O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, afirmou na sexta-feira em Nova Iorque que acredita que a Grécia não entrará em incumprimento de pagamento da dívida nem sairá do euro.
Em entrevista ao canal de televisão norte-americano CNBC, concedida antes de o governo grego anunciar a sua aprovação do acordo imposto pela zona euro e respetivas medidas de austeridade para garantir um segundo resgate, Monti salientava a sua convicção de que aquele acordo estava "ao alcance" do país e evitará que o mesmo entre em incumprimento.
"Sei que esforços importantes estão a ser envidados por todos. Penso que um acordo é possível", afirmava Monti, considerando o acordo "importante para a Grécia e para a estabilização geral do mercado".
Os países da zona euro deram na quinta-feira à Grécia menos de uma semana para responder a várias exigências, designadamente para encontrar forma de poupar 325 milhões de euros, antes de conceder ao país um novo plano de ajuda.
Atenas terá também de concluir um acordo com os credores privados sobre os termos do perdão de parte da dívida pública.
O acordo aprovado esta noite deverá ser submetido a votação no parlamento no domingo.
130 mil milhões de euros
Sem um segundo empréstimo, de 130 mil milhões de euros, que está pendente desde outubro, a Grécia entrará em situação de incumprimento de pagamentos a 20 de março, dia em que tem de reembolsar títulos de dívida de cerca de 14,5 mil milhões de euros.
Entretanto seis elementos do governo grego demitiram-se de funções, rejeitando mais austeridade para o povo: a primeira foi a ministra do Trabalho, que se demitiu na quinta-feira, seguindo-se sexta-feira os ministros dos Negócios Estrangeiros, dos Transportes, da Defesa, da Marinha Mercante e da Agricultura.
O LAOS, partido de extrema-direita que saiu da coligação na quinta-feira, ocupa 16 dos 300 assentos parlamentares e, uma vez que o governo tem o apoio de 252 deputados, o primeiro-ministro Papademos mantém a maioria de que precisa para fazer aprovar o acordo.
Efeitos nos mercados vão demorar
Monti afirmou na sexta-feira que acredita que a Grécia não entrará em incumprimento de pagamento nem sairá do euro.
Por outro lado, o primeiro-ministro italiano realçou na conferência de imprensa que marcou o fim da sua visita aos EUA, que as "felicitações públicas e privadas pelos esforços de Itália [na resolução da crise da dívida] superaram as suas expetativas, especialmente por parte do presidente Obama, que tem naturalmente um papel como líder de opinião a nível internacional".
Mas, reconheceu, "é ainda muito cedo para saber se essas palavras amáveis serão seguidas de efeitos. Para os mercados isso vai demorar muito".