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Menores de 18 a pisar no acelerador

Quase todos os microcarros conduzidos por jovens sofrem alterações mecânicas para atingirem mais velocidade.

Helder C. Martins e Maria Barbosa (www.expresso.pt)
22:00 Quarta-feira, 30 de Set de 2009
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À porta de algumas escolas privadas, em Cascais, acumulam-se microcarros
À porta de algumas escolas privadas, em Cascais, acumulam-se microcarros
Luís Faustino

Saem dos stands de automóveis como manda a lei, com a velocidade limitada a 45 quilómetros/hora. Na estrada, e durante semanas, nada distingue os microcarros guiados por jovens, dos chamados 'mata-velhos' ou 'papa-reformas', veículos que se popularizaram no grupo etário dos idosos. Findo o período de rodagem, de mil quilómetros, e para alívio dos adolescentes, os carrinhos entram numa oficina para serem trabalhados por mãos experientes, e saem de lá a dar 60 ou 70 quilómetros/hora.

"Retiramos os limitadores de velocidade e abrimos os injectores de gasóleo, para o combustível chegar mais depressa ao motor", conta um dos mecânicos ao Expresso. E mais velocidade implica trocar também os travões por discos maiores. A 'operação' ronda os 300/400 euros e não há quem não a faça. Afinal, "que jovem compraria um carro limitado a 45km/h?", diz.

Os pais não só pagam como assumem o risco. Nenhuma destas alterações é feita sem a assinatura de um dos encarregados de educação numa minuta. "Em caso de acidente, não assumimos a responsabilidade". Muito menos quando a sugestão de trocar o motor de 400cm3, com que os microcarros ligeiros saem de fábrica, por um mais potente, é feita até pelos clientes. Custa mais de mil euros mas o pequeno quadriciclo de 350 quilos pode chegar aos 95 quilómetros/hora.

Nada disso surpreende Pedro Monteiro, agente oficial da Aixam (a marca mais vendida em Portugal e na Europa), na zona de Sintra, procurado pela classe alta residente em Cascais, Estoril e Restelo. "São as zonas com maior concentração de microcarros", comenta. E isso é visível à porta das escolas privadas da Linha, como os Salesianos ou os Maristas, onde o estacionamento é hoje um bem escasso.

Diogo vive a três minutos do Liceu do Restelo, tira sempre o carro da garagem
Diogo vive a três minutos do Liceu do Restelo, tira sempre o carro da garagem
Tiago Miranda

Na Escola Secundária do Restelo, Diogo Pereira Dias, 17 anos, estudante de Ciências, é um dos cinco alunos que vão de carro para as aulas. A pé, e a andar devagar, a vivenda onde mora com a mãe não fica a mais de três minutos de distância do liceu. E isto em linha recta. O que não impede o adolescente de sair com o pequeno Aixam cinzento-metalizado (pequeno de mais para os seus 1,80m), e percorrer uma rua. O pior é quando chega atrasado. "Os professores metem-se sempre comigo", conta. Também nos corredores do liceu se tornou mais conhecido, mas a popularidade extra nem sempre é positiva. "Notei que algumas pessoas começaram a falar comigo só porque tinha carro". Na expressão dele, "o melhor foram as namoradas". Com o microcarro, vai num pulinho a Cascais ou à Ericeira, onde faz surf com os amigos. Admite que circula a mais de 45km/h, mas com o pai ali ao lado, atento às suas palavras, não diz até quanto "puxou pelo carro". Mas "pode-se dizer que todos os quilómetros contam, quando estou a falar com amigos que também têm microcarros". E são muitos.

Alguns, como ele, guiam desde os 14/15 anos e nem sequer têm a carta de condução B1, obrigatória desde 2005 para guiar um quadriciclo. E que obriga a passar por uma escola de condução, fazer o exame de código e tirar 12 aulas práticas. Tal como centenas de adolescentes, Diogo aproveitou um furo na lei, em 2007, que ainda permitia adquirir microcarros registados como motociclos. E que facilitava a vida dos mais jovens: bastava uma licença de moto, tirada até num curso especial da Prevenção Rodoviária, para conduzir um microcarro.

Com a introdução do Documento Único Automóvel, este alçapão legal foi corrigido, garante Miguel Iglésias, administrador da Microcar. "Neste momento, nenhum veículo entra em Portugal com a designação motociclo", o que trouxe graves prejuízos ao negócio (ver caixa).

Segurança em causa

A segurança e fiscalização deste tipo de veículos são os aspectos críticos fundamentais para o presidente do Automóvel Clube de Portugal. "Não se conhecem teste de segurança feitos a este tipo de carros", salienta Carlos Barbosa. "A própria polícia não os conhece bem para saber se foram transformados ou não". E ao contrário do que acontece com o tuning, não há uma inspecção rigorosa.

"A directiva europeia não obriga a inspeccionar este tipo de veículos", diz uma fonte do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT). Porém, "Portugal está a trabalhar no sentido de os motociclos, ciclomotores, triciclos e quadriciclos virem, em 2010, a ser abrangidos pelas inspecções periódicas obrigatórias", acrescentou. Quanto à fiscalização deste tipo de veículos, ela compete às autoridades policiais, no âmbito da fiscalização do Código da Estrada. Mesmo aí, a confusão, está instalada. E os próprios condutores adolescentes já perceberam isso. Numa das vezes (não tão raras quanto isso) em que Diogo deu boleia a mais três amigos, dois deles deitados no porta-bagagens, um polícia travou-lhe a marcha. Lá dentro, temeu-se o pior. "Pensei que ia ser multado. Mas disse ao agente que o carro tinha quatro lugares e ele mandou-me seguir".


Disseram

"Não se conhecem testes de segurança feitos a este tipo de carros"
Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal

"Não há prova de que estes veículos sejam perigosos. Em países como a França ou Itália, a sinistralidade é muito reduzida. As motos atingem mais velocidade"
José Manuel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa

"A maior parte dos alunos de microcarros 'fugiram' dos motociclos. Hoje, são poucos os que aqui chegam para tirar a carta de moto"
Carlos Mina, director da Escola de Condução do Restelo

"É só passar na zona de Cascais e ver os miúdos a guiar microcarros. Houve uma perversão do conceito de carro utilitário. E, claro, falta fiscalização e sanções adequadas"
Manuel João Ramos,presidente da A-CAM


Microcarros sentem a crise

As vendas de microcarros acompanham a tendência geral da crise que afecta o sector automóvel, e estão longe dos anos de ouro que terminaram em 2005, com a aprovação do novo código da estrada (e que lhes trocou a designação de motociclos pela de quadriciclos) De Janeiro a Julho, foram vendidos em Portugal 468 microcarros novos, quando no mesmo período do ano passado foram 468 viaturas que saíram dos stands. Uma quebra de 37,3% revelam os dados da Associação nacional de Empresas do Comércio e Reparação Automóvel (Anecra).

Para o representante da Aixam, Pedro Monteiro, a procura é menor mas os jovens ainda representam 70% das vendas. Já o seu concorrente mais directo, Miguel Iglésias, da Microcar, defende que "não há mercado para os mais novos", desde que a lei os obriga a tirar a carta de condução B1, aos 16 anos.

"Comprar um microcarro deixou de ser rentável. Em menos de dois anos, o jovem já pode guiar um veículo ligeiro". Para o presidente da ANECRA, Ferreira Nunes, a evolução do mercado vai passar mais por um aumento "muito suave das vendas do que por uma redução". Isto porque os mais novos, ainda que gostem de andar de automóvel, "só por excepção é que andam nesse tipo de carros".


Mininúmeros
13.900

euros é o valor-base de um topo de gama cabriolet da Aixam. O modelo mais caro está avaliado em 14900 euros. As versões mais simples, Crossline e Roadline, e também as mais vendidas, rondam os dez e doze mil euros

84

microcarros foram vendidos pelas três principais marcas francesas que dominam o mercado, Aixam, Microcar e Ligier, durante o mês de Julho. No mesmo mês, em 2008, saíram dos stands 117 veículos

Texto publicado na edição do Expresso de 25 de Setembro de 2008

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B l u e S k y (seguir utilizador), 2 pontos , 22:46 | Quarta-feira, 30 de Set de 2009
os jovens é que precisavam de alterações "mecânicas" para atingirem a maturidade.
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Mais grave é o facto de os pais...
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 23:19 | Quarta-feira, 30 de Set de 2009
... se responsabilizarem por se desresponsabilizarem. Ou seja, toranrm-se cúmplices ao assinarem papéis onde assumem que não são responsáveis pelos filhos em caso de acidente. Nestas situações, deveriam ser os pais os mais penalizados, sempre que os seus pimpolhos fossem apanhados em infracção! Por outro lado, quem é a santa autoridade que acredita ser possível um jovem conduzir seja o que for que ande limitado aos 45 kms/hora???
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    Re: Mais grave é o facto de os pais...    Ver comentário
rribeiro (seguir utilizador), 1 ponto , 10:41 | Quinta-feira, 1 de Out de 2009
    Re: Mais grave é o facto de os pais...    Ver comentário
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:55 | Quinta-feira, 1 de Out de 2009
Que se passa com os pais?
makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 0:38 | Quinta-feira, 1 de Out de 2009
Estão demissionários do seu papel de Pais?
Com que argumento assinam um papel que autoriza a criancinha (sem carta) a atropelar gente, a despistar-se, a fazer estragos, a morrer?

E ainda pagam por isso?

Deviam era pagar imposto de idiotice!

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    Re: Que se passa com os pais?    Ver comentário
userEX141019 (seguir utilizador), 1 ponto , 9:54 | Quinta-feira, 1 de Out de 2009
Chica espertice lusa.
BrincaNareia (seguir utilizador), 1 ponto , 22:18 | Quarta-feira, 30 de Set de 2009
Nós somos assim ! A Lei existe, mas não nos resignamos. Pensamos de imediato como contornar a dita.

Curiosamente, desta feita com o beneplácito dos papás, que melhor fariam de educar os pequerruchos. Sim já sei, mais tarde vão reclamar que a Escola não educa, só faz a leve tarefa de instruir.

Medida grossa neles. Perda total do veículo, e inibição durante 10 anos na subida de escalão da carta de condução.
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    Re: Chica espertice lusa.    Ver comentário
snowsrookie (seguir utilizador), 1 ponto , 11:09 | Quinta-feira, 1 de Out de 2009
Micro???
Kikas_o_je (seguir utilizador), 1 ponto , 0:32 | Quinta-feira, 1 de Out de 2009
São é uns belos caixões com rodas!

Este tipo de veículo, é perigoso, pouco estável, pouco ou nada preparado para impactos e tem uma dificuldade razoável a transmitir potência/travagem ao solo..., semelhante às motos de 50cc que andam mas parar é um castigo...
O estranho é que consiga estar homolgado e acessível a menores...
Estas lacunas na lei servem sempre para bons negócios, coloca-se a questão, que anda o IMTT a fazer em relação a este aspecto? existem veículos deste a circular faz mais de uma década!

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Balas perdidas
C$ (seguir utilizador), 1 ponto , 2:01 | Quinta-feira, 1 de Out de 2009
Há umas dezenas de anos passava-me o mesmo em Itália com os Fiat 500, só que estes carritos, depois de artilhados chegavam a voar a 200 km/h e consequentemente a seguirem em frente numa qualquer curva. Houve um período em que conduzir um Fiat 500 era uma tortura porque todos os polícias lá da terra só controlavam estes carritos e quem circulava nas autoestradas quando via ao longe um pequenote Fiat logo parava e encostava o mais que podiam, e até saim a correr para fora da estrada. Eram autênticas balas perdidas.
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LOL
Buma (seguir utilizador), 1 ponto , 15:54 | Quinta-feira, 1 de Out de 2009
Como é que alguém que mora a 3 minutos da escola, vai de carro para a mesma? No mínimo, ridículo!

Que boa educação dão aos seus filhos!
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