da chinela" mas , neste tipo de foruns, são admissíveis algumas liberdades.
 
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Num Mundo Chinês, a Alemanhã precisa de nós
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:00 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
O valor dos fundos de pensões da banca que o Estado vai arrecadar este ano - no montante de 3,3 mil milhões de euros - vai ter que ficar parado, pelo menos, até Fevereiro de 2012, data da próxima visita da «troika» ao nosso país.

De acordo com o «Jornal de Negócios», o «congelamento» do dinheiro foi uma das condições impostas pelos representantes internacionais em troca do «OK» à operação.

Daqui a dois meses, quando os membros da troika voltarem a Portugal deverá ficar definido como vai ser aplicado o montante, sendo que já está definido que metade do dinheiro será utilizado para pagar dívidas a fornecedores do Ministério da Saúde e comprar créditos concedidos pelos bancos a empresas públicas e ao próprio Estado, durante os primeiros seis meses do próximo ano.
Agência Financeira

Nota: Uma prova da perda de soberania.
 
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Um Euro sem o Marco talvez fosse hoje melhor
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 10:39 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
Portanto, e respondendo ao meu sentimento de ambiguidade de ontem, trata-se de uma alteração dos actores da ordem constitucional sem a pôr em causa, com uma nuance, é um processo que já vem desde a fundação do Euro ("a mudança de grau" a que se refere).

Permita-me uma interpretação diferente sobre alguns aspetos do seu texto: Países fortes e bem sucedidos como a Grã-Bretanha e a Dinamarca se mantiveram fora do Euro e isso não produziu nenhum descalabro na construção Europeia ou nos próprios países (se excluirmos a presente crise). Apresentar o PEC como preço a pagar para ter no barco do Euro, a Alemanha, implica acreditar que não podia haver Euro sem o Marco. Talvez se acreditasse. Francamente, acredito hoje o contrário. As melhores comunidades não apresentam diferenças esmagadoras entre os seus constituintes. É curioso que numa onde elas há, se culpe mais facilmente os fracos de o serem (como se fosse uma doença) do que os fortes de o serem (talvez porque todos queiramos ser fortes). Nos tempos mais recentes, este ponto de vista tem sofrido alguns críticas públicas, talvez porque algumas vozes públicas de antigamente já não sejam tão fortes como antes e se vejam agora no outro lado: o Ocidente se apercebeu de repente que manter numa comunidade alguém muito forte pode agir contra a estrutura esta. É assim que recentemente já se propunha não só penalizar défices excessivos mas também superavits excessivos. Um Euro sem o Marco talvez fosse hoje melhor.
 
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Re: Num mundo chinês, a Alemanha precisa de nós
a_Razao (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 11:09 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
Dois artigos, com linguagem semi-tecnocrata, complicada q.b., para que o julguem um Douto altamnete qualificado e de impossivel contestação, para no final, não passar de um instrumento de passagem da mensagem exigida pela política de PPC, PSD e de toda a Direita subserviente:

«A Alemanha é grande, e por conseguinte, toda poderosa à qual temos de nos vergar.»

Não, HR; embora todos precisemos uns dos outros, nós não precisamos desta Alemanha. Ela é que necessita de nós, para poder ir arrecadando mais uns Euros.
O Euro foi o instrumento para um melhor domínio da Europa. Acabar com o Euro, é acabar com esta Alemanha. E, possivelmente, será o melhor para todos: independência econó,ica e política, para todos os Estados.
 
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    Re: Num mundo científico, a URSS precisava dos...    Ver comentário
José Pasternak (seguir utilizador), 1 ponto , 22:02 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
    Re: Num mundo científico, a URSS precisava dos...    Ver comentário
a_Razao (seguir utilizador), 1 ponto , 20:09 | Quarta feira, 14 de dezembro de 2011
    Re: Num mundo científico, a URSS precisava dos...    Ver comentário
José Pasternak (seguir utilizador), 1 ponto , 13:45 | Quinta feira, 15 de dezembro de 2011
    Re: Num mundo científico, a URSS precisava dos...    Ver comentário
a_Razao (seguir utilizador), 1 ponto , 20:21 | Sexta feira, 16 de dezembro de 2011
    Re: Num mundo científico, a URSS precisava dos...    Ver comentário
José Pasternak (seguir utilizador), 1 ponto , 20:58 | Sexta feira, 16 de dezembro de 2011
Re: Num mundo chinês, a Alemanha precisa de nós
juxpot (seguir utilizador), 1 ponto , 9:30 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
Eu preferia bem mais que o nosso Herr Raposo, ao invés de andar a cantar hossanas à chanfana de Bona, dedicasse antes algumas linhas coisas tão comezinhas como, por exemplo, a temática do pagamento das SCUT, ou a execrável forma como grupos privados utilizam, com o beneplácito desta gentinha que nos governa, a máquina fiscal e um empresa de capitais maioritariamente publica para cobrar créditos que detêm perante terceiros.
 
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    Re: Peça ao tovarich Daniel!...    Ver comentário
José Pasternak (seguir utilizador), 1 ponto , 19:55 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
Re: Num mundo chinês, a Alemanha precisa de nós
Manuel Jacinto111 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:12 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
O que tu queres sei eu...
 
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O Poder do Povo alemão
Borrifador (seguir utilizador), 1 ponto , 11:16 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
O que mais impressionou os GI's americanos que ocuparam a Alemanha de Hitler foi como um "pequeno" pais (Mais pequeno que o estado do Montana) tinha conseguido manter uma guerra com os quatro maiores países do mundo durante 6 anos.
 
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    Re: O Poder do Povo alemão    Ver comentário
José Pasternak (seguir utilizador), 1 ponto , 14:56 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
    Re: O Poder do Povo alemão    Ver comentário
FP45 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:26 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
TOO BIG OR TOO SMALL
Olisipone (seguir utilizador), 1 ponto , 12:17 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
Se é verdade que a reunificação alemã fez tremer algumas capitais e talvez tenha acelerado a introdução do Euro, na realidade os receios de Miterrand não se verificaram na medida em que a Ex-RDA continua a ser um peso morto na economia da Alemanha reunificada (ver: Germany's Disappointing Reunification - How the East was Lost, spiegel.de/international/germany/0,1518,703802,00.html).

ALIÁS, não é por acaso que Merkel vem da Ex-RDA e Schlaube era Ministro do Interior no momento da Reunificação, e conduziu uma boa parte do processo, pois existem algumas semelhanças com a situação actual.

Mas Schlaube, precisamente, contesta que o Euro tenha sido a contrapartida da Reunificação (ver: The Price of Unity
Was the Deutsche Mark Sacrificed for Reunification? spiegel.de/international/germany/0,1518,719940,00.html).

PELO CONTRÁRIO, o Euro salvou a Alemanha oferecendo-lhe o mercado europeu, pois o Marco teria afundado (como ia acontecendo em 1993) com os custos da reunificação. E perdera 70% do seu valor desde o fim da 2ª Guerra.

PARA NÓS, o PERIGO MORTAL é o facto de utilizarmos A MESMA MOEDA QUE A ALEMANHA!!! Como diz Raposo, "o Euro institucionaliza o poder da Alemanha".

E se a Alemanha é demasiado grande para a Europa, PORTUGAL É DEMASIADO PEQUENO PARA O EURO!!!
 
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a História vai repetir-se ?
A.S.Duarte (seguir utilizador), 1 ponto , 14:34 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
Após estas teorias de H.R. que quer fazer jus à sua licenciatura em História e o mestrado em relações internacionais, que dizer? Que é uma análise pessoal,a partir de conceitos pessoais e que não aquece nem arrefece. Transposto para a o futebol, é teoria de treinador de bancada com benefício para o analista que, com um espaço á sua disposição se vai exercitando e impondo uma presença na matéria.
          Direi apenas que a esta ascensão do protagonismo alemão poderá não ser alheia uma possível "vingança" pós século XX e as derrotas nos dois maiores conflitos armados dessa época,em solo europeu. E se à 1ª Guerra se seguiu um período de afirmação nacionalista e ditatorial a pretexto da humilhação sofrida pelo País perante os vencedores e que veio a culminar no horror da 2ª e uma nova derrota militar e política, será que isto tudo é um prenúncio de uma repetição da História? Como ficou demonstrado esta,por vezes, repete-se. Embora não acredite nestes cenários que poderão, contudo, equacionar-se também num mero exercício teórico, igualmente como treinador de bancada tenho o direito a dar a minha opinião. Que também não aquece,nem arrefece...
 
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Uma análise lúcida
FernandoMaria (seguir utilizador), 1 ponto , 15:04 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011

Parabéns, Sr. H. Raposo.
Eu também preferia que nos tivéssemos mantidos no escudo e na continuação da nossa obra ultramarina.
Mas agora, uma vez que entrámos na Europa e na moeda única, como bem observou, há que fazer o melhor nesta nova situação.
A obra ultramarina?
Sim, há-de continuar se Deus quiser.
Agora em conjunto nesta actual CPLP.
Uma obra que a Igreja começou há mais de meio milénio.
E que deve ser melhor estudada e continuada por nós.
Se possível, por nós todos.
 
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Sonho...triste mas melhor que a alternativa...
Fastrabbit (seguir utilizador), 1 ponto , 16:34 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
Mais uma crónica sobre a Alemanha e a crise...nada de novo.
Na minha humilde opinião vislumbro uma ligeira semelhança com a situação da Alemanha entre 1860 e 1880. A actual Alemanha será a antiga Prússia e o Sul da Europa serão os estados alemães do Sul. Angela Merkel será Bismarck e os Governos da Europa do Sul, (e não só), serão os monarcas dos estados do Sul da Alemanha. A França será o estado da Baviera e a actual Inglaterra fará o papel da França de Napoleão I.

Espero que o resultado seja semelhante. Não o digo com agrado, prestei serviço no CTAT durante 10 anos, e a nossa Bandeira ou o nosso Hino são para mim especiais. Mas quando o nosso povo é incapaz de exigir governantes decentes e quando os nossos governantes foram o que sabemos desde o 25/04 não merecemos mais que isto.
 
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O enterro do Euro é próximo.
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 18:05 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011


Fomos enganados.

Lançaram o slogan: "Necessitamos duma moeda única, necessitamos do Euro para contrastarmos o dólar". Que mentira!

E fomos enganados.

Mesmo uma criança de 5 anos e tonto teria percebido que se tratava dum truque, que nos tinham armado uma armadilha. Uma armadilha que, de qualquer forma, devia ser justificada a tal ponto que procuraram palavras adequadas para dar a entender que esta operação não podia ser adiada.

E agora quem tem a capacidade de anular estes prejuízos, estas maçadas?

Ninguém!

Pode ser que nós acordamos uma manhã e tudo está mudado, estaremos num mundo que não é nosso, num mundo selvagem e invertido.
   
O euro está em coma e o seu fracasso é mui próximo.

Vamos preparar-nos para o enterro e a derramar lágrimas de sangre.

Quem quis tudo isto, está rindo como um louco.

                      ἄѵϑος
 
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porreiro
anti-r (seguir utilizador), 1 ponto , 23:11 | Terça feira, 13 de dezembro de 2011
mas eu não sou chinês.....e em Portugal nunca houve os prometidos referendos, o povo sempre foi tratado como burro e agora paga as favas e os culpados das desgraças reinam..
 
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