Lisboa, 11 fev (Lusa)- O escritor equato-guineense Juan Tomás Ávila defendeu, em entrevista à Lusa, que para o povo da Guiné-Equatorial é "absolutamente indiferente" a entrada do país para a comunidade lusófona, sustentando que ali jamais se falará português.
"Não conhecendo os equato-guineenses o que é a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), é-lhes absolutamente indiferente. No que respeita ao quotidiano dos seus cidadãos, a Guiné-Equatorial nunca será da CPLP. No papel, por causa dos negócios, claro que se pode dizer que é, mas isso não incidirá nunca na vida dos equato-guineenses", disse Juan Tomás Ávila.
O escritor e ativista da Guiné-Equatorial está de visita a Portugal para participar numa série de conferências sobre a situação política do seu país - a começar já hoje numa iniciativa do Centro Intercultura Cidade de Lisboa -, onde Teodoro Obiang governa há mais de 30 anos, e onde são frequentes as denúncias de falta de liberdade e violação dos direitos humanos. "Dir-se-á que a Guiné-Equatorial é membro de qualquer coisa, mas será como dizer que houve um terramoto em Osaka. Para os guineenses é exatamente igual", sublinhou.