Jaime Soares, o mais antigo autarca português, não tem problemas em criticar a reforma autárquica que está em estudo: "Considero a lei aberrante e antidemocrática", disse ao Expresso.
Para o presidente da Câmara de Vila Nova de Poiares, eleito pelo PSD, "está a retirar-se aos cidadãos o direito de escolher quem administra as autarquias". O autarca concretiza: "A democracia trouxe-nos a liberdade de tomar as nossas opções."
Jaime Soares sustenta que a limitação até três mandatos para os autarcas só faria sentido "se todos os cargos da Administração Pública fossem abrangidos". Recordando, por exemplo, o regime dos deputados e dos dirigentes regionais, onde não existe limitação, o autarca defende que "a lei devia colocar todos no mesmo patamar".
A possibilidade de um autarca, no fim dos três mandatos, se candidatar a outra Câmara, leva o presidente de Vila Nova de Poiares a perguntar: "Ao fim de três mandatos as pessoas perdem as qualidades ou mudam? Se não serve para uma Câmara, não serve para outra".
"Autarquias fazem com um euro aquilo que o Governo faz com quatro"
Recusando aceitar que se considerem os autarcas "como os maus da fita", o membro do PSD diz que "esta lei foi feita em cima do joelho" e que "há um lobby por detrás da mesma".
Acusando "os governos de atirar a desgraça do endividamento para os municípios", o mais antigo presidente de Câmara português diz que as autarquias, mesmo com cortes, "fazem com um euro aquilo que o Governo faz com quatro".
Jaime Soares sai em defesa das Câmaras Municipais e esclarece: "As autarquias foram, em Portugal, a alavanca do crescimento, cativaram investidores e criaram postos de trabalho".
Ao fim de quase 40 anos de liderança, Jaime Soares acredita "que o poder central está cada vez mais poderoso" e "que esta já não é a revolução do poder local".
Leia amanhã no Expresso extenso trabalho sobre a limitação de mandatos autárquicos e a maneira de contornar a lei.