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Fernando Barriga
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10:00 Terça feira, 14 de outubro de 2008
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Uma equipa de investigadores portugueses participou durante o mês de Julho numa missão oceanográfica no Oceano Árctico, a cerca de 75ºN. que foi coroada de êxito.
A missão, da qual fizeram parte dois investigadores do MNHN, tinha dois objectivos principais. O primeiro, a pesquisa de um novo campo hidrotermal, indiciado por trabalhos anteriores na região, que detectaram anomalias na composição da água do mar possivelmente causadas por actividade hidrotermal.
Descobriu-se -se efectivamente um enorme campo hidrotermal, a cerca de 3000 metros de profundidade, com uma dúzia de grandes chaminés activas, produzindo fluido negro a temperaturas próximas de 300ºC e povoado por fauna diferente quer da fauna dos campos hidrotermais atlânticos quer dos do oceano Pacífico. Estas descobertas vêm trazer novas pistas de investigação científica, pelo inesperado que as rodeia. Com efeito, a actividade vulcânica (e magmática em geral) no Árctico é a mais baixa de todos os oceanos, pelo que se presumia que os campos hidrotermais deveriam ser modestos. Provou-se que não é assim.
Também a natureza da fauna é inesperada e interessante, pois mostra que não só a colonização dos campos hidrotermais não se propaga através do Árctico, como, pelo contrário, existem comunidades de tipo novo.
O campo hidrotermal foi baptizado "Loki's Castle" (O Castelo de Loki) em homenagem ao deus nórdico Loki, irmão de sangue de Odin, conhecido pela sua capacidade de ocultação. O segundo objectivo da missão oceanográfica foi a visita a um outro conjunto de campos hidrotermais, junto à ilha de Jan Mayan, descoberto em 2005, e no qual foram recolhidos instrumentos de medida que lá se encontravam há dois anos, acumulando medições.
Os cientistas portugueses dispõem agora de amostras de sedimentos, de rochas e de materiais das chaminés hidrotermais para nelas realizarem estudos que incluem a sua composição química e mineralógica e suas relações com a população de micróbios que vive no interior dos sedimentos, bem como a caracterização das chaminés.
A equipa portuguesa, integrada num projecto europeu EuroMarc, dirigido pelo Centro de Geobiologia da Universidade de Bergen (Noruega), é constituída por Fernando Barriga e Álvaro Pinto, ambos do Museu Nacional de História Natural; Rita Fonseca, da Universidade de Évora; Ágata Dias, Jorge Relvas e Filipa Marques. Os seis investigadores pertencem ao Creminer, um centro de investigação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa integrado no Laboratório Associado ISR (Institute of Systems Research).
Nota
O conteúdo deste blogue é da inteira responsabilidade dos Museus da Politécnica (Museu de Ciência e Museu Nacional de História Natural).
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César Garcia
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10:32 Segunda feira, 11 de agosto de 2008
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César Garcia com o seu guia, Aurélio Espírito-Santo
Os briófitos são o segundo maior grupo de plantas terrestres. Quais as espécies mais ameaçadas e porque estão em risco? É o que está a ser investigado em S. Tomé e Príncipe.
Os briófitos que englobam os musgos, as hepáticas e os antocerotas, são organismos que apresentam uma elevada importância ecológica, especialmente em zonas tropicais, contribuindo significativamente para o ciclo da água e nutrientes, para a produtividade dos ecossistemas com a acumulação de biomassa e na sustentabilidade de toda a biodiversidade.
São extremamente sensíveis às alterações ambientais e as espécies das florestas tropicais são ecologicamente limitadas a habitats com uma elevada humidade, sendo extremamente vulneráveis à desidratação. São assim muito utilizados em estudos de continuidade ecológica e na delimitação dos andares altitudinais das montanhas.
Inserido num programa de Pós-Doutoramento financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e num Projecto de Investigação da FCT, a flora briológica do arquipélago de S. Tomé e Príncipe está a ser alvo de estudo por César Garcia, Cecília Sérgio e Manuela Sim-Sim, investigadores do Museu Nacional de História Natural/Jardim Botânico da Universidade de Lisboa e da Faculdade de Ciências da UL (Centro de Biologia Ambiental), com o apoio do Jardim Botânico do Bom Sucesso em São Tomé, da Universidade de Coimbra, da Universidade Autónoma de Madrid e do Instituto de Investigação Científica e Tropical.
É reconhecida internacionalmente a importância deste tipo de trabalhos para a obtenção de bases científicas para uma conservação sustentável de uma determinada região, especialmente em áreas extremamente sensíveis como é o caso do Parque Natural Ôbo.
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| Floresta com elevada cobertura de briófitos - Pico de São Tomé, ou Gago Coutinho |
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Este parque, apesar da sua reduzida dimensão quando comparado com outros em África, alberga as florestas melhor preservadas de todo o continente africano, segundo a ECOFAC, e é um dos locais mais importantes para a conservação da biodiversidade a nível mundial, segundo a WWF. Durante o século XIX e início do século XX passaram por este arquipélago diversos investigadores que colheram briófitos, F. Welwitsch (1853;1860), F. Newton (1883; 1887; 1888), F. Quintas (1888; 1889), J. Henriques (1903), A. Exell (1932; 1933), entre outros. Todo o material está armazenado em herbários de diversas instituições em todo o mundo.
É hoje uma excelente ferramenta de trabalho, pois a etiqueta de cada espécime apresenta normalmente o local antigo de colheita, possibilitando a sua georreferenciação. Pode-se assim comparar a flora do passado com a flora do presente, possibilitando estudar regressões na área de cobertura de uma determinada espécie, sendo muito importante esta informação especialmente para as espécies endémicas ou com uma distribuição conhecida muito reduzida.
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| Tronco do endemismo Homalium henriquesii (Quebra-Machado) coberto por briófitos do género Leucoloma |
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Quais os motivos que levam à regressão destas espécies? Esta regressão será motivada por alterações do uso do solo ou será motivada pelas alterações climáticas, que estão a provocar transformações na composição da flora em todo o mundo? São as respostas para estas perguntas que se pretende encontrar num futuro próximo.
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Natacha Mesquita e Maria Judite Alves
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16:41 Quinta feira, 17 de julho de 2008
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Natacha Mesquita no laboratório
O saramugo e a boga de boca arqueada já foram abundantes em Portugal, mas estão agora ameaçados. No MNHN investiga-se a variação dos padrões genéticos ao longo do tempo.
O Saramugo (Anaecypris hispanica) e a Boga-de-boca-arqueada (Chondrostoma lemmingii) são duas espécies de peixes de água doce (família Cyprinidae) endémicas da Península Ibérica. Apesar de no passado terem sido relativamente abundantes, as suas populações têm sofrido importantes reduções durante as últimas décadas, encontrando-se actualmente ameaçadas e listadas no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (ICN 2005) como criticamente em perigo (Anaecypris hispanica) e em perigo (Chondrostoma lemmingii).
Tendo por base a utilização de DNA antigo, um novo projecto está a ser desenvolvido no Museu Nacional de História Natural (MNHN) e no Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, com vista a analisar as reduções populacionais sofridas por estes peixes de água doce. Recorrendo-se aos indivíduos de ambas as espécies recolhidos e conservados durante os últimos 30 anos nas colecções zoológicas do MNHN, e através da utilização de técnicas de genética molecular, pretende-se investigar a variação dos padrões genéticos destas populações ao longo do tempo.
Este estudo vai permitir avaliar o impacto das reduções das populações de saramugo e de boga de boca arqueada sobre a diversidade e estrutura genética destas populações. O estudo vai ainda permitir analisar o efeito das alterações ambientais, quer de origem natural como de origem humana, sobre as populações naturais.
Para a sua necessária preservação nas colecções dos museus de história natural, os peixes são primeiramente fixados em formol e subsequentemente conservados a longo prazo em álcool. No entanto, a presença de formol nos tecidos dos especímenes a analisar acarreta bastantes dificuldades ao processo de extracção de DNA, sendo necessário a optimização de protocolos mais extensos, complexos e, ainda assim, com muito menor grau de sucesso.
Actualmente, de forma a obviar este problema, aos novos especímenes incorporados nas colecções do MNHN são retiradas pequenas porções de tecidos preservadas em álcool ou ultracongeladas, que são integradas na recém criada Colecção de Tecidos e ADN.
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Paulo E. Jorge e Paulo A. M. Marques
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17:51 Terça feira, 8 de julho de 2008
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Qual a origem das gaivotas que passam por Portugal? E qual o destino? No MNHN tenta-se responder a estas e outras questões para melhorar a compreensão sobre a migração das aves.
Alguns animais empreendem deslocações impressionantes, na procura de um equilíbrio entre condições climáticas favoráveis e disponibilidade alimentar. Entre estes animais, as aves migradoras são as mais estudadas, no entanto, muito ainda está por desvendar. Nomeadamente, no que se refere às rotas de migração das diferentes populações, aos locais onde invernam e à forma como se distribuem nestes locais.
Com o intuito de melhorar este tipo de informação, há alguns anos foram criados em diversos países da Europa projectos de anilhagem de aves migradoras com anilhas coloridas. Estas anilhas, fáceis de identificar com o recurso a binóculos, são colocadas nas patas das aves com um código de cores (cor da anilha versus cor dos caracteres alfa-numéricos) que identificam geralmente o país de origem e um código alfa-numérico, que identifica o indivíduo.
Com base na observação de anilhas coloridas em gaivotas de asa escura (Larus fuscus), investigadores do Museu Nacional de Historia Natural e do Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa tentam compreender os movimentos migratórios desta espécie, analisando de que forma a idade dos indivíduos e/ou o local de origem dos mesmos condicionam a escolha da rota de migração e dos locais de invernada.
A gaivota de asa escura é uma espécie comum em Portugal, especialmente durante os meses de Outono e Inverno, mas que escasseia durante o período de nidificação.
Os resultados até agora obtidos salientam que, apesar de a área de nidificação desta espécie abranger grande parte das zonas costeiras europeias - desde a costa Atlântica da Europa, passando pelo Mar do Norte e Mar Báltico até à Rússia - no nosso território mais de 80% das observações são referentes a indivíduos oriundos das ilhas Atlânticas.
Outro facto curioso é que apesar de, durante o período migratório, observarmos um boom de juvenis, no Inverno, os indivíduos presentes em Portugal são maioritariamente adultos, sugerindo a existência de estratégias de migração diferenciadas entre os indivíduos da mesma espécie e até da mesma população.
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Luis Azevedo Rodrigues
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18:50 Segunda feira, 7 de julho de 2008
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É socialmente reprovável cometer um deslize na História ou Literatura; mas é desculpável se se afirmar que no Marão existem pegadas de dinossáurio. Ou que o Jurássico é um título de um filme.
É lugar comum em conversas de café discutir-se pintura, música, literatura ou história. Emitem-se opiniões e confrontam-se gostos. Não se confundem tendências artísticas nem épocas históricas; arrumam-se os vários artistas nos movimentos e séculos respectivos. Beethoven foi influenciado na sua obra pelo papel histórico e social de Napoleão Bonaparte e não por Átila, o Huno. Picasso, apesar de o poder ter feito (como seria?), não pintou o tecto da Capela Sistina. Os Medici não patrocinaram a obra literária de Samuel Beckett. São exemplos, que roçando o absurdo, ilustram que a literacia artística e a histórica tem um papel nos actos sociais.
O mesmo não acontece com a literacia científica. É socialmente reprovável se alguém comete um dos deslizes atrás mencionados; mas é desculpável se se afirmar que no Marão existem pegadas de dinossáurio. Ou que o Jurássico é um título de um filme. Ou, ainda, que o Homem é o píncaro da Evolução. As obras de arte exercem em nós o despertar de emoções mas queremos sempre complementá-las com um background de conhecimento (quem fez, quando fez, etc.). As duas componentes completam-se, permitindo o desfrutar de mais completo da Obra. Ou não, dirão alguns puristas... Utilizo duas realidades - obra de Arte vs Paisagem Natural - para sublinhar que a Cultura Científica, em geral, e a História Natural, em particular, não têm uma tão forte influência como outras áreas do conhecimento. Nunca fui ao Grand Canyon. No filme homónimo de Lawrence Kasdan, aquele é utilizado como a manifestação telúrica da insignificância do Homem, temporal e física. Devido à minha formação científica e vivência pessoal, reconheço que essa maravilha da morfologia geológica tem um efeito tremendo em quem a observa pela primeira vez. Qualquer um, diante daquele enorme desfiladeiro, sente que tudo é relativo. Insignificante. E gosta do que vê. E não esquece. Apesar do inquestionável prazer, provavelmente é "apenas" o fruir dos sentidos, não sendo mais completa a experiência devido à iliteracia científica do que se vê. Se o turista souber que as centenas de metros de altura de rochas que observa foram o resultado de milhões de anos de sedimentação geológica talvez o efeito seja diferente. Se souber que os sulcos quilométricos que ornamentam o grande desfiladeiro são o resultado da lenta erosão levada a cabo pelo rio Colorado ao longo de milhões de anos, talvez o deslumbramento fosse maior. Para apreciar algo de belo não é fundamental conhecer como se chegou até ele mas que ajuda o prazer, ajuda! O gozo que algumas obras de arte nos dão poderão não necessitar da Teoria; mas sem ela não a aproveitaremos por completo, ficando quase empurrados aos "Gostei ou não gostei". Analogamente, uma paisagem natural pode ser apreciada meramente ao nível imediatista. Mas a emoção que essa paisagem desencadeia em nós pode ser trabalhada pela educação científica. Melhor sentida? De certo melhor protegida. A literacia científica é fundamental como mais-valia para vermos e apreciarmos a Natureza que nos rodeia. E, já agora, de onde vem o nome Jurássico?
Luís Azevedo Rodrigues
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Maria Amélia Martins-Loução
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15:15 Quarta feira, 2 de julho de 2008
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Encontro da ENSCONET em Las Palmas
Maria Amélia Loução
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Como minimizar a perda da biodiversidade? Até 2010, deverão ser conservadas em banco de sementes 60 por cento das espécies vegetais. Desta meta falou-se no encontro da Rede Europeia de Conservação de Sementes.
A rede "ENSCONET", que se reuniu entre 16 e 24 de Junho em Las Palmas de Gran Canaria, é coordenada pelo Jardim Botânico de Kew (UK), e constituída por 24 instituições de 17 estados membros. Portugal está representado pelo Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural.
O objectivo desta rede é conservar a diversidade biológica em bancos de sementes para minimizar a perda da biodiversidade que se verifica actualmente. Dentro da rede ENSCONET há quatro áreas de desenvolvimento: colheita, conservação, estabelecimento de base de dados e divulgação. Cada participante contribui com a sua experiência para o desenvolvimento de protocolos que irão ser testados nas diferentes regiões biogeográficas europeias.
O Jardim Botânico possui uma infraestrutura moderna que permite a optimização da conservação de sementes a longo prazo de espécies selvagens da flora ibérica, mantendo-as viáveis para, posteriormente, virem a ser reintroduzidas no habitat, contribuindo para o aumento dos census populacionais de flora ameaçada ou para a recuperação de áreas degradadas. Actualmente, o Banco de Sementes possui mais de 1700 espécies, na sua maioria proveniente da área actualmente inundada pela barragem do Alqueva. Tem também contribuído, junto do público jovem, para a divulgação e sensibilização da conservação dos recursos genéticos vegetais. Esta divulgação tem sido feita no âmbito das oficinas pedagógicas que o Jardim Botânico oferece e das noticias publicadas na revista ENSCONEWS editada anualmente pela rede.
O fomento da conservação biológica de sementes é feito ainda através do intercâmbio de experiências entre laboratórios. Foi o que aconteceu a semana passada no Jardim Botânico com a visita de um especialista australiano, Luke Sweedman, do Jardim Botânico de Perth Kings Park. Durante 5 dias este investigador partilhou com diferentes técnicos e investigadores do Jardim Botânico as suas experiências sobre modos de colheita, realizadas nas Serras da Arrábida e de Sesimbra, e técnicas de conservação desenvolvidas no laboratório do Banco de Sementes do Jardim Botânico.
Esta actividade científica de conservação de sementes levada a cabo pelo Museu Nacional de História Natural contribui significativamente para os objectivos nacionais de conservação da biodiversidade e enriquece o património das colecções vivas do Jardim Botânico.
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12:22 Terça feira, 1 de julho de 2008
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Foto retirada de http://umjardimnodeserto.nireblog.com
A "desertificação" do Alentejo de que se fala nada tem a ver com a geologia da região. As condições climáticas não prenunciam que, nos próximos milhões de anos, o Sul do País se transforme num deserto.
Indo à origem da palavra, que nos chegou do latim, desertere, que significa abandonar, deserto apenas quer dizer desabitado de gente, ermo, e, portanto, inculto. Por exemplo, o Deserto Pintado, no Arizona (EUA), a seguir a escassos períodos de chuva que o atingem, revive numa explosão de cor e vida, que nega a ideia generalizada que o cidadão comum tem do deserto, um mar de areia com camelos e berberes e, algures, um oásis verdejante com palmeiras e um poço de água fresca.
O vínculo climático dado à palavra deserto resultou do facto de estas áreas, consideradas inaptas para a agricultura, dada a sua muito pouca pluviosidade, não atraírem as populações, ficando, por isso, desabitadas ou desertas. O deserto, no sentido geológico do termo, é definido como uma região de escassa pluviosidade, geralmente inferior a 500mm/ano, e forte evaporação, pouco favorável à ocupação vegetal, animal e, consequentemente, humana. Há desertos hiperáridos, áridos e semiáridos, uns quentes e outros frios.
A precipitação atmosférica no Sudeste do país encontra-se próxima deste limite, e esse facto está bem marcado, do ponto de vista geológico, pela ocorrência de calcretos (caliços, na linguagem popular) em vários pontos do Alentejo e do Algarve. Estas rochas, de natureza calcária, igualmente referenciadas, pelas mesmas razões climáticas, no Nordeste Transmontano, são conhecidas em muitos locais da Terra, sempre em relação com a subaridez temperada a quente.
Estas condições climáticas não prenunciam que, nos próximos milhões de anos, o Sul do País se transforme num deserto como o Sara ou outro, entre os muitos conhecidos. Ao falarmos em desertificação nesta parcela do território, estamos a voltar à raiz latina da palavra, isto é, ao abandono das terras pelos seus naturais. Saímos do domínio da Geologia, cabendo aos sociólogos e aos políticos a tarefa de a explicarem.
A. M. Galopim de Carvalho
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Fernando Barriga
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11:58 Quinta feira, 26 de junho de 2008
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Zona de operaçãoes da missão oceanográfica
Fernando Barriga
Como é a crosta oceânica no Ártico? E qual a população de micróbios no seu interior? Respostas a estas questões é o que espera obter a missão de investigadores do MNHN, que em Julho estará na região.
Uma equipa de investigadores portugueses, dois deles do Museu Nacional de História Natural, participa, durante todo o mês de Julho, numa missão oceanográfica no Oceano Ártico, a cerca de 75ºN.
A missão destina-se a estudos da crista oceânica na Crista Média Atlântica, num segmento (South Knipovich Ridge) onde a velocidade de alastramento do fundo é particularmente lenta (cerca de 0,2 cm/ano) mas onde, não obstante, foram descobertas fontes hidrotermais submarinas, a profundidades da ordem dos 2500 metros. A missão vai continuar a exploração da região, no sentido da preparação de uma futura expedição de perfuração do fundo, para se conhecer a crosta abaixo do fundo do mar, a população de micróbios que vivem no interior da crosta (a chamada biosfera profunda) e eventuais depósitos minerais.
O papel da equipa portuguesa no projecto (que envolve ainda equipas norueguesas e da Suécia, Suíça e França) será o seguinte:
1. estudar os minérios a descobrir, quer sob a forma de chaminés hidrotermais, etc, quer as partículas hidrotermais dispersas nos sedimentos;
2. Estudar os sedimentos química- e mineralogicamente, para detecção de condições favoráveis ao desenvolvimento da biosfera profunda e de sinais de actividade hidrotermal escondida sob os sedimentos.
A biosfera profunda, um dos principais objectivos do projecto, é uma das maiores descobertas da ciência das últimas décadas. Temos hoje a percepção de que a biomassa dos micróbios que constituem este verdadeiro submundo de "intraterrestres" é comparável à da biosfera convencional, facto de que não se tinha qualquer conhecimento há uma década.
A missão terá duas partes: na primeira, com início em Tromsø, no norte da Noruega, em 29 de Junho, participam Fernando Barriga (director do Departamento de Mineralogia e Geologia MNHN, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e coordenador da parte portuguesa do projecto) e Rita Fonseca, investigadora do Creminer LA/ISR e professora da Universidade de Évora; na segunda parte, com início a 18 de Julho (em Tromsø) e termo em 29 de Julho (em Bodø), participam Álvaro Pinto, técnico superior de Mineralogia e Geologia do MNHN, a ultimar o seu doutoramento no Creminer LA/ISR, e Ágata Dias também em fase final de redacção do seu doutoramento no mesmo centro. O Creminer (Centro de Recursos Minerais, Mineralogia e Cristalografia) é uma unidade de investigação da FCUL, integrada desde 2001 no Laboratório Associado Institute of Systems Research, e que desenvolve muitas actividades em parceria com o Museu Nacional de História Natural.
A missão decorrerá a bordo do navio norueguês G.O. Sars, um dos navios oceanográficos mais avançados actualmente em operação (ver detalhes no site "Institute of Marine Research") e utilizará um ROV (Remotely Operated Vehicle) ARGUS, para profundidades até 6000 metros, idêntico ao que está a ser adquirido pela Estrutura de Missão para Extensão da Plataforma Continental (EMEPC)´. Veja a notícia em baixo a notícia sobre a compra de ROV.
Nota
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