Ainda há pouco chegou mas o novo submarino que custou 500 milhões de euros a Portugal já está no estaleiro. Um problema verificado com a fixação das placas de revestimento do "Tridente" fizeram-no baixar nos últimos dias às oficinas, no cais do Alfeite, onde está a ser reparado por técnicos alemães.
Em causa estava a possibilidade de uma das placas, no caso a que reveste a torre do submarino, poder soltar-se. Esta classe de submarinos é revestida com placas de GPR (glass reinforced plastic). O problema é o mesmo que afetou os submarinos gregos, semelhantes ao "Tridente", e, segundo fonte oficial, já era conhecido da Marinha, que o tinha detetado durante os testes.
"O problema não foi corrigido há mais tempo porque não oferecia perigo algum e não comprometia a segurança", disse ao Expresso o comandante Santos Fernandes, chefe das Relações Públicas do ramo. A deficiência relaciona-se com a fixação da placa de revestimento exterior, uma espécie de 'capa' em material plástico que envolve o casco em aço do submarino e que lhe confere a forma hidrodinâmica para cortar as águas. "O pior que poderia acontecer era parte desse material soltar-se e o navio, por exemplo, em vez de navegar a 20 nós, fazê-lo a 17", explicou o oficial.
Corte alemão
Pelo que se sabe, a Marinha já tinha constatado a falha, mas só agora foi possível calendarizar a sua correção com os técnicos alemães que vêm a Portugal fazer a manutenção, que se reveste de alguma complexidade. "É um tipo de problema só possível de detetar em testes reais, quer dizer, em condições operacionais e num meio mais desfavorável como é o Oceano Atlântico", referiu uma fonte da Marinha. "É o chamado teste da realidade".
A solução encontrada pelos alemães passa pelo corte das placas em pedaços mais pequenos de forma a aumentar a resistência
A avaria detetada não impediu ainda assim o "Tridente" de navegar desde que chegou a Portugal, em agosto, tendo somado mais de 90 dias de mar. No final de janeiro, deve voltar novamente a operar, apurou o Expresso.
Garantia à deriva
O "Tridente", que foi recebido provisoriamente em junho de 2010, tem ainda um ano de garantia e, durante este período é sujeito a um programa de navegação muito intenso, que "puxa pelo detalhe". "Queremos testá-lo em mar aberto, nas nossas águas, que são muito mais adversas do que as do Báltico", explicou um oficial da arma. Durante esse tempo, todas as avarias ou deficiências são corrigidas a custo zero pelos estaleiros em manutenções periódicas e é normal, segundo diz fonte oficial, que um sistema de armas tão complexo e sofisticado como um submarino acuse os mais variados problemas - o que efetivamente parece ter acontecido.
No fim desse período, tal como outros veículos, o submarino será submetido a uma grande revisão em doca seca e só então será recebido em termos definitivos.
A deficiência é, pois, de origem e já será corrigida também no segundo submarino, o "Arpão", que ainda está em fase de testes na Alemanha. Portugal tomou posse deste submarino a 22 de dezembro, na Alemanha, mas só deverá chegar a Portugal no início da primavera.
A Marinha adiantou que os estaleiros HDW propuseram um acordo de melhoria do modelo português (209NP), que permite que os avanços que no futuro esta classe de submarinos tenha sejam aplicados nos navios portuguses, sem custos adicionais.
Texto publicado na edição do Expresso de 15 de janeiro de 2011