23/05/2012 atualizado às 2:38
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Mercado de homens no Campo Grande

Todas as madrugadas, no Campo Grande, trabalhadores, legais e ilegais, são escolhidos para irem para as obras. O SEF e a Autoridade para as Condições de Trabalho estão atentos ao fenómeno.

Hugo Franco
21:00 Segunda feira, 15 de junho de 2009

O SEF e a Autoridade para as Condições do Trabalho estão atentos ao mercado de homens, semelhante às praças da jorna dos anos 60. Mas têm actuado mais nas empresas de construção civil do que sobre os angariadores de ilegais.

Na última grande operação do SEF no Campo Grande, em Setembro de 2008, foram fiscalizados 38 carrinhas de transporte de trabalhadores de construção civil e instaurados processos de contra-ordenação a sete empresas.

O mercado de homens do Campo Grande surgiu há cerca de dez anos, no boom da construção civil. Mas nem a crise fez baixar a oferta e a procura de mão-de-obra para as obras.

Todas as madrugadas e manhãs, dezenas de imigrantes, legais e ilegais, esperam que uma carrinha os vá buscar perto do estádio do Sporting, no Campo Grande.

Há oito anos que Dimitri vem todos os dias à 'feira de homens'. "É a única forma de conseguir dinheiro", justifica o moldavo.

Desde as 5h30 que Dimitri aguarda por um lugar numa das dezenas de carrinhas que estacionam em segunda fila. "Nos últimos dois meses tem sido mais difícil. Não me dão trabalho", queixa-se.

O imigrante ficará por ali até às 11h00, ao lado de um grupo de ucranianos e africanos. Nenhum deles irá trabalhar naquele dia. "Somos os excluídos", vaticina.

Wagner tem mais sorte. Às 7h00, o jovem brasileiro entra numa Ford Transit que o levará para uma obra em Cascais. Foi escolhido há quinze dias para pintar as paredes de uma fábrica por cerca de €5 à hora.

Nenhum dos imigrantes que falou com o Expresso tem contrato de trabalho. A maioria irá receber, em dinheiro vivo, ao fim do dia. E os salários estão abaixo da média de um vulgar trabalhador de construção civil.

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Andar para trás...
dedalo11 (seguir utilizador), 4 pontos (Interessante), 21:14 | Segunda feira, 15 de junho de 2009
Isto é que é andar para trás no tempo... Mais uma sujeição a que alguns trabalhadores têm que engolir. Espero que não lhes peçam para mostrarem os dentes como antigamente.
 
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SÓ AGORA?
Musoko (seguir utilizador), 3 pontos (Divertido), 22:03 | Segunda feira, 15 de junho de 2009
Desculpem, aquilo existe ali há anos, em baixo daqueles abrigos onde há umas escadas para o metro. Sei daquilo pelo menos desde 2002. Não só se angariam trabalhadores imigrantes, como há carrinhas fechadas que os levam e trazem das obras, de manhã e ao fim da tarde.
Param rapidamente, sem estacionarem, para carregar e desc arregar a força de trabalho.
Só agora é notícia, boa!
 
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É a escravatura do neo liberalismo
aukistuxego (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 21:26 | Segunda feira, 15 de junho de 2009
instalado...
 
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Serviço de emprego é "esquisito"
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 8:39 | Terça feira, 16 de junho de 2009
Esta notícia levou-me, ontem, e depois de já aqui a ter comentado, um pequeno trabalho de investigação e fiquei a saber as coisas mais estranhas. Fiquei a saber, e isso deixou-me siderado, que o Serviço de Emprego, perante os desempregados versus emprego, apenas os informa, quando o faz, de empregos compatíveis com aqueles que tinham anteriormente. Ou seja, um administrativo à procura de trabalho, jamais será informado, por exemplo, de que existem vagas na restauração, construção civil, comércio, etc.. O que isto quer dizer é que o questionário que os desempregados preenchem, mesmo quando assinalem, em lugar apropriado, disponibilidade para qualquer tipo de trabalho, permanecem no desconhecimento sobre as oportuniddes que estiverem "acima ou abaixo" das suas competências. Ora, as chamadas bolsas de emprego até podem andar cheias de empresários em busca de trabalhadores, que essas pessoas ficam sem saber. É ser-se esquisito perante a necessidade de trabalho que por aí anda. Em certas épocas da vida o qualquer coisa serve desde que seja trabalho honesto não é considerado para os desempregados. Será que é para não "ofender"? Ou é pela tradicional tolice de querer pensar pela cabeça dos outros?
 
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Mercado de homens no Campo Grande
olimanuel (seguir utilizador), 1 ponto , 21:22 | Segunda feira, 15 de junho de 2009
SEF e ACT estão atentos. O Sócrates está atento. A oposição está atenta. A PT está atenta. A EDP está atenta. As águas estão atentas. As operadoras de telemóveis estão atentas. A Galp está atenta. Os bispos estão atentos. Israel está atenta. A ONU está atenta...
Estão todos atentos. Mas ninguém faz nada! Devo ser dos poucos atentos, que tenta trabalhar em paz.
 
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150 000
Helder Antunes (seguir utilizador), 1 ponto , 21:37 | Segunda feira, 15 de junho de 2009
Devem ser os tais 150 000 empregos prometidos...
Umas dezenas, ou mesmo só uma, todos os dias, durante meses dará certamente mais de 150 000 empregos.
De um só dia mas ainda assim empregos.
Dirão alguns: Mas o homem não não pode inventar empregos que não existem. Pois não. Mas então não os prometa e não se faça passar por muito bom como se fosse conseguir.
É só.
Para além de que o que se tem conseguido nestes últimos anos é uma verdadeira "Campo Grandização" do mercado de trabalho. E não só em Portugal.
Talvez por daí venha o concenso e o grande apoio ao boçal Durão Barroso lá na longinqua Bruxelas.
 
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OPORTUNISMO
José veloso (seguir utilizador), 1 ponto , 21:56 | Segunda feira, 15 de junho de 2009
Quem não se lembra ainda, da incerteza de trabalho dos estivadores portuários.
 
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    Re: OPORTUNISMO    Ver comentário
Musoko (seguir utilizador), 2 pontos , 11:38 | Terça feira, 16 de junho de 2009
    Re: OPORTUNISMO    Ver comentário
zepereira (seguir utilizador), 1 ponto , 17:54 | Terça feira, 16 de junho de 2009
Trabalho no Campo Grande
Miranda07 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:24 | Segunda feira, 15 de junho de 2009
Diante de situações de grande necessidade e urgência não me atrevo a dizer que quem precisa e quer trabalhar não tenha a possibilidade de mostrar o seu interesse a quem igualmente deseja e precisa. Mas é imperioso que este procedimento do Campo Grande não se instale como forma mesquinha de os empregadores explorarem o trabalho de quem vive necessidades e constrangimentos de vária ordem. Assim, acho de alguma forma bem que, para satisfazer necessidades de trabalho, seja possível ir "à feira"; mas também acho que se deve fazer todo o possível para que ninguém "contratado" desta maneira seja pago abaixo de um determinado nível salarial. Quem o fizer, explorando a vulnerabilidade dos mais pobres, deveria sentir não só uma grande vergonha, mas também um profundo incómodo, seja à face da consciência seja à face da lei. Por isso, apelo aos potenciais empregadores: se usam este tipo de trabalho, não digo que o paguem a modo de luxo; mas que ninguém deixe de ser justamente compensado, mesmo dentro da injustiça da situação, segundo valores adequados e consequentes com o trabalho realizado. E a haver algum exagero, que esse seja sempre em benefício dos trabalhadores. Uma regra poderia ser: se o mercado oferece x/hora, eu, que vou ao campo Grande, ofereço, pelo menos, x+1. De resto, devem ser as autoridades competentes a vigiar e a controlar. Porém, nunca ninguém devia poder impedir ninguém de trabalhar segundo as suas necessidades.
 
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"Ipsis Verbis" ou "Também na Gália Havia Disso"
dákámaicinco (seguir utilizador), 1 ponto , 22:33 | Segunda feira, 15 de junho de 2009
"Seiscentos sestércios???? (moeda que circulava na antiga Gália, que é hoje a França). É caro. Compro-os ao molhe por trezentos. É pegar ou largar. " O meu amigo Astérix era óptimo a fazer negócio. E ele não falhava nenhum. Ao preço de mercado que estavam nem na lota de Matosinhos se encontrava "peixe" tão barato. É que na Lutécia (que é hoje Paris), os escravos abundavam. Mas isso foi há mais de dois mil anos atrás... Acho que a moda de traficar trabalhadores veio dali. E por cá ficou.
 
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Ontem assim como hoje,
roze (seguir utilizador), 1 ponto , 23:10 | Segunda feira, 15 de junho de 2009
numa sociedade pouco escrupulosa e tão preocupada consigo própria dificilmente se lembra desse povo a quem é exercida todo o tipo de violancia de velho tipo.
 
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Sr.s ministros
Donzela (seguir utilizador), 1 ponto , 23:39 | Segunda feira, 15 de junho de 2009
Por favor não deixem o Pais fazer figuras tristes estes e outros Homens devem-se sentir humilhados, quando o adminstrador do Banco de Portugal ganhe uma fortuna, os minstros arrecadam tudo por inteiro, porque têm tudo de Borla, são uma afronta a pobreza! agora gabam-se que vão baixar o gás às familias, uns tristes centimos,! enquanto alimentam banqueiros. Tenham dó destes tristes homens, que vieram até Portugal para alimentar as familias que deixaram atrás, provavelmente os pais dos sr's ministros tambem foram emigrantes! para hoje eles serem alguém, provavelmente os pais tb sofreram o mesmo que estes homem estão a sofrer. TENHAM DÓ!!!
 
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    Re: Sr.s ministros    Ver comentário
certo iactu (seguir utilizador), 1 ponto , 20:17 | Terça feira, 16 de junho de 2009
A alquimia do trabalho
M.Farid (seguir utilizador), 1 ponto , 1:23 | Terça feira, 16 de junho de 2009
A relação de trabalho é a relação social mais assimétrica possível e a mais fragilizada em relação ao trabalhador.
De um lado a prestação do trabalho envolve toda a capacidade,disponibilidade,empenho,criatividade,risco,talento,além da aplicação de toda a personalidade na prestação do trabalho,que não só beneficia o empregador,mas também toda a comunidade,conferindo-lhe uma dimensão social,ao passo que o salário auferido,expressão alquímica de todo o envolvimento do trabalhador, nunca traduz o valor realizado,sendo sempre uma relação injusta na qual se baseia o capitalismo.E tanto mais injusta quanto menos protegido o trabalhador.O trabalho,entendido como mercadoria a transaccionar,não goza dos mesmos previlégios creditícios de outros créditos em relação ao empregador,colocando, desde logo,o salário em desvantagem.Poder-se-á inferir que a protecção jurídica do salário e das relações de trabalho são uma exigência,no mínimo, de ordem moral.
Se ao empregador lhe faltar a elevação moral na consideração daqueles que lhe prestam trabalho,deverá sobrar ao Estado o rigor da aplicação da necessária vigilância.

   
 
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Atentos ???
fimdalinha (seguir utilizador), 1 ponto , 8:40 | Terça feira, 16 de junho de 2009
LOLADA !!!! rir tanto assim logo de manhã até deve fazer mal...
 
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Mercado de escravos
Motuproprio (seguir utilizador), 1 ponto , 8:46 | Terça feira, 16 de junho de 2009
O que se passa naquele local e não só, (na Rotunda da Damaia, passa-se o mesmo. Aí só com africanos) É uma vergonha descarada de exploração humana. Por razões profissionais, parto também daquele lugar, muito cedo, várias vezes, e é curioso, nunca vi por lá qualquer entidade oficial, nem um qualquer polícia de giro. Talvez por ser ainda muito cedo, estão todos ainda nas "palhinhas"! Este país funciona assim e não há volta a dar. Todos sabem, mas ninguém vê nada.
 
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Alentejo
portamoedas (seguir utilizador), 1 ponto , 9:01 | Terça feira, 16 de junho de 2009
No antigo regime como todos sabem era assim que as coisas se passavam, os portugueses fugiram do pais, para nao serem tratados abaixo de cào, imigraram e hoje sào respeitados, mas se pensar-mos um pouco, logo compreendemos, que o que foi a causa da imigraçào massiva naquele tempo, eram aqueles que exploravam os portugueses , sào os mesmos que hoje exploram os imigrantes no nosso pais.
  Parabens aos governos actuais, esquerda e direita, em que certamente havera membros que os pais ou familia tambem foram imigrantes ou refugiados politicos no tempo do salazar, ai se se vê como é que o pais é gerido
 
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