23/05/2012 atualizado às 6:57
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Moisés Espírito Santo: Mulheres "têm de conhecer consequências" de casamento islâmico

O Cardeal Patriarca cumpriu "um dever de informação" ao alertar as jovens portuguesas, defende o sociólogo das religiões, Moisés Espírito Santo.

13:55 Quarta feira, 14 de janeiro de 2009

O sociólogo das religiões Moisés Espírito Santo defendeu hoje que as "mulheres têm de saber quais as consequências do casamento com um islâmico" e considerou que o Cardeal Patriarca cumpriu "um dever de informação" ao alertar as jovens portuguesas.

"No Islão, não há casamentos mistos, o que implica sempre a adopção ou a aceitação da religião, com todas as consequências que traz um casamento islâmico" e que, segundo o sociólogo, "implica sempre a sujeição da mulher ao marido".

Na religião islâmica, "o marido é que é sempre o senhor da casa e tem todos os direitos familiares. É preciso deixar isso bem claro", afirmou, em declarações à agência Lusa, depois de o Cardeal Patriarca, D.José Policarpo, ter alertado as jovens portuguesas para o "monte de sarilhos" que acarreta o casamento com muçulmanos.

O doutor em Sociologia das Religiões pela Sorbonne considera que o Cardeal Patriarca "teve uma atitude correcta e corajosa" e que, enquanto chefe da igreja e cidadão, tem a "obrigação de informar as pessoas sobre as consequências dos seus actos".

"Não está a fazer pressão, está a informar. E é um facto que em muitos países da Europa, como Espanha, França, Alemanha, há muitos casos de mulheres iludidas por homens islâmicos, que não lhes revelam toda a verdade" sobre a religião. Segundo o especialista, o islamismo "legitima mesmo a mentira, quando se trata de defender a religião", tal como acontecia com o judaísmo ortodoxo.

Moisés Espírito Santo afirmou que "na actualidade não há outra religião como a islâmica, que mantenha leis de prepotência dos homens sobre as mulheres, à excepção de pequenos grupos religiosos", pelo que considera que este problema não se coloca nos casamentos entre cristãos e outras religiões.

"A religião cristã também já foi assim, tal como o judaísmo ortodoxo, mas modernamente, estão mais leves", referiu o professor do departamento de Sociologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.

Para o especialista, as declarações do Cardeal Patriarca não deverão prejudicar o diálogo interculutral e inter-religioso, porque este "tem de se basear na verdade". " O diálogo intercultural tem que se basear na verdade dos dois lados, não sobre meias-verdades ou meias-mentiras", sublinhou.

O padre Tony Neves, missionário com muitos anos de experiência em África, considera que só o extremismo das duas partes dificulta o diálogo entre religiões, mas admite que "assumir compromissos familiares" entre membros das duas religiões "é muito díficil".

"Mesmo em comunidades com islamismo muito aberto e tolerante, como na Guiné-Bissau ou Moçambique, são visíveis essas dificuldades", afirmou o padre, que organiza anualmente um encontro de missionários em Fátima.

"O casamento entre as duas religiões é muito complicado, porque as leis jurídicas e morais que regulam a família e o casamento são radicalmente diferentes nas duas religiões e o papel da mulher muda muito, o que dificulta o estabelecimento de compromissos familiares", afirmou, em declarações à agência Lusa.

Por isso, prevê que "uma mulher católica, que queira manter a sua religião e a sua maneira de estar na vida e que case com um muçulmano convicto, vai passar mal".

Ao contrário, a Alta Comissária para a Imigração e o Diálogo Intercultural, Rosário Farmhouse, considera que tudo depende da forma como os envolvidos "encaram, aceitam e respeitam as diferenças, religiosas ou culturais". "Conheço relações mistas, exemplos de sucesso e amor, que demonstram que a felicidade é possível", afirmou.

"Trata-se de uma opção individual e se os noivos concordam e aceitam as diferenças, tudo está bem", referiu, mostrando-se convicta de que as declarações de D. José Policarpo "não irão gerar focos de tensão" entre as duas comunidades, porque estas têm uma "sã convivência em Portugal".

Por outro lado, defende que estas declarações devem "ser colocadas no contexto e não empoladas". "Acredito no diálogo", reiterou a responsável pelo diálogo intercultural em Portugal, escusando-se a qualquer comparação sobre regimes jurídicos e morais entre as duas religiões. "Cada religião tem as suas características", afirmou, mostrando a sua convicção em que "é sempre possível construir pontes".

Falando na tertúlia "125 minutos com Fátima Campos Ferreira", que decorreu no Casino da Figueira da Foz, D. José Policarpo deixou um conselho às jovens portuguesas quanto a eventuais relações amorosas com muçulmanos, afirmando: "Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam".

Questionado por Fátima Campos Ferreira se não estava a ser intolerante perante a questão do casamento das jovens com muçulmanos, D. José Policarpo disse que não.

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E com Chineses?
chinook (seguir utilizador), 1 ponto , 20:57 | Quarta feira, 14 de janeiro de 2009
também há consequências, e muito dolorosas
 
 Regras da comunidade
    Re: E com Chineses?    Ver comentário
certo iactu (seguir utilizador), 1 ponto , 15:09 | Sexta feira, 16 de janeiro de 2009
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