O Expresso publicou, na edição de 14 de Novembro, uma notícia na pág. 15 sob o título "Médico acusado por colegas de fazer testes ilegais".
As acusações que alegadamente me são feitas por médicos do Serviço de ORL do Hospital de Santa Maria, que há 27 anos dirijo, afectam gravemente a minha honorabilidade pessoal e profissional. Por essa razão, para cabal esclarecimento dos leitores do Expresso e ao abrigo do Direito de Resposta, venho solicitar-lhe a publicação deste esclarecimento:
Na semana passada fui informado pelo presidente do Conselho de Administração do HSM, dr. Adalberto Campos Fernandes, da existência de uma carta assinada por alguns médicos que continha acusações contra mim, recebida em Junho. Passados cinco meses continuo a desconhecer o seu conteúdo assim como quem a assinou.
Embora as técnicas não sejam nomeadas no artigo, depreende-se que se trata da 'endoscopia rígida e da endoscopia de contacto' articuladas com a microcirurgia laríngea. Trata-se de técnicas de observação não invasivas que permitem melhorar o diagnóstico e o staging da patologia das mucosas dos territórios das vias aerodigestivas superiores, técnicas desenvolvidas por mim e Oscar Dias e que utilizamos por rotina desde 1992.
Em 1994, os dois desenhámos endoscópios para a laringe posteriormente fabricados pela Karl Storz, Alemanha; em 1995, publicámos um livro ("Atlas of Rigid and Contact Endoscopy associated to Microlaryngeal Surgery") editado pela Lippincott-Raven Publishers. O Prefácio foi assinado por Michael Johns, na altura Dean da John Hopkins University, considerada a melhor faculdade de medicina do mundo.
Em 1996, o "Journal of the American Medical Association" (JAMA), a mais prestigiada revista médica, considerou estas técnicas como sendo um dos três maiores progressos na área da otorrinolaringologia desse ano.
De 1994 a 2009, foram proferidas conferências nos mais prestigiados centros mundiais e efectuadas demonstrações operatórias destas técnicas na John Hopkins, no Instituto Europeu do Cancro de Milão, na Universidade de Giessen e em S. Paulo.
De 1993 a 2008, foram atribuídos prémios nacionais e internacionais a trabalhos que utilizaram as técnicas que idealizámos, desenvolvemos e que usamos diariamente.
Relativamente à questão do registo de imagens, esclareço o seguinte:
Em ORL, especialidade endoscópica de vários territórios, os diagnósticos baseiam-se na observação e registo de imagens. A gravação começa logo na consulta, o que permite explicar ao doente e seus familiares a doença e o seu esquema de tratamento.
Estas imagens serão posteriormente comparadas com outras, o que permite avaliar o sucesso ou insucesso da terapêutica instituída.
Os doentes que passam pelo Serviço de ORL do Hospital Universitário de Santa Maria têm conhecimento da gravação de imagens, que, aliás, lhes são exibidas. Estas imagens, que são utilizadas em aulas para alunos de Medicina e/ou em congressos, são insusceptíveis de ser identificadas ou de qualquer modo relacionáveis com o doente, não havendo por isso lugar a violação ética como malevolamente os delatores pretendem fazer crer.
Aproveito para informar que tomei conhecimento de que 17 médicos, dos 22 que integram o meu departamento, enviaram ao Conselho de Administração uma carta repudiando a atitude do referido grupo delator, manifestando-me o seu apoio e solidariedade.
Mário Andrea
Texto publicado na edição do Expresso de 21 de Novembro de 2009