O PSD-Algarve decidiu apoiar a candidatura de Gonçalo Amaral, ex-inspector da Polícia Judiciária (PJ), responsável pelos casos "Maddie" e "Joana", ao município de Olhão, liderado pelo PS desde sempre.
Depois de reformado subitamente da PJ, na sequência de alegadas pressões no "Caso Maddie", Gonçalo Amaral terá demonstrado disponibilidade para exercer um cargo político e daí ao convite foi um pequeno passo.
"Enquanto polícia não exerci plenamente os meus direitos civis, em termos de partido limitava-me a votar, a ir lá às votações, porque entendia que não era compatível uma actividade política com a actividade que exercia. A partir do momento em que deixei a Polícia, tenho a plenitude dos meus direitos. Houve um convite e aceitei esse convite. É uma forma de intervir na vida pública", admite ao Expresso o recém-candidato pelo PSD ao município de Olhão.
O nome de Amaral saiu de uma reunião da Comissão Política concelhia que decorreu ontem à noite, em Olhão, isto após ter sido sugerido pelo próprio presidente da Distrital do PSD, Mendes Bota: "A Distrital já tinha Gonçalo Amaral em mente até para outros concelhos, mas nalguns já havia candidaturas ou compromissos. Quando o Dr. Mendes Bota soube que o Dr. Gonçalo Amaral tinha família em Olhão e que não havia compromissos, Olhão surgiu como uma escolha natural", admite fonte da concelhia olhanense.
Contactado pelo Expresso, Mendes Bota foi parco em comentários: "Não posso falar, porque a candidatura ainda não foi oficialmente aprovada pela Distrital", disse. Bota confirma, no entanto, que todas as concelhias "são seguidas de perto" pela Distrital e que até ao final do mês todos os "candidatos de oposição" deverão estar definidos, uma vez que nas actuais Câmaras "laranja" (no Algarve são nove) as indicações do Conselho Nacional do partido são para que todos os actuais presidentes se recandidatem.
Embora ainda não tenha sequer a equipa formada, Gonçalo Amaral revela que no seu programa eleitoral uma das principais preocupações será o factor social: "Há muita pobreza em Olhão, a cidade vive das pescas e da agricultura, nem só de cimento nem de alcatrão se vive em Olhão. Vamos elaborar um programa político, há muita coisa que está bem feita, há outras que faltam fazer, vamos fazer um levantamento disso tudo, contactar com todas as organizações que existem em Olhão e tentar evoluir na área do social", adianta.
O ex-inspector da Polícia Judiciária admite que a sua visibilidade pública poderá até ajudar a enfrentar Francisco Leal, o elemento "histórico" do PS que lidera os destinos de Olhão desde 1989, mas esse factor não será suficiente: "Para além disso, as pessoas não podem ficar a pensar que só porque têm publicidade ganham uma Câmara, não pode ser por aí. Tem de ser um trabalho muito interventivo, estes meses vão ser para isso, vamos ver o resultado final, mas vai ser importante e vai ser interessante, vamos ver", afirma o agora candidato a autarca.
"Não era necessário tanta publicidade, tanta imagem pública - que é mais a nível nacional - porque tenho família oriunda da Fuzeta, não sou desconhecido no concelho de Olhão", acrescenta.
Opinião reforçada pelo presidente da Concelhia de Olhão, Daniel Santana, que acredita que o passado recente do ex-PJ jogará a seu favor nas eleições: "Ele foi inspector da Polícia Judiciária e isso traz-nos credibilidade. Por outro lado, foi injustiçado no caso Maddie e penso que as pessoas percebem que quando ele tentou fazer a verdadeira justiça o retiraram do processo", conclui.